Com baixa taxa de natalidade, dinamarqueses são estimulados a viajar para engravidar

A Dinamarca é um dos países com melhor qualidade de vida do planeta. Mas eles têm um problema social: o envelhecimento crescente da população. Motivo: há pelo menos 27 anos a taxa de natalidade do país é extremamente baixa.

Para ver o tamanho do problema, uma agência de turismo resolveu fazer uma exótica promoção: casais dinamarqueses que viajarem de férias ao exterior e comprovarem que, durante o período, engravidaram, eles concorrem a três anos de ajuda em produtos para o bebê. O mote da campanha é: “Faça pela Dinamarca”.

A campanha foi baseada numa pesquisa informando que durante as férias ou feriados os dinamarqueses têm uma vida sexual mais ativa. Veja o vídeo, filmado em Paris, que promove a turismo da natalidade:

Fonte: Catraca Livre.

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Observando os dados da ONU (World Population Prospescts: The 2012 Revision), encontramos as seguintes tendências:

TBN_Dinamarca

NOTA: *Taxa Bruta de Natalidade: Número de nascimentos ao longo de um determinado período dividido pelos anos-pessoas vividos pela população durante esse período. A taxa é expressa como o número de nascimentos por 1.000 habitantes.

FONTE: Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat, World Population Prospects: The 2012 Revisionhttp://esa.un.org/unpd/wpp/index.htm

 

TEF por idade_Dinamarca

NOTA: * Taxa de Fecundidade Total (TFT): O número médio de filhos que uma coorte hipotética de mulheres teria ao final do seu período reprodutivo se fossem sujeitas no decurso toda a sua vida às taxas de fecundidade de um determinado período. A taxa é expressa como filhos por mulher.

FONTE: Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat, World Population Prospects: The 2012 Revisionhttp://esa.un.org/unpd/wpp/index.htm

 

TEF por idade_Dinamarca

NOTA: * Taxas Específicas de Fecundidade por Idade: Número de nascimentos realizados por mulheres em uma determinada faixa etária, dividido pelo número de mulheres nessa mesma faixa etária. As faixas etárias utilizadas são: 15-19, 20-24, 25-29, 30-34, 35-39, 40-44 e 45-49 anos.

FONTE: Population Division of the Department of Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat, World Population Prospects: The 2012 Revisionhttp://esa.un.org/unpd/wpp/index.htm

 

COMENTÁRIOS

Analisando as tendências de natalidade e fecundidade da Dinamarca para o período entre 1950 e 2010, contata-se que, de fato, a Taxa Bruta de Natalidade caiu ao longo do período (apesar de já ter passado por momentos em que ela era ainda menor que 2010: ver os períodos 1980-1985 e 1985-1990).  A Taxa de Fecundidade Total, por sua vez, indica que o número de filhos por mulher também caiu no período analisado, de 2,55 para 1,85. Todavia, ao observar a tendência a partir de 1980-1985, o que se constata é uma recuperação progressiva, em uma dinâmica ascendente. A observação das Taxas Específicas de Fecundidade por idade, por sua vez, nos permite compreender o fenômeno que está por detrás desta tendência de queda na natalidade e fecundidade: a postergação das gravidezes para momentos cada vez mais tarde na vida da mulher. Observa-se no gráfico a queda dos números de nascimentos de mulheres com idades entre 15-19 anos e 20-24 anos, enquanto para os grupos etários 30-34 anos e 35-39 anos houve crescimentos expressivos no período analisado.

O que se nota é uma tendência comum não apenas aos países europeus ocidentais, mas, cada vez mais, também aos latino-americanos. Um exemplo é o Brasil.

Segundo Berquó (2001), no Brasil a TFT era de 7,7 filhos por mulher no ano de 1903. De acordo com os dados da RIPSA (2009), esse número declinou lentamente até atingir 5,8 em 1970, sendo que daí em diante a queda foi brusca, chegando a 2,5 em 1991 e ficando abaixo do nível de reposição (2,1 filhos por mulher) a partir do ano de 2003. Apesar dos diferenciais existentes entre regiões, grupos de renda e de idade, a TFT apresentou tendência de declínio generalizada ao longo das décadas mais recentes, conforme descrevem Berquó e Cavenaghi (2006).

A redução da fecundidade durante a segunda metade do Século XX está associada a transformações sociais e econômicas, tais como industrialização, urbanização, mudanças no papel social da mulher e na família, disponibilidade e difusão do uso de métodos anticoncepcionais, dentre outros (GOLDANI, 2001; BRYANT, 2007). Conforme salientam Potter et al. (2010), a queda da fecundidade no Brasil ocorreu primeiramente e de maneira mais intensa nas regiões onde os indicadores de nível de escolaridade das mulheres eram maiores.

 

REFERÊNCIAS

BERQUÓ, E. Demographic evolution of the Brazilian population during the twentieth century. In: HOGAN, D. (Org.) Population change in Brazil: contemporary perspectives. Campinas: NEPO/UNICAMP, 2001.

BERQUÓ, E.; CAVENAGHI, S. M. Fecundidade em declínio: Breve nota sobre a redução no número médio de filhos por mulher no Brasil. Novos Estudos CEBRAP, v. 74, p. 11-15, 2006.

BRYANT, J. Theories of Fertility Decline and the Evidence from Development Indicators. Population and Development Review, v. 33, n. 1, p. 101-127, mar. 2007.

GOLDANI, A. M. Rethinking Brazilian Fertility Decline. In: Anais, Brazilian Session da XXIV General Population Conference IUSSP, Salvador, Bahia, 2001.

POTTER, J. E.; SCHMERTMANN, C. P.; ASSUNÇÃO, R. M.; CAVENAGHI, S. M. Mapping the Timing, Pace, and Scale of the Fertility Transition in Brazil. Population And Development Review 36 (2): 283 – 307 (Jun 2010).

RIPSA (Rede Interagencial de Informações para a Saúde). Indicadores e Dados Básicos – Brasil – 2009 (IDB-2009). Disponível em: <http://goo.gl/74iSY6&gt;. Acesso em 10 de março de 2014.

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