O que saber ao começar um doutorado

Algumas dicas para quem está começando.

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Breve publicação da Science (em inglês) traz alguns depoimentos de pós-graduandos. Apesar dos exemplos pertencerem à área de biológicas, as questões valem para quem se aventura no mundo da pesquisa:

1) Não tenha medo, faça perguntas

É OK fazer perguntas. Você precisa fazer perguntas. Um dia eu disse a ele [meu orientador] que eu estava assustada em ter que fazer perguntas, e ele disse ‘Meu Deus, você não precisa se assustar’. Existe muita informação que não podemos saber a fundo, todo o tempo. Então, é OK não saber. E é muito melhor poder perguntar.” (Alexandra Schober, doutoranda em neurociência na Albany Medical College, Nova Iorque. Tradução livre).

Assim como em outras áreas, na Demografia trabalhamos com alguns conceitos bastante abstratos: população estável, população estacionária… qual a diferença mesmo? Pesquise e estude por conta própria – e faça perguntas. Não entendeu ou tem dúvidas se entendeu corretamente? Pergunte!

2) Planejamento é a chave

Quanto tempo este experimento vai levar? E depois? Isso pode esperar até o dia seguinte? […] O mais importante, reivindiquei minhas noites. Agora, ainda que eu me anime com uma ideia nova, eu aprendi como planejá-la sem sacrificar meu tempo fora do trabalho.” (Juliana West, pós-doutoranda no Intituto de Tecnologia da Califórnia, Pasadena. Tradução livre.)

Dificilmente um demógrafo conduz um “experimento”, mas lidamos com bases de dados, modelagens, entrevistas. Sabe o item ‘cronograma’ do seu projeto? Não o menospreze 🙂

3) Cuide de si

Você precisa desenvolver questões que sejam interessantes – e tentar respondê-las. Com sorte, você tem apoio do seu orientador e dos seus colegas. E tudo isso leva algum tempo. Pode ser fácil você se sentir desencorajado quando as coisas não estão indo bem, pois seu senso de personalidade pode se mesclar as suas expectativas de pesquisa. Embora você possa se sentir vulnerável, se você conversar com seus pares, você provavelmente vai descobrir que essas ‘batalhas pessoais’ são recorrentes. Penso que todo mundo, em algum momento, já pensou em deixar a vida acadêmica – até mesmo as estrelas do seu departamento.” (Cecilia Sanchez, doutoranda em ecologia na Universidade da Georgia. Tradução livre)

Válido para qualquer trabalho: permita-se ter outras atividades não relacionadas com a pesquisa. É importante levar os olhos e a mente para passear, ver outras coisas, circular em espaços de arte, lazer, cultura e esportes. E, ao contrário do que possa parecer, não é perda de tempo, não. Ganha-se qualidade no tempo.

 

4) Não tome as falhas dos experimentos como pessoais

Toda vez que um experimento falhava, eu sentia como se fosse minha culpa: ‘eu devo ter feito algo errado, e estou desperdiçando o tempo e dinheiro de todo mundo’. (…) Fale sobre as falhas com seu orientador. Há o medo de que ele diga ‘obviamente você é um péssimo cientista e você não deveria estar aqui’. Mas, isso não acontece . Pelo menos não com a frequência que você imagina. Eles querem que você faça bem o seu trabalho. E é OK quando as coisas dão errado. Você só precisa aprender com isso e tirar algo útil dessa experiência.” ( Geoffrey Heinzl, pós-doutorando em química na U.S. Food and Drug Administration em Silver Spring, Maryland. Tradução livre.)

Quando lemos um artigo, não nos damos conta de todo o trabalho “omitido” naquela publicação. Dificilmente o autor/cientista/pesquisador acordou com aquela ideia brilhante e ela foi diretamente pro papel. Certeza que teve muita tentativa e erro antes daquele novo conhecimento vir a público.

5) Orientador e orientando: estilos de orientação nem sempre se ajustam. E tudo bem.

Eu não sabia que existiam tantos tipos de mentoria [orientação] – que algumas pessoas te deixam mais livres e outras não tão livres – e que você precisa se ajustar em um meio termo.” (Jessica Neuwer, doutoranda em neurociência na Albany Medical College, Nova Iorque. Tradução livre)

Seja qual for o estilo do seu orientador, sempre há algo que você pode aprender sobre a forma como ele conduz suas pesquisas e orienta seus alunos. Mesmo que seja um contra-exemplo!

6) Lembre-se de que você é bom o suficiente para estar na pós-graduação.

A pós-graduação pode ser muito ruim para a saúde mental. Você tem o desafio de fazer uma pesquisa rigorosa, com o adicional de dar aulas e procurar por financiamento. Some-se a isso o estresse pessoal por muitas vezes estar em uma cidade nova, distante de sua família e amigos. E fazendo tudo isso com um orçamento apertado. Tudo isso facilita pensar que não somos bons em ciência, ou para a vida acadêmica ou que não somos bons o suficiente para qualquer uma dessas coisas.

Por isso, é importante fazer o que for preciso para não entrar na síndrome do impostor. Tenha alguém que te anime – um parceiro, amigo, familiar – para te lembrar o quão esperto, motivado e trabalhador você é. Aceite o elogio, porque é verdade. E lembre-se de que todos estamos ‘fingindo até se tornar realidade’. Algumas pessoas se sentem bem ao dizerem para si mesmas que elas sabem tudo. Mas, qualquer acadêmico sabe que, o que sabemos, ainda é pouco comparado com o que ainda há para ser descoberto.” (Alyssa Frederick, doutoranda em fisiologia na Universidade da California – Irvine. Tradução livre).

Tentei ser fiel à tradução (como diriam os italianos, traduttoretradutor – tradutor, traidor), mas é preciso algum cuidado com essa ideia de ser “bom o suficiente”. Em caso de dúvida, procure lembrar-se do que o motivou a entrar nessa jornada 🙂

Fonte: http://www.sciencemag.org/careers/2017/09/what-know-starting-your-phd-program?utm_campaign=news_weekly_2017-09-08&et_rid=174537264&et_cid=1535895

 

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