Diários da Pós-Graduação: Milena Oliveira Santos

Dando continuidade a nossa série “Diários da Pós-Graduação”, hoje temos a história de Milena Oliveira

Seminário “Racismo, machismo, LGBTTQI+fobia: Atravessamentos no campo da saúde mental” – Foto: Mercedes dos Santos. FCM/Unicamp

Sou bacharela e licenciada em Ciências Sociais, mestra em Demografia e doutoranda também em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Integrei, entre outros coletivos, o Núcleo de Consciência Negra da Unicamp e atualmente faço parte do Comitê Gestor do Pacto de Direitos Humanos e do Observatório de Direitos Humanos da UNICAMP.

Desde o mestrado tenho me concentrado em estudar a temática da educação relacionada ao acesso da população negra nas universidades federais brasileiras a partir da lei 12.711/2012 – a chamada lei de cotas. Já no doutorado continuo com olhar voltado para as questões educacionais, mas agora focada em permanência e conclusão do ensino superior, observando os diferenciais por raça/cor e etnia e as diferenças nas trajetórias de homens e mulheres.

Minhas pesquisas têm tido impacto sobre a análise e formulação de políticas públicas, ainda mais tendo-se em vista que minha dissertação de mestrado é um dos poucos trabalhos que tem como objetivo analisar quantitativamente a abrangência da lei de cotas. Já o doutorado tem a intencionalidade de dialogar diretamente com as políticas para permanência destinadas a estudantes no ensino superior.

As pesquisas as quais me dediquei e dedico não teriam sido possíveis sem o financiamento e apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), sendo esta a agência de fomento que me proporcionou e proporciona poder seguir com pesquisas de alta relevância, dedicando-me integralmente à ciência. Em contrapartida, meus estudos agregam conhecimento e análise as políticas implementadas no país.

Assim como muitos dos jovens cientistas negros, eu faço parte da primeira geração de minha família que teve oportunidade e condição de frequentar a universidade pública e, diante disso, a vida universitária e minha profissão enquanto pesquisadora me permitem o vislumbre de horizontes antes nunca postos. Minha presença no ambiente universitário também traz a esse espaço novos desafios e perspectivas. Não é possível ignorar a presença negra na universidade e muito menos esquivar-se do debate racial. A ciência urge a queda de mitos e aqui estou a postos na contribuição árdua em que essa tarefa se apresenta.

2 comentários

  1. Excelente, Muito bom e emocionante ouvir nossos alunos. Cada um com seu ponto de vista construído com sua história. Caminhos ricos a percorrer. Sempre aprendemos, sempre.

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