Economia afeta taxa de casamentos no EUA

Além de mudança do papel da mulher, incertezas econômicas levam à queda do número de matrimônios no país

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Uniões formais caíram muito entre classes média e baixa; Segundo censo, lares com casados são só 48%

GIULIANA VALLONE DE NOVA YORK

Na década de 1950, a estabilidade financeira era um fator fundamental na opção de uma mulher norte-americana por se casar. Mais de 60 anos depois, afirmam analistas, a segurança econômica continua exercendo um peso importante na decisão.

Mas há uma diferença fundamental entre as gerações: o índice de lares com pessoas casadas passou de 78% para 48%, de acordo com dados do Censo. Desde 2011, os lares de casados não representam mais a maioria absoluta da sociedade.

Estudos apontam uma combinação de fatores sociais e econômicos para explicar o declínio. Além da conhecida mudança do papel das mulheres na sociedade, pesam ainda incertezas econômicas, que marcaram especialmente os últimos anos da vida americana.

Quanto à questão de gênero, dados do Pew Research Center mostram que o índice de mulheres empregadas subiu de 38,5% em 1960 para 53,2% em 2013.

Entre os homens, caiu de 78,9% para 63,9%. Isso mostra que a diferença na participação no mercado de trabalho entre os gêneros caiu de 40 pontos percentuais para 10 no período.

“Há algumas décadas, as mulheres que quisessem ter filhos precisavam se casar, ou estariam arruinadas”, afirma June Carbone, professora da University of Missouri-Kansas City e autora do livro “Marriage Markets”.

“Hoje, elas estão mais independentes, podem se sustentar. Mas muitas ainda têm vontade de se casar.”

ECONOMIA

A vontade, no entanto, encontra a realidade. A desigualdade social nos EUA aumentou ao longo dos anos e piorou as condições de vida das classes mais baixas. E as pessoas que ganham menos tendem a valorizar mais a estabilidade econômica nos seus parceiros.

O estudo do Pew Research aponta que, para as mulheres que não são casadas, o fator mais importante na decisão é se o parceiro tem um emprego estável.

“E o número de homens que nunca se casaram e têm trabalho fixo está caindo significativamente. E isso limita o número de casamentos”, diz Wendy Wang, pesquisadora do centro.

Com isso, os matrimônios caíram muito entre nas classes média e baixa. Por outro lado, os mais ricos e com maior nível de escolaridade se casam mais do que nas décadas anteriores.

O ideal de estabilidade também faz com que jovens adultos posterguem o matrimônio. Segundo o censo, 36% dos americanos entre 30 e 34 anos nunca se casaram. Nessa faixa etária, a principal razão apontada é a falta de preparo financeiro.

“Jovens na casa dos 20 anos vivem sós ou com namorados. Não estão prontos para se casar. Antes, o matrimônio acontecia logo depois de sair da universidade e agora há intervalo substancial entre os dois”, diz Carbone.

“Morar junto agora é opção popular entre os jovens. Eles querem realizações pessoais, terminar sua formação, conseguir um emprego bom. E, aí sim, pensar em casamento”, completa Wang.

Fonte: Folha de S. Paulo (08/02/2015, “Mundo”, A21). Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/207476-economia-afeta-taxa-de-casamentos-no-eua.shtml

Ilustração da matéria disponível no seguinte endereço eletrônico: http://www.capriolo.org/pagina.php?pagina=148

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