Mais de 1 milhão entram e saem de SP diariamente

O Estado de S. Paulo. Quarta, 27 de fevereiro de 2013.

TIAGO DANTAS – Agência Estado

Transito-Sao-PauloO empresário Bruno Rafael Candido de Oliveira, de 29 anos, tem horários flexíveis e, às vezes, trabalha de casa. Quando precisa ir ao escritório, no centro de São Paulo, usa o Rodoanel para cortar caminho e diz não se incomodar com os 50 quilômetros de distância entre a capital e Vargem Grande Paulista. Como Oliveira, diariamente 1,1 milhão de pessoas – mais do que a população de Campinas – viajam a São Paulo para trabalhar ou estudar e depois voltam para casa naqueles que são chamados de movimentos pendulares.

Os deslocamentos entre cidades paulistas dobraram em uma década, enquanto o crescimento populacional foi de 1% ao ano. O fenômeno foi analisado pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pedido da Empresa Paulista de Planejamento (Emplasa), para ajudar a planejar políticas de habitação e mobilidade. A pesquisa obtida pelo Estado considera viagens feitas por maiores de 15 anos na macrometrópole paulista – 173 municípios entre a Baixada Santista e o Vale do Paraíba, passando por São Paulo, Campinas e São José dos Campos.

A história de Oliveira ajuda a explicar o crescimento dos movimentos pendulares. “Morando em São Paulo, você está sempre no “220”. Quando chego em casa, desligo, passo uma noite agradável e volto renovado para o trabalho no outro dia”, diz Oliveira, que trabalha com comércio eletrônico. Casado e com uma filha de sete meses, ele quer se mudar para um condomínio da Granja Viana, em Cotia. Porém, ainda ficará longe da capital.

Entre 2000 e 2010, o total de moradores da macrometrópole passou de 23,6 milhões para 26,4 milhões – crescimento de 11,9%. A quantidade de movimentos pendulares passou de 1,6 milhão para 2,9 milhões, uma alta de 81,2%. É como se toda a população de Mato Grosso se locomovesse diariamente.

Para os pesquisadores, além da qualidade de vida exigida por Oliveira, outros fatores explicam o fenômeno. “Passa pela desconcentração da atividade econômica, com muitas empresas deixando a capital ao longo dos anos 1990 e 2000, e pelo surgimento de novas formas de ocupação do espaço, como condomínios”, diz o professor José Marcos Pinto da Cunha.

Ao analisar o perfil econômico da população pendular, os pesquisadores notaram também que a maior parte tem alta escolaridade e maior renda do que quem trabalha no município em que reside. “Temos em São Paulo a urbanização dispersa. Tem gente disposta a ficar duas horas no fretado para morar com mais conforto e aproveitar melhor o fim de semana”, afirma Cunha.

Na estrada

O engenheiro Renato Pelizzon, de 41 anos, e a gerente de produtos Paulette Renault, de 42, fizeram essa escolha. Em dezembro, o casal se mudou para Sorocaba. Ele nasceu no interior, viveu na capital por alguns anos, mas, com o nascimento do filho, voltou com Paulette para o interior. O trabalho continua, porém, na capital. “Há vantagens e desvantagens. Quando vivia na capital, acordava às 7h. Hoje, acordo às 5h15 por causa do fretado”, diz o engenheiro. “A qualidade de vida é muito melhor. Por outro lado, a variedade de São Paulo é muito maior.”

Rodoanel e estradas de qualidade explicam o deslocamento do casal de Sorocaba e de demais viajantes pendulares. “Esses movimentos são favorecidos pela infraestrutura de rodovias e estradas de ferro”, diz a diretora de Planejamento da Emplasa, Rovena Negreiros.

O programa de trens regionais é exemplo de como o Estado pode melhorar a situação da população pendular, diz Rovena. “A população e a dinâmica econômica têm pressa. Isso aqui (os resultados da pesquisa) expressa urgência. A população pode ter parado de crescer, mas está se redistribuindo.”

Preocupação

Planejamento é a solução para o principal problema enfrentado por quem faz movimentos pendulares: o trânsito. O publicitário Thiago Sabino, de 26 anos, gasta de 1h a 1h30 para sair de casa, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e chegar à zona sul de São Paulo, onde trabalha. Ele diz que até gostaria de morar mais perto, mas o preço dos imóveis e o custo de vida fazem a diferença. “No ABC, posso fazer várias coisas a pé ou pego um táxi que sai mais barato. A maioria dos meus amigos da capital não tem casa própria”, diz Sabino, que vive em um condomínio clube. “Em São Paulo, não compraria nem uma quitinete.”

Reportagem disponível aqui.

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