Diários da Pós-Graduação: Heloísa Corrêa Pereira

A contribuição de hoje é da ex-aluna Heloísa Pereira, mostrando que o comprometimento dos alunos da Pós-Graduação em Demografia já é nossa tradição.

Legenda: Na foto Heloísa Pereira defendia sua pesquisa de doutorado no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó”.

Minha trajetória acadêmica se iniciou em 2001, quando ingressei no curso de Turismo em uma universidade privada, o que só foi possível pela possibilidade de financiamento estudantil oferecida pelo governo federal, a partir do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Com o passar dos anos, aprimoram-se as políticas educacionais para cursos de nível superior e de pós-graduação no Brasil. Diante dessa nova configuração política, em 2008, ingressei no curso de mestrado na Universidade Federal do Amazonas, com bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e pude me dedicar exclusivamente à pesquisa, e residir em outro município, que me permitisse buscar novos desafios para o meu conhecimento. Durante o mestrado, dediquei-me à análise sobre a governança no processo de gestão de Unidades de Conservação no estado do Amazonas e defendi a dissertação de mestrado intitulada “Ambientalismo e Governança Democrática em Unidade de Conservação em Silves – AM”.

Após o mestrado, ingressei no projeto intitulado “O que significa a urbanização da Amazônia para o bem-estar humano e o meio ambiente? ” resultado de uma parceria de pesquisa entre o Museu Paraense Emilio Goeldi e a Universidade de Lancaster. Neste projeto, fui beneficiada com bolsa de pesquisa concedida pelo CNPq na modalidade Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), que permite a incorporação de profissional qualificado para a execução de uma atividade específica em projeto. Neste projeto, tomei conhecimento sobre a complexidade existente nas diferentes formas de ocupação humana na Amazônia. Minha atenção estava especialmente nas Unidades de Conservação de usos sustentável (UCs), com o interesse em consolidar minha trajetória acadêmica, oferecendo nova perspectiva às análises sobre essas áreas especialmente protegidas.

Em 2012 ingressei no Doutorado em Demografia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com bolsa concedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do Amazonas (FAPEAM), e pude colocar em prática meus interesses de pesquisa. Conhecendo e aprendendo a manusear a base de dados do censo demográfico brasileiro, meu grande desafio estava na disponibilidade de dados para essas áreas. Conforme o censo demográfico brasileiro consolidou uma base de dados sobre a dinâmica das populações tradicionais, em suas últimas edições, novas possibilidades de análise foram abertas. Tecer um olhar sobre as populações tradicionais foi possível ao identificar o papel das UCs na dinâmica demográfica da Amazônia. Pude defender a tese intitulada “Distribuição e mobilidade espacial da população em unidades de conservação de uso sustentável na Amazônia brasileira: o caso da reserva extrativista Auati-Paraná”. A partir do contato e das descobertas oferecidas pela base de dados do censo produzidas pelo IBGE, pude perceber que a relação entre população e ambiente não se dá apenas pela ação negativa do homem, mas também pela compreensão das relações sociodemográficas da população que vive e utiliza o ambiente. As pesquisas nessa temática representam um desafio que precisa ser vencido. A pesquisa tem um papel fundamental nesse processo, gerar conhecimento para transformá-lo em pontes para a sociedade atravessar os desafios e consolidar seus direitos.

Atualmente trabalho em uma Instituição de pesquisa financiada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação, sou Pesquisadora no Programa de Capacitação Institucional PCI/MCT – CNPq. O objetivo da Instituição é a aplicação da ação de ciência, tecnologia e inovação na adoção de estratégias e políticas públicas de conservação e uso sustentável da biodiversidade da Amazônia. Esta instituição, além de construir pontes, serve como a voz para as populações tradicionais moradoras de UCs, gerando conhecimento e dados para que as políticas públicas cheguem às áreas mais remotas do nosso Brasil. Como pesquisadora, e beneficiária de programas e políticas que me permitiram construir minha própria ponte, tenho satisfação de ter sido contemplada por políticas públicas inclusivas, que permitiram que pessoas como eu, filha da floresta, cheguem onde eu cheguei.

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