Diários da Pós-Graduação: Natália Belmonte Demétrio

Conheçam hoje a pesquisadora de Pós-doutorado Natália Demétrio:

Minha trajetória inicia-se em 2006, quando ingressei no curso de Ciências Sociais da Unicamp. Em 2008, comecei a trabalhar como estagiária no Núcleo de Pesquisa de População “Elza Berquó” (NEPO), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No projeto “Interação entre o rural e o urbano: uma análise de Santa Fé do Sul – SP” dei os primeiros passos na pesquisa sobre redistribuição espacial da população e urbanização. Sob orientação da Professora Rosana Baeninger, conheci a Demografia e a principal fonte de informação sócio demográfica do país: o Censo Demográfico. Desde uma perspectiva crítica das taxas e números construídos a partir dessa base, debrucei-me na análise de um indicador em especial: o grau de urbanização. O expressivo aumento desse índice, longe de espelhar o fim do rural, refletia a própria valorização do patrimônio ambiental da cidade e o principal trunfo de seu desenvolvimento1. Menos que um setor da economia ou local de residência, o rural foi apreendido em suas dimensões simbólicas associadas à própria imagem que se tem do território1.

Já nesse momento de minha vida acadêmica, a participação em grupo de pesquisa maior ampliou meu olhar para o caráter desigual da urbanização no estado de São Paulo. No projeto Dinâmica Regional Paulista: Migração, Mercado de Trabalho e Reestruturação Urbana, fui apresentada a um conjunto de bibliografia fundamental à execução de meu trabalho, associada sobretudo às raízes históricas da formação social paulista2. Em linhas gerais, nesse ano de iniciação à ciência, aprendi a fazer relatórios, tabelas, gráficos, a construir e interpretar indicadores. Mesmo na condição de ouvinte, esse período marcou minhas primeiras participações em seminários e congressos, constituindo-se em uma fase fundamental de amadurecimento em meu caminho.

As questões abertas na iniciação científica alavancaram as pesquisas do mestrado (2011 a 2013), do doutorado (2013 a 2017) e também pós-doutorado (2017 – atual) em Demografia, todos realizados na Unicamp e com financiamento público da CAPES e do CNPq. Nesse processo, o projeto Interação entre o rural e o urbano: uma análise de Santa Fé do Sul – SP transformou-se na dissertação População e dinâmica econômica da região de Jales: o outro rural do Oeste Paulista, e depois na tese Arranjos urbanos-rurais regionais: o rural paulista no século XXI.

Ao mesmo tempo, nascia e se consolidava o Observatório das Migrações em São Paulo (FAPESP/CNPq – Nepo/Unicamp). Sob coordenação da Professora Rosana Baeninger, esse grupo já formou 17 mestres, 14 doutores e 10 pós-doutores, além de mim. Nele, aprendi que ensino, pesquisa e extensão caminham juntos. Nas 19 vezes em que realizou o curso População, Cidades e Políticas Sociais, vivi o diálogo transformador entre a universidade e a gestão pública. Centenas de profissionais já compartilham os desafios de seu trabalho nesse curso. Em todos os casos que pude acompanhar, reforcei minha certeza de que política pública comprometida com justiça social não sem faz sem o rigor teórico e metodológico do conhecimento científico3.

19º Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, realizado pelo Observatório das Migrações – Foto: Luis Felipe Aires Magalhães

Foi também no Observatório das Migrações em São Paulo, no Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó”, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e na Universidade Estadual de Campinas que entendi as contradições e conflitos associados à expansão canavieira no noroeste paulista4, discuti a consolidação de novas formas regionais atreladas ao agronegócio5 e descobri a migração internacional como parte da globalização da agricultura6.

Nesses dez anos de universidade pública, prestei contas de cada centavo de dinheiro público investido em minha formação. Publiquei 6 livros, 10 capítulos e 1 artigo em revista. Apresentei minha pesquisa em mais de 20 congressos, seminários e colóquios. Assisti a outros sem números de eventos. Conheci universidades no Brasil e fora dele. Ganhei prêmios pelo mérito científico de meu trabalho e jamais esqueci do compromisso social que a ciência carrega.

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1 VEIGA, J. E. Cidades imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. Campinas: Editora Autores Associados, 2003.

2 – CHAIA, Vera Lúcia Michalany (1980). Os conflitos de arrendatários em Santa Fé do Sul – SP (1959-1969). São Paulo. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH/USP.

GONÇALVES, M. F. As engrenagens da locomotiva: ensaio sobre a formação urbana paulista. Tese de doutorado. Campinas: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH/UNICAMP, 1998.

NEGRI, B., GONÇALVES, M. F. e CANO, W. O processo de interiorização do desenvolvimento e da urbanização no Estado de São Paulo (1920-1980). In: CANO, W. (Org.). A interiorização do desenvolvimento econômico no Estado de São Paulo (1920-1980). São Paulo: SEADE, 1988, p.5-93.

RODRIGUES, F. Por onde vão as ‘Brisas Suaves’ do Sertão Paulista – População e estruturação urbana na constituição da cidade (im)possível – Votuporanga, um estudo de caso. Textos NEPO 51. Campinas: NEPO/UNICAMP, 2006.

VIDAL, M. S. Região de Governo de São José do Rio Preto. Textos NEPO 24. Campinas: NEPO/UNICAMP, 1993.

3 – BAENINGER, R. (Org.). População e Cidades: subsídios para o planejamento e para as políticas sociais. Campinas: Núcleo de estudos de População-Nepo/Unicamp; Brasília: UNFPA, 2010.

4 – DEMÉTRIO, N. B. População e dinâmica econômica na Região de Governo de Jales: o outro rural do Oeste Paulista. Dissertação de Mestrado. Campinas: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH/UNICAMP, 2013.

5 – DEMÉTRIO, N. B. Arranjos urbanos-rurais regionais: o rural paulista no século 21. Tese de doutorado. Campinas: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH/UNICAMP, 2017.

6 – DEMÉTRIO, N. B. Globalização da Agricultura e Imigração Internacional no Estado de São Paulo. In: BAENINGER et al (Org.). Migrações Sul-Sul. Campinas-SP: Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ – NEPO/UNICAMP, 2018.

ELIAS, D. Globalização e Agricultura. São Paulo: EdUSP, 2003.

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