Resenha: O filme “Onde está Segunda?” e o mito malthusiano.

Onde está segunda

Onde está segunda? (2017)

Veja o trailer: Onde Está Segunda?

Por Ma. Kelly C. M. Camargo
Mestra em Demografia (PGD-IFCH/Unicamp)
camargo.k@outlook.com
Prof. Dr. Roberto do Carmo 
Docente  (IFCH/Unicamp) e Pesquisador (Nepo/Unicamp)
roberto@nepo.unicamp.br

A possibilidade de uma superpopulação tem sido o pesadelo de muitos pesquisadores, políticos e gestores públicos ao redor do mundo. Desde a teoria elaborada por Thomas Malthus, em 1798, o argumento de que o crescimento populacional não poderia ser sustentado pela capacidade de produção de alimentos tornou-se uma persistente sombra no inconsciente coletivo. Apesar de a teoria ser sistematicamente negada pela própria realidade, através do desenvolvimento tecnológico (que expandiu a capacidade produtiva), conforme os problemas ambientais ganham espaço nas agendas científicas e midiáticas, os ecos malthusianos ressurgem, trazendo como carro-chefe a necessidade de controle do crescimento populacional (HOGAN, 2001).

Na história mundial[1] não foram poucas as políticas públicas que tentaram diminuir as taxas de natalidade e fecundidade das sociedades e, assim, frear o aumento demográfico. Provavelmente a mais conhecida delas é a Política do Filho Único posta em prática na China a partir da década de 1970. Essa consistia numa lei segundo a qual ficava proibido, a qualquer casal, ter mais de um filho. A sanção estava a cargo da imposição de severas multas para famílias com filhos adicionais. A partir de 2015[2], a política foi flexibilizada ao liberar os casais para terem até dois filhos.

O filme “Onde está Segunda” (título em inglês “What happened to Monday?”)[3] mostra a política do filho único sendo levada às últimas consequências. O filme se passa num mundo futurista, em que os alimentos são geneticamente modificados, a fim de atender a crescente população utilizando menos espaço físico. Mas as mudanças genéticas nos alimentos geram como efeito colateral o nascimento cada vez maior de gêmeos, imperando em uma superpopulação. Para contornar o problema, a gestão pública dita que as famílias só podem ter um filho. A família deve escolher a criança que deseja manter, e os irmãos são teoricamente confinados em ambiente criogênico para serem despertados quando a situação do planeta estiver controlada.

Contudo, Terrence Settman (Willem Dafoe), o avô de sete irmãs gêmeas (interpretadas na idade adulta por Noomi Rapace) consegue driblar o sistema, e cria-las para que assumam uma identidade única, Karen Settman, a qual cada uma interpreta no dia da semana respectivo ao que foram nomeadas. Assim, a primeira filha, chamada de Segunda, sai da segurança de seu lar para viver Karen nas segundas-feiras, e sucessivamente. Mas quando, numa noite supostamente normal, trinta anos depois do nascimento das gêmeas, Segunda não volta para casa, as outras irmãs precisam descobrir o que aconteceu com ela, ao mesmo tempo em que tentam manter o disfarce e a segurança de si próprias.

O filme de ficção científica “Onde está Segunda?” traz vários problemas pelos quais a pressão populacional já foi responsabilizada: desertificação, fome, esgotamento de recursos e degradação ambiental. Nesse sentido, os diálogos do filme em que Nicolette Cayman (Glenn Close), criadora e executora da política do filho único, justifica seus feitos soam preocupantemente parecidos com o que escutamos tantas vezes quando o assunto é crescimento populacional. Nicolette afirma que a quantidade de alimentos que as irmãs utilizaram nesse tempo de vida poderia ter sustentado duas outras famílias inteiras, sendo egoísmo manter tantos filhos. Ainda mais quando não se possui condições financeiras para arcar com as despesas dos mesmos.

É importante ressaltar que o crescimento populacional tem sido temido principalmente no que se refere ao medo de que este se trate do incremento das parcelas mais pobres nas cidades. Exatamente a situação que o filme retrata: no mundo distópico a paisagem é marcada pela constância da miséria e da indigência, tidas como consequência direta da superpopulação. O que no discurso de Nicolette justifica não só a criação da política do filho único, como a realização de ações de extrema opressão sobre a população, sobretudo daqueles que fogem ao sistema, para a manutenção da política. Sendo nítida a naturalização da violência através de cenas contundentes de brutalidade, que inundam a tela com sangue -, pois nesse ambiente nem mesmo a exposição da violência é capaz de chocar.

De fato, o aumento da preocupação com as questões relativas às mudanças climáticas dos últimos anos reacende a discussão sobre a necessidade de se controlar o crescimento populacional. É indiscutível que o volume populacional é importante em sua relação com o ambiente, pois um número maior de pessoas exige maiores investimentos públicos em setores como saúde, educação e infraestrutura, como também maior quantidade de alimento disponível. Entretanto, existem outros aspectos a serem considerados nessa relação, como, por exemplo, conhecer as características do modelo de produção da sociedade, e o quê e o quanto essa sociedade consome.

De acordo com Martine (2014), a cultura do consumo vem sendo construída ao longo de séculos, junto do desenvolvimento do modelo de produção capitalista. O momento em que nossa civilização se encontra é marcado pela retroalimentação entre globalização do consumo e produção de massa, pois quanto mais empregos são criados, mais renda é gerada e mais mercadorias são consumidas. Ainda que esse cenário seja desejável na perspectiva do desenvolvimento econômico e da inclusão social, ele também acaba por repercutir em processos problemáticos do ponto de vista ambiental. Isto posto, é possível afirmar que a maior questão a se pensar não é o crescimento demográfico em si, e sim as relações econômicas e sociais nas quais se projeta esse crescimento. O aumento populacional em país subdesenvolvido não tem as mesmas consequências ambientais do crescimento da população em país desenvolvido, que possui outro ritmo de consumo. Num país subdesenvolvido nascem pessoas, nos países em desenvolvimento e desenvolvidos nascem consumidores (MARTINE, 2014).

Destaca-se que não é de hoje que o discurso demográfico é utilizado para justificar políticas públicas intrusivas. Mas é essencial não nos perdermos nas supostas certezas, porque a dinâmica demográfica não é formada por fatalidades históricas, as variáveis demográficas se moldam também em relação às características sociopolíticas e econômicas da sociedade, que estão em constante mutação. E por isso, a imposição de políticas de controle demográfico podem trazer repercussões sociais inesperadas e negativas. Vejam a China, por exemplo, que hoje possui uma população composta por uma maior proporção[4] de homens do que de mulheres. Porque com a imposição da política do filho único numa sociedade em que os idosos são cuidados pelas famílias de seus filhos homens, a preferência é que o filho escolhido seja do sexo masculino, para evitar desamparo na velhice. Repercutindo em uma série de situações, e dentre essas no aborto, abandono ou morte de meninas.

Por fim, em “Onde está Segunda?” o discurso oficial de organização de um mundo controlado mostra-se uma inverdade. Levando-nos a questionar se esse desfecho faz alusão à forma insustentável em que a relação entre população, desenvolvimento e ambiente tem sido desenhada por nossa sociedade.

[1] Sobre as políticas populacionais de planejamento familiar postas em prática no Brasil e América Latina, ver Alves (2006).
[2] BBC Brasil. Por que a política do filho único virou uma bomba demográfica na China. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151029_china_bomba_demografica_cc. Acesso em 16 de out. de 2017.
[3] “Onde Está Segunda?”  (What Happened to Monday ?) é um filme distópico de ficção científica e suspense, escrito por Max Botkin e Kerry Williamson, dirigido por Tommy Wirkola, e estrelando por Noomi RapaceGlenn Close, e Willem Dafoe. Foi lançado em 18 de agosto de 2017 pela Netflix, que comprou os direitos de transmissão do filme em diversos países, inclusive no Brasil.
[4] Em 2015, o desequilíbrio entre homens e mulheres na China chega a 13,4 milhões, em 2040 deverá haver 17,4 milhões de homens a mais do que mulheres no país (ALVES, 2016).
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Setembro Amarelo: seleção de links com dados sobre suicídio

A mortalidade é uma dos eventos que mudam a estrutura e a composição de uma população – por isso, é um tema muito caro aos demógrafos. Dentre as diversas classificações por causa de morte, encontra-se o suicídio (lesões autoinfligidas).

Contudo, por trás da estatística existem nomes, histórias de vida. E aí entra a dimensão mais humana do tema, sobretudo quando aumenta a taxa de suicídio entre os jovens, como bem lembrou a pesquisadora Elza Berquó.

Sensíveis à campanha do Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, deixamos aqui alguns links sobre o tema. O primeiro deles refere-se ao I Boletim Epidemiológico sobre Suicídio, publicado ontem pelo Ministério da Saúde:

Aqui, o link oficial da campanha, com o slogan “Falar é a melhor solução”.

Dados sobre suicídio no Brasil e no mundo podem ser encontrados em:

 

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O que saber ao começar um doutorado

Algumas dicas para quem está começando.

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Breve publicação da Science (em inglês) traz alguns depoimentos de pós-graduandos. Apesar dos exemplos pertencerem à área de biológicas, as questões valem para quem se aventura no mundo da pesquisa:

1) Não tenha medo, faça perguntas

É OK fazer perguntas. Você precisa fazer perguntas. Um dia eu disse a ele [meu orientador] que eu estava assustada em ter que fazer perguntas, e ele disse ‘Meu Deus, você não precisa se assustar’. Existe muita informação que não podemos saber a fundo, todo o tempo. Então, é OK não saber. E é muito melhor poder perguntar.” (Alexandra Schober, doutoranda em neurociência na Albany Medical College, Nova Iorque. Tradução livre).

Assim como em outras áreas, na Demografia trabalhamos com alguns conceitos bastante abstratos: população estável, população estacionária… qual a diferença mesmo? Pesquise e estude por conta própria – e faça perguntas. Não entendeu ou tem dúvidas se entendeu corretamente? Pergunte!

2) Planejamento é a chave

Quanto tempo este experimento vai levar? E depois? Isso pode esperar até o dia seguinte? […] O mais importante, reivindiquei minhas noites. Agora, ainda que eu me anime com uma ideia nova, eu aprendi como planejá-la sem sacrificar meu tempo fora do trabalho.” (Juliana West, pós-doutoranda no Intituto de Tecnologia da Califórnia, Pasadena. Tradução livre.)

Dificilmente um demógrafo conduz um “experimento”, mas lidamos com bases de dados, modelagens, entrevistas. Sabe o item ‘cronograma’ do seu projeto? Não o menospreze 🙂

3) Cuide de si

Você precisa desenvolver questões que sejam interessantes – e tentar respondê-las. Com sorte, você tem apoio do seu orientador e dos seus colegas. E tudo isso leva algum tempo. Pode ser fácil você se sentir desencorajado quando as coisas não estão indo bem, pois seu senso de personalidade pode se mesclar as suas expectativas de pesquisa. Embora você possa se sentir vulnerável, se você conversar com seus pares, você provavelmente vai descobrir que essas ‘batalhas pessoais’ são recorrentes. Penso que todo mundo, em algum momento, já pensou em deixar a vida acadêmica – até mesmo as estrelas do seu departamento.” (Cecilia Sanchez, doutoranda em ecologia na Universidade da Georgia. Tradução livre)

Válido para qualquer trabalho: permita-se ter outras atividades não relacionadas com a pesquisa. É importante levar os olhos e a mente para passear, ver outras coisas, circular em espaços de arte, lazer, cultura e esportes. E, ao contrário do que possa parecer, não é perda de tempo, não. Ganha-se qualidade no tempo.

 

4) Não tome as falhas dos experimentos como pessoais

Toda vez que um experimento falhava, eu sentia como se fosse minha culpa: ‘eu devo ter feito algo errado, e estou desperdiçando o tempo e dinheiro de todo mundo’. (…) Fale sobre as falhas com seu orientador. Há o medo de que ele diga ‘obviamente você é um péssimo cientista e você não deveria estar aqui’. Mas, isso não acontece . Pelo menos não com a frequência que você imagina. Eles querem que você faça bem o seu trabalho. E é OK quando as coisas dão errado. Você só precisa aprender com isso e tirar algo útil dessa experiência.” ( Geoffrey Heinzl, pós-doutorando em química na U.S. Food and Drug Administration em Silver Spring, Maryland. Tradução livre.)

Quando lemos um artigo, não nos damos conta de todo o trabalho “omitido” naquela publicação. Dificilmente o autor/cientista/pesquisador acordou com aquela ideia brilhante e ela foi diretamente pro papel. Certeza que teve muita tentativa e erro antes daquele novo conhecimento vir a público.

5) Orientador e orientando: estilos de orientação nem sempre se ajustam. E tudo bem.

Eu não sabia que existiam tantos tipos de mentoria [orientação] – que algumas pessoas te deixam mais livres e outras não tão livres – e que você precisa se ajustar em um meio termo.” (Jessica Neuwer, doutoranda em neurociência na Albany Medical College, Nova Iorque. Tradução livre)

Seja qual for o estilo do seu orientador, sempre há algo que você pode aprender sobre a forma como ele conduz suas pesquisas e orienta seus alunos. Mesmo que seja um contra-exemplo!

6) Lembre-se de que você é bom o suficiente para estar na pós-graduação.

A pós-graduação pode ser muito ruim para a saúde mental. Você tem o desafio de fazer uma pesquisa rigorosa, com o adicional de dar aulas e procurar por financiamento. Some-se a isso o estresse pessoal por muitas vezes estar em uma cidade nova, distante de sua família e amigos. E fazendo tudo isso com um orçamento apertado. Tudo isso facilita pensar que não somos bons em ciência, ou para a vida acadêmica ou que não somos bons o suficiente para qualquer uma dessas coisas.

Por isso, é importante fazer o que for preciso para não entrar na síndrome do impostor. Tenha alguém que te anime – um parceiro, amigo, familiar – para te lembrar o quão esperto, motivado e trabalhador você é. Aceite o elogio, porque é verdade. E lembre-se de que todos estamos ‘fingindo até se tornar realidade’. Algumas pessoas se sentem bem ao dizerem para si mesmas que elas sabem tudo. Mas, qualquer acadêmico sabe que, o que sabemos, ainda é pouco comparado com o que ainda há para ser descoberto.” (Alyssa Frederick, doutoranda em fisiologia na Universidade da California – Irvine. Tradução livre).

Tentei ser fiel à tradução (como diriam os italianos, traduttoretradutor – tradutor, traidor), mas é preciso algum cuidado com essa ideia de ser “bom o suficiente”. Em caso de dúvida, procure lembrar-se do que o motivou a entrar nessa jornada 🙂

Fonte: http://www.sciencemag.org/careers/2017/09/what-know-starting-your-phd-program?utm_campaign=news_weekly_2017-09-08&et_rid=174537264&et_cid=1535895

 

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II Fórum sobre Imigração e Refúgio será realizado no dia 05 de setembro no Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ em Campinas.

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As migrações internacionais e, particularmente, o refúgio tem se despontado como uma questão central do século 21. A posição geopolítica do Brasil no cenário internacional, somado às restrições crescentes à entrada de estrangeiros na Europa e Estados Unidos, tem intensificado a circulação de imigrantes internacionais em território brasileiro. As dificuldades enfrentadas por essa população demanda articulação de políticas específicas, tema de discussão do II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, no dia 5 de setembro de 2017, no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Universidade Estadual de Campinas.

Além de um debate sobre a nova Lei de Migração, o evento abordará as iniciativas locais de apoio a imigrantes e refugiados. Nesse contexto, será apresentado o Grupo de Trabalho para implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo na Unicamp, uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que estimula o debate e a produção de conhecimento sobre o tema dos refugiados em diversos centros de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Também serão contempladas as iniciativas da Prefeitura Municipal de Campinas, da Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas e da Clínica de Direitos Humanos da Puc-Campinas. Contaremos, ainda, com relatos de imigrantes e refugiados e o lançamento de um dossiê especial sobre Imigração e Refúgio da Revista Brasileira de Estudos de População.

O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia.

Para maiores informações acesse: II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas

Programação 
9h30: Abertura –
• Autoridades UNICAMP e Prefeitura

10h00 – 12h30: Mesa-Redonda “A Nova Lei de Migração.”
• Prof. Dr. Luís Renato Vedovato – Universidade Estadual de Campinas 
• Profa. Dra. Gláucia Assis – Universidade do Estado de Santa Catarina
• Prof. Dr. Clodoaldo Silva Anunciação – UESC/Ministério Público da Bahia
• Dr. Pe. Paolo Parise – Missão Paz
• Profa Dra. Rosana Baeninger – Universidade Estadual de Campinas

14h00 –17h00: Painel – “Ações Locais para Imigração e Refúgio.”
Coordenação: Prof. Fábio Custódio
• Departamento de Cidadania-PMC
• Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas-RAIR/PMC
• GT-Cátedra – UNICAMP
• Clínica de Direitos Humanos-PUCCAMP
• Associação Brasileira de Estudos Populacionais – REBEP
• Experiências Imigrantes

 

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Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais foi realizado em Franca/SP.

Entre os dias  15 e 16 de agosto de 2017 tivemos a décima primeira edição do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, inserido nas atividades do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-IFCH/UNICAMP), e em parceria ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPPs) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) em Franca/SP.

Nesta edição, contamos com 30 participantes que possuíam suas formações atreladas aos cursos de Serviço Social, Direito, Relações Internacionais, Ciências Sociais e Estatística. Destacando-se os profissionais recém formados pela instituição parceira.

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Comissão Organizadora, palestrantes e ouvintes do XI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais. Foto por: Júlia Fontana Marangon.

A organização do evento contou com a presença das professoras: Dra. Rosana Baeninger (IFCH-UNICAMP), coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-UNICAMP), Dra. Lidiane Maciel (IFCH-UNICAMP e UNIVAP), Dra. Regina Laisner (NEPPs-UNESP) e Dra. Paula Pavarina (NEPPs-UNESP). Além disso, estavam presentes os alunos e pesquisadores do Projeto Temático FAPESP Observatório das Migrações em São Paulo e do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da UNESP.

A conferência de abertura foi realizada pelo Prof. Dr. Paulo Jannuzzi (ENCE-IBGE) acerca do uso de indicadores sociais para a formulação de políticas públicas. Enquanto que a Mesa Redonda do dia 15 contou com a fala da Profa. Dra. Rosana Baeninger e da Dra. Roberta Peres sobre o processo de transição demográfica e indicadores sociais, assim como, da Dra. Maísa Faleiros (NEPO-UNICAMP), a qual destacou elementos da dinâmica populacional histórica do município de Franca/SP, e da Dra. Natália Demétrio (NEPO-UNICAMP), cuja fala centralizou-se na discussão dos arranjos rurais-urbanos regionais.

O segundo dia de atividades contou com a realização de oficinas ministradas pela Profa. Dra. Lidiane Maciel e pela doutoranda em Demografia Giovana G. Pereira (IFCH-UNICAMP). A mesa redonda “Demandas locais e regionais” foi composta pelo Prof. Dr. Marcelo Gallo do Departamento de Serviço Social e pela Profa. Dra. Maria Madalena Graciolli do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da UNESP-Campus Franca. Tivemos também a participação da Profa. Dra. Vera Navarro do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e do Dr. Eduardo Tostes, promotor do Ministério Público da regional de Franca. As exposições foram centralizadas no debate acerca dos desdobramentos das recentes reformas trabalhistas e educacionais, simultaneamente, a limitação do orçamento público prevista para os próximos anos.

O evento contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Departamento de Relações Internacionais (DERI-UNESP) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UNICAMP.

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Dica de filme: “Quanto tempo o tempo tem?”

quantotempootempotem

Documentário nacional, dirigido por Adriana Dutra e Walter Carvalho (2016), trata da história de nossa percepção acerca do transcorrer do tempo.
Mas, por que esta postagem no blog de estudantes de Demografia?
O roteiro abrange questões como as mudanças nas fases da vida, o aumento da expectativa de vida, a revisão das idades esperadas para se dedicar aos estudos, ao trabalho e à aposentadoria. Um debate sobre o tempo cronológico, biológico e social: e o que podemos esperar dessas transformações em nossas vidas.

Trailer no Youtube.

Para quem tiver acesso, o filme completo está disponível no Netflix.

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Abertas as inscrições para o minicurso de Análise de Dados Qualitativos com ATLAS TI

LOCAL: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) UNICAMP

Sala: IH 02 (Prédio – salas de aula da graduação)

Data: 24 e 25 de agosto

 No âmbito do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo, o curso buscará oferecer perspectiva e ferramentas para potencializar a análise do material qualitativo coletado a partir de entrevistas, observação e anotações.

Para tanto, partiremos de uma discussão metodológica, baseada na polarização entre duas perspectivas. De um lado, aqueles que compreendem fornecer que a investigação deve ser sempre exploratória, descritiva e indutiva. De outro, os que acreditam que mesmo com “Small N“, os métodos qualitativos podem ser dedutivos e prover explicações de cunho causal. Esse embate se reflete na forma como as pesquisas são organizadas, e também nos procedimentos de análise do material produzido. Para ilustrar alguns aspectos dessa polarização, veremos duas abordagens que representam bem essas diferenças: (1) a Grounded Theory e (2) a Análise de Conteúdo.

Veremos como a leitura e a interpretação podem ser complementadas com técnicas de codificação, fragmentação e cruzamento. Além disso aprenderemos a produzir indicadores quantitativos simples sobre o texto para a identificação de regularidades e diferenças.

Público-alvo: Pesquisadores, professores e alunos que trabalham com pesquisa qualitativa e desejam conhecer um pouco mais sobre teorias e técnicas de análise textual. Além disso, aqueles que possuem uma grande (ou razoável) quantia de material qualitativo podem se servir bem da praticidade e sistematicidade provida pelos softwares que utilizaremos.

Número de vagas: 25

Inscrições: Clique aqui

 

PROFESSORA CONVIDADA

Monise F. Picanço é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, tendo concluído o mestrado e a graduação em Ciências Sociais nessa mesma universidade. Desde o mestrado, tem versado sobre temas caros a Sociologia Econômica, com enfoque em mercados. É pesquisadora associada ao CEBRAP desde 2006, tendo também passado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) entre 2010 e 2017. Em sua trajetória enquanto pesquisadora vêm trabalhando nas áreas de educação, desigualdade, políticas públicas e mercado de trabalho e se especializando nos estudos de metodologia, com interesse em técnicas qualitativas e quantitativas. Lecionou o curso “Análise de dados qualitativos com o uso de Atlas.ti” em diversos lugares, entre eles a iniciativa Metodológicas CEM, na Universidade de São Paulo, e no Programa Intensivo de Metodologia Quantitativa (MQ), do Centro de Pesquisas Quantitativas em Ciências Sociais (CPEQS), da UFMG.

 

PROGRAMAÇÃO

24-08

10h:00 – 12h:00 Recepção dos inscritos e introdução à teoria da análise de conteúdo – Profa. Dra. Lidiane Maciel e Profa. Rosana Baeninger

14h:00 –  18h:00 – Apresentação do Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

25-08

09h:00 – 12h:00 – Tratamento de dados qualitativos Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

 

ORGANIZAÇÃO:

Profa. Dra. Rosana Baeninger

Profa. Dra. Lidiane Maciel.

Informações: lidiani.maciel@gmail.com

 

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