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Preciso escrever: E agora?

computador

Foto retirada do Blog de Ezio de Castro.

Por:
Giovana Gonçalves Pereira
giovana.ggp@gmail.com
Aluna de Doutorado em Demografia, Mestra em Demografia e Cientista Social
(IFCH-UNICAMP)

            Ao longo do dia, você já deve ter iniciado muitas frases e as apagado. Eu, por exemplo, ao iniciar este artigo já apaguei três vezes minhas primeiras digitações. Mas, vamos tentar pensar nisso aqui como uma conversa entre velhos e bons amigos.

Uma das maiores dificuldades de graduandos e pós-graduandos é essa tal de escrita acadêmica, há quem defenda o robusto, claro e conciso e existe também que preferira aquele tom mais denso, detalhado e minucioso. Há variâncias é claro, mas antes de escolhermos qual será o teor do nosso texto, vamos começar?

Escrever não é algo fácil, mas não é um dom ou algo inato que somente algumas pessoas possuem. Escrever é, antes de tudo, um exercício. Assim se não temos o hábito, ou se estamos iniciando nossas atividades agora, após um longo período de sedentarismo, precisaremos ir com calma, reaprender a respirar, focar no alongamento e não forçar demais para não nos machucarmos ou distendermos algum músculo. Irei compartilhar alguns macetes pessoais com vocês, mas gostaria de lembrá-los que eles não são (nem de longe) as únicas opções que dispomos. Aliás, aproveito aqui para recomendar blogs sobre isso como do Prof. Gilson Volpato e da Karina Kuschnir

  1. Página em branco não é sinal de fracasso. Mesmo que você esteja com o Word aberto há mais de meia hora, a página em branco só está lá para nos lembrar de que devemos em algum momento começar algo. Isso pode ser um parágrafo, uma discussão de algum texto, a análise de alguma entrevista ou de algum gráfico. A página em branco pode potencialmente representar várias partes da sua dissertação, da sua tese ou de seu projeto, mas ela não é seu trabalho inteiro. Não conheci ninguém, até hoje, que tenha escrito tudo em uma sentada só.
  2. Liberte-se da ilusão da escrita perfeita e redonda em primeira mão. Eu sei, nós estamos acostumados a lermos pesquisas de referência e de ponta em nossas áreas. Temos até nossos autores e autoras mais xodós e aqueles livros de cabeceira que nos fazem desejar nos tornarmos, pelo menos, pupilos de grandes mestres. Mas, nenhuns destes grandes mestres publicaram suas primeiras versões da pesquisa, certo? São necessárias revisões, reorganização de pensamentos e parágrafos, cortes e até acréscimos para construirmos uma linha de argumento e raciocínio minimamente coerente. O importante é começar! Dica: Escreva, ninguém estará atrás do computador fiscalizando e julgando você, enquanto você começa a montar seu primeiro argumento. E, neste primeiro momento, ele deve ficar o mais claro possível para você. Gosta de tópicos? Escreva-os. Prefere mapas mentais? Pegue o lápis e desenhe-os.
  3. Mescle os momentos de escrita. Ainda que muitas pessoas gostem de especialização e focos direcionados, no caso da escrita, ao concentrar nossos esforços somente em um momento pode ter efeito nocivo. É importante mesclar essas atividades: escreva a parte teórica, quando cansar dela pare. E depois de um descanso vá para a parte de análise, depois você retorna para a discussão teórica. Nada vai sumir do lugar. E no final, tudo se encaixa e fará sentido.
  4. Tenha vários arquivos de Word. Uma das formas que aprendi a trabalhar, isso com minha orientadora, foi a de ter o hábito de cultivar vários arquivos em Word. Um discutindo algumas tabelas, o outro falando de uma discussão teórica importante, mas que eu não tenho ideia de onde vai parar na tese ainda, em todo caso, devo guardá-la e tratá-la bem. Em momentos oportunos, a gente vai unindo os arquivos em um só e criando unidade.
  5. Tenha sempre em mãos o seu projeto ou mapa de pesquisa. Quando você for escrever um artigo ou parte de seu TCC, dissertação ou tese não se esqueça de ter em mãos seu projeto. O que isso significa? Seu projeto funciona como um guia – que não deve ser limitante ou impossível de mudanças e ajustes, é claro – para que você construa seus argumentos. O bom projeto de pesquisa contém informações importantes como seu tema, seu objetivo, sua hipótese e sua metodologia. Todas essas informações são imprescindíveis para nós, e inclusive nos dão segurança na hora de escrever. Outro bom guia é o resumo. Um bom resumo guiará você no momento da escrita e deve informar ao seu leitor: o objetivo central da pesquisa, a metodologia ou as fontes de dados utilizadas, a hipótese ou pressuposto teórico – depende do momento da pesquisa -, e alguns resultados centrais.
  6. Descubra seu ritmo e não se compare. Cada pessoa possui um ritmo de escrita, tem pessoas que só conseguem escrever após os dados e as análises estarem prontas, já outras escrevem gradualmente conforme vão evoluindo na pesquisa. Não há jeito certo ou errado aqui. Apenas o mais confortável e adequado para você. Em outras palavras: De qual forma você se sentirá mais tranquilo? Contudo, não se esqueça, para descobrir seu ritmo é necessário (tcharam) escrever! Não é para nos perdermos nas fugas para trás (lendo cada vez mais referências bibliográficas), nem nas projeções para o futuro (perdendo o foco da análise no banco de dados ou na pesquisa de campo). Foco direcionado é preciso, sim.
  7. Sua obra deve ter início, meio e fim. Deste modo, é central termos em mente qual o papel de cada parte do nosso texto. A introdução será o nosso início de conversa com nosso leitor e interlocutores e pode ser construída de maneiras distintas, mas seu objetivo central é apresentar seu tema e objeto de pesquisa. Eu gosto de delimitar, neste momento, os conceitos-norteadores da minha pesquisa, ou então, tento demonstrar porque devemos falar sobre aquele tema. O desenvolvimento do artigo ou a justificativa teórica (no caso de projeto de pesquisa) é o momento no qual você vai contar para seu leitor parte da trajetória científica do seu “objeto de pesquisa”. O que já foi dito sobre ele? O que você pode contribuir? Recordando que nas ciências sociais, as pessoas não são nossos objetos, mas sim as relações sociais imbricadas em processos sociais construídos socialmente, historicamente, economicamente e culturalmente. É interessante dialogar com sua bibliografia. Isso demonstra que você reconhece a contribuição de cada trabalho e deixa o texto menos “duro”. Gosto bastante de usar “Segundo x”, “De acordo com y”, “Para z”, “X destaca que”. As considerações finais são extremamente centrais, elas ditam a amarração final do seu argumento e lógica de raciocínio, e podem indicar os possíveis desdobramentos de seus “achados”.
  8. Compartilhe e circule seus textos. A troca entre colegas, pares, amigos e conhecidos, não necessariamente de nossa área de atuação, é fundamental para nos habituarmos a escrever de maneira mais clara. Isso evita que fiquemos com vícios de termos e linguagens, além de construirmos um conhecimento mais democrático. Uma ideia é pensarmos em como explicaríamos nossas pesquisas para nossos pais e avós, ou para um desconhecido na rua.
  9. Leia em voz alta. Na impossibilidade de circular e até mesmo antes disso, leia seu texto para si mesmo em voz alta, isso dará dimensão de como você estruturou sua linha de pensamento.
  10. As maiores sacadas do seu trabalho ocorrerão em momentos distintos ao seu estudo. Às vezes isso acontece enquanto você está no bar com amigos, viajando no busão, ou tomando um café sozinho. Sempre tenha um caderninho de ideias consigo. 
  11. Deseje que sua pesquisa seja superada. O conhecimento tem idas e vindas, mas o progresso científico acontecerá sempre com quebras de paradigmas. Não é de todo ruim rever nossos escritos anteriores e não concordarmos com eles, mas sim um sinal de que amadurecemos intelectualmente.
  12. Aprenda a descansar e deixar seu texto decantar. Na medida do possível, reserve um tempo para seu texto “decantar”, mas sempre que possível descanse. O descanso é um ponto-chave para o avanço de nossos textos. Não se esqueçam: Cabeça cansada não move artigos.

Além disso, caso interesse, deixo o link aqui de uma pastinha no Dropbox com alguns textos de metodologia científica. Boas inspirações para todos nós!

 

 

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Resenha: O filme “Onde está Segunda?” e o mito malthusiano.

Onde está segunda

Onde está segunda? (2017)

Veja o trailer: Onde Está Segunda?

Por Ma. Kelly C. M. Camargo
Mestra em Demografia (PGD-IFCH/Unicamp)

camargo.k@outlook.com

Prof. Dr. Roberto do Carmo 
Docente  (IFCH/Unicamp) e Pesquisador (Nepo/Unicamp)

roberto@nepo.unicamp.br

A possibilidade de uma superpopulação tem sido o pesadelo de muitos pesquisadores, políticos e gestores públicos ao redor do mundo. Desde a teoria elaborada por Thomas Malthus, em 1798, o argumento de que o crescimento populacional não poderia ser sustentado pela capacidade de produção de alimentos tornou-se uma persistente sombra no inconsciente coletivo. Apesar de a teoria ser sistematicamente negada pela própria realidade, através do desenvolvimento tecnológico (que expandiu a capacidade produtiva), conforme os problemas ambientais ganham espaço nas agendas científicas e midiáticas, os ecos malthusianos ressurgem, trazendo como carro-chefe a necessidade de controle do crescimento populacional (HOGAN, 2001).

Na história mundial[1] não foram poucas as políticas públicas que tentaram diminuir as taxas de natalidade e fecundidade das sociedades e, assim, frear o aumento demográfico. Provavelmente a mais conhecida delas é a Política do Filho Único posta em prática na China a partir da década de 1970. Essa consistia numa lei segundo a qual ficava proibido, a qualquer casal, ter mais de um filho. A sanção estava a cargo da imposição de severas multas para famílias com filhos adicionais. A partir de 2015[2], a política foi flexibilizada ao liberar os casais para terem até dois filhos.

O filme “Onde está Segunda” (título em inglês “What happened to Monday?”)[3] mostra a política do filho único sendo levada às últimas consequências. O filme se passa num mundo futurista, em que os alimentos são geneticamente modificados, a fim de atender a crescente população utilizando menos espaço físico. Mas as mudanças genéticas nos alimentos geram como efeito colateral o nascimento cada vez maior de gêmeos, imperando em uma superpopulação. Para contornar o problema, a gestão pública dita que as famílias só podem ter um filho. A família deve escolher a criança que deseja manter, e os irmãos são teoricamente confinados em ambiente criogênico para serem despertados quando a situação do planeta estiver controlada.

Contudo, Terrence Settman (Willem Dafoe), o avô de sete irmãs gêmeas (interpretadas na idade adulta por Noomi Rapace) consegue driblar o sistema, e cria-las para que assumam uma identidade única, Karen Settman, a qual cada uma interpreta no dia da semana respectivo ao que foram nomeadas. Assim, a primeira filha, chamada de Segunda, sai da segurança de seu lar para viver Karen nas segundas-feiras, e sucessivamente. Mas quando, numa noite supostamente normal, trinta anos depois do nascimento das gêmeas, Segunda não volta para casa, as outras irmãs precisam descobrir o que aconteceu com ela, ao mesmo tempo em que tentam manter o disfarce e a segurança de si próprias.

O filme de ficção científica “Onde está Segunda?” traz vários problemas pelos quais a pressão populacional já foi responsabilizada: desertificação, fome, esgotamento de recursos e degradação ambiental. Nesse sentido, os diálogos do filme em que Nicolette Cayman (Glenn Close), criadora e executora da política do filho único, justifica seus feitos soam preocupantemente parecidos com o que escutamos tantas vezes quando o assunto é crescimento populacional. Nicolette afirma que a quantidade de alimentos que as irmãs utilizaram nesse tempo de vida poderia ter sustentado duas outras famílias inteiras, sendo egoísmo manter tantos filhos. Ainda mais quando não se possui condições financeiras para arcar com as despesas dos mesmos.

É importante ressaltar que o crescimento populacional tem sido temido principalmente no que se refere ao medo de que este se trate do incremento das parcelas mais pobres nas cidades. Exatamente a situação que o filme retrata: no mundo distópico a paisagem é marcada pela constância da miséria e da indigência, tidas como consequência direta da superpopulação. O que no discurso de Nicolette justifica não só a criação da política do filho único, como a realização de ações de extrema opressão sobre a população, sobretudo daqueles que fogem ao sistema, para a manutenção da política. Sendo nítida a naturalização da violência através de cenas contundentes de brutalidade, que inundam a tela com sangue -, pois nesse ambiente nem mesmo a exposição da violência é capaz de chocar.

De fato, o aumento da preocupação com as questões relativas às mudanças climáticas dos últimos anos reacende a discussão sobre a necessidade de se controlar o crescimento populacional. É indiscutível que o volume populacional é importante em sua relação com o ambiente, pois um número maior de pessoas exige maiores investimentos públicos em setores como saúde, educação e infraestrutura, como também maior quantidade de alimento disponível. Entretanto, existem outros aspectos a serem considerados nessa relação, como, por exemplo, conhecer as características do modelo de produção da sociedade, e o quê e o quanto essa sociedade consome.

De acordo com Martine (2014), a cultura do consumo vem sendo construída ao longo de séculos, junto do desenvolvimento do modelo de produção capitalista. O momento em que nossa civilização se encontra é marcado pela retroalimentação entre globalização do consumo e produção de massa, pois quanto mais empregos são criados, mais renda é gerada e mais mercadorias são consumidas. Ainda que esse cenário seja desejável na perspectiva do desenvolvimento econômico e da inclusão social, ele também acaba por repercutir em processos problemáticos do ponto de vista ambiental. Isto posto, é possível afirmar que a maior questão a se pensar não é o crescimento demográfico em si, e sim as relações econômicas e sociais nas quais se projeta esse crescimento. O aumento populacional em país subdesenvolvido não tem as mesmas consequências ambientais do crescimento da população em país desenvolvido, que possui outro ritmo de consumo. Num país subdesenvolvido nascem pessoas, nos países em desenvolvimento e desenvolvidos nascem consumidores (MARTINE, 2014).

Destaca-se que não é de hoje que o discurso demográfico é utilizado para justificar políticas públicas intrusivas. Mas é essencial não nos perdermos nas supostas certezas, porque a dinâmica demográfica não é formada por fatalidades históricas, as variáveis demográficas se moldam também em relação às características sociopolíticas e econômicas da sociedade, que estão em constante mutação. E por isso, a imposição de políticas de controle demográfico podem trazer repercussões sociais inesperadas e negativas. Vejam a China, por exemplo, que hoje possui uma população composta por uma maior proporção[4] de homens do que de mulheres. Porque com a imposição da política do filho único numa sociedade em que os idosos são cuidados pelas famílias de seus filhos homens, a preferência é que o filho escolhido seja do sexo masculino, para evitar desamparo na velhice. Repercutindo em uma série de situações, e dentre essas no aborto, abandono ou morte de meninas.

Por fim, em “Onde está Segunda?” o discurso oficial de organização de um mundo controlado mostra-se uma inverdade. Levando-nos a questionar se esse desfecho faz alusão à forma insustentável em que a relação entre população, desenvolvimento e ambiente tem sido desenhada por nossa sociedade.

REFERÊNCIAS
ALVES, José E. D. O fim da política de filho único e o desequilíbrio na razão de sexo na China. Laboratório de Estudos Populacionais. Minas Gerais: UFJF, abr. 2016. Disponível em: http://www.ufjf.br/ladem/2016/04/08/o-fim- da-politica- de-filho- unico-e- o desequilibrio- na-razao-de- sexo-na- china-artigo- de-jose- eustaquio-diniz- alves/. Acesso em 16 de out. 2017.
_______. AS POLÍTICAS POPULACIONAIS E O PLANEJAMENTO FAMILIAR NA AMÉRICA LATINA E NO BRASIL. Textos para discussão, n o 21. Escola Nacional de Ciências Estatísticas. Rio de Janeiro: IBGE, 2006.
HOGAN, Daniel. Crescimento demográfico e meio ambiente. Revista Brasileira de Estudos de População, Campinas, v. 8, n. 1/2, p. 61-71, 1991.
MARTINE, George. Ciência, cultura e a estagnação da agenda ambiental. Revista Brasileira de Estudos de População, Rio de Janeiro, v. 31, n.1, p. 231-238, jan./jun. 2014.

NOTAS
[1] Sobre as políticas populacionais de planejamento familiar postas em prática no Brasil e América Latina, ver Alves (2006).[2] BBC Brasil. Por que a política do filho único virou uma bomba demográfica na China. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151029_china_bomba_demografica_cc. Acesso em 16 de out. de 2017.
[3] “Onde Está Segunda?”  (What Happened to Monday ?) é um filme distópico de ficção científica e suspense, escrito por Max Botkin e Kerry Williamson, dirigido por Tommy Wirkola, e estrelando por Noomi RapaceGlenn Close, e Willem Dafoe. Foi lançado em 18 de agosto de 2017 pela Netflix, que comprou os direitos de transmissão do filme em diversos países, inclusive no Brasil.

[4] Em 2015, o desequilíbrio entre homens e mulheres na China chega a 13,4 milhões, em 2040 deverá haver 17,4 milhões de homens a mais do que mulheres no país (ALVES, 2016).

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II Fórum sobre Imigração e Refúgio será realizado no dia 05 de setembro no Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ em Campinas.

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As migrações internacionais e, particularmente, o refúgio tem se despontado como uma questão central do século 21. A posição geopolítica do Brasil no cenário internacional, somado às restrições crescentes à entrada de estrangeiros na Europa e Estados Unidos, tem intensificado a circulação de imigrantes internacionais em território brasileiro. As dificuldades enfrentadas por essa população demanda articulação de políticas específicas, tema de discussão do II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, no dia 5 de setembro de 2017, no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Universidade Estadual de Campinas.

Além de um debate sobre a nova Lei de Migração, o evento abordará as iniciativas locais de apoio a imigrantes e refugiados. Nesse contexto, será apresentado o Grupo de Trabalho para implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo na Unicamp, uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que estimula o debate e a produção de conhecimento sobre o tema dos refugiados em diversos centros de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Também serão contempladas as iniciativas da Prefeitura Municipal de Campinas, da Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas e da Clínica de Direitos Humanos da Puc-Campinas. Contaremos, ainda, com relatos de imigrantes e refugiados e o lançamento de um dossiê especial sobre Imigração e Refúgio da Revista Brasileira de Estudos de População.

O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia.

Para maiores informações acesse: II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas

Programação 
9h30: Abertura –
• Autoridades UNICAMP e Prefeitura

10h00 – 12h30: Mesa-Redonda “A Nova Lei de Migração.”
• Prof. Dr. Luís Renato Vedovato – Universidade Estadual de Campinas 
• Profa. Dra. Gláucia Assis – Universidade do Estado de Santa Catarina
• Prof. Dr. Clodoaldo Silva Anunciação – UESC/Ministério Público da Bahia
• Dr. Pe. Paolo Parise – Missão Paz
• Profa Dra. Rosana Baeninger – Universidade Estadual de Campinas

14h00 –17h00: Painel – “Ações Locais para Imigração e Refúgio.”
Coordenação: Prof. Fábio Custódio
• Departamento de Cidadania-PMC
• Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas-RAIR/PMC
• GT-Cátedra – UNICAMP
• Clínica de Direitos Humanos-PUCCAMP
• Associação Brasileira de Estudos Populacionais – REBEP
• Experiências Imigrantes

 

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Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais foi realizado em Franca/SP.

Entre os dias  15 e 16 de agosto de 2017 tivemos a décima primeira edição do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, inserido nas atividades do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-IFCH/UNICAMP), e em parceria ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPPs) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) em Franca/SP.

Nesta edição, contamos com 30 participantes que possuíam suas formações atreladas aos cursos de Serviço Social, Direito, Relações Internacionais, Ciências Sociais e Estatística. Destacando-se os profissionais recém formados pela instituição parceira.

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Comissão Organizadora, palestrantes e ouvintes do XI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais. Foto por: Júlia Fontana Marangon.

A organização do evento contou com a presença das professoras: Dra. Rosana Baeninger (IFCH-UNICAMP), coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-UNICAMP), Dra. Lidiane Maciel (IFCH-UNICAMP e UNIVAP), Dra. Regina Laisner (NEPPs-UNESP) e Dra. Paula Pavarina (NEPPs-UNESP). Além disso, estavam presentes os alunos e pesquisadores do Projeto Temático FAPESP Observatório das Migrações em São Paulo e do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da UNESP.

A conferência de abertura foi realizada pelo Prof. Dr. Paulo Jannuzzi (ENCE-IBGE) acerca do uso de indicadores sociais para a formulação de políticas públicas. Enquanto que a Mesa Redonda do dia 15 contou com a fala da Profa. Dra. Rosana Baeninger e da Dra. Roberta Peres sobre o processo de transição demográfica e indicadores sociais, assim como, da Dra. Maísa Faleiros (NEPO-UNICAMP), a qual destacou elementos da dinâmica populacional histórica do município de Franca/SP, e da Dra. Natália Demétrio (NEPO-UNICAMP), cuja fala centralizou-se na discussão dos arranjos rurais-urbanos regionais.

O segundo dia de atividades contou com a realização de oficinas ministradas pela Profa. Dra. Lidiane Maciel e pela doutoranda em Demografia Giovana G. Pereira (IFCH-UNICAMP). A mesa redonda “Demandas locais e regionais” foi composta pelo Prof. Dr. Marcelo Gallo do Departamento de Serviço Social e pela Profa. Dra. Maria Madalena Graciolli do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da UNESP-Campus Franca. Tivemos também a participação da Profa. Dra. Vera Navarro do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e do Dr. Eduardo Tostes, promotor do Ministério Público da regional de Franca. As exposições foram centralizadas no debate acerca dos desdobramentos das recentes reformas trabalhistas e educacionais, simultaneamente, a limitação do orçamento público prevista para os próximos anos.

O evento contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Departamento de Relações Internacionais (DERI-UNESP) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UNICAMP.

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Abertas as inscrições para o minicurso de Análise de Dados Qualitativos com ATLAS TI

LOCAL: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) UNICAMP

Sala: IH 02 (Prédio – salas de aula da graduação)

Data: 24 e 25 de agosto

 No âmbito do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo, o curso buscará oferecer perspectiva e ferramentas para potencializar a análise do material qualitativo coletado a partir de entrevistas, observação e anotações.

Para tanto, partiremos de uma discussão metodológica, baseada na polarização entre duas perspectivas. De um lado, aqueles que compreendem fornecer que a investigação deve ser sempre exploratória, descritiva e indutiva. De outro, os que acreditam que mesmo com “Small N“, os métodos qualitativos podem ser dedutivos e prover explicações de cunho causal. Esse embate se reflete na forma como as pesquisas são organizadas, e também nos procedimentos de análise do material produzido. Para ilustrar alguns aspectos dessa polarização, veremos duas abordagens que representam bem essas diferenças: (1) a Grounded Theory e (2) a Análise de Conteúdo.

Veremos como a leitura e a interpretação podem ser complementadas com técnicas de codificação, fragmentação e cruzamento. Além disso aprenderemos a produzir indicadores quantitativos simples sobre o texto para a identificação de regularidades e diferenças.

Público-alvo: Pesquisadores, professores e alunos que trabalham com pesquisa qualitativa e desejam conhecer um pouco mais sobre teorias e técnicas de análise textual. Além disso, aqueles que possuem uma grande (ou razoável) quantia de material qualitativo podem se servir bem da praticidade e sistematicidade provida pelos softwares que utilizaremos.

Número de vagas: 25

Inscrições: Clique aqui

 

PROFESSORA CONVIDADA

Monise F. Picanço é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, tendo concluído o mestrado e a graduação em Ciências Sociais nessa mesma universidade. Desde o mestrado, tem versado sobre temas caros a Sociologia Econômica, com enfoque em mercados. É pesquisadora associada ao CEBRAP desde 2006, tendo também passado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) entre 2010 e 2017. Em sua trajetória enquanto pesquisadora vêm trabalhando nas áreas de educação, desigualdade, políticas públicas e mercado de trabalho e se especializando nos estudos de metodologia, com interesse em técnicas qualitativas e quantitativas. Lecionou o curso “Análise de dados qualitativos com o uso de Atlas.ti” em diversos lugares, entre eles a iniciativa Metodológicas CEM, na Universidade de São Paulo, e no Programa Intensivo de Metodologia Quantitativa (MQ), do Centro de Pesquisas Quantitativas em Ciências Sociais (CPEQS), da UFMG.

 

PROGRAMAÇÃO

24-08

10h:00 – 12h:00 Recepção dos inscritos e introdução à teoria da análise de conteúdo – Profa. Dra. Lidiane Maciel e Profa. Rosana Baeninger

14h:00 –  18h:00 – Apresentação do Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

25-08

09h:00 – 12h:00 – Tratamento de dados qualitativos Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

 

ORGANIZAÇÃO:

Profa. Dra. Rosana Baeninger

Profa. Dra. Lidiane Maciel.

Informações: lidiani.maciel@gmail.com

 

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Seminário “Proyecciones de hogares:  desafíos conceptuales y metodológicas para las poblaciones de América Latina”


Unicamp, 27 y 28 de julio de 2017

Centro de Estudios de Población “Elza Berquó” (Nepo)
Departamento de Demografía (Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Universidad de Campinas (Unicamp)
Campinas – Sao Paulo / Brasil

Envío de resúmenes (hasta 1000 palabras): 07 de Junio de 2017

El objetivo del seminario es reunir estudiosos sobre proyecciones poblacionales interesados en el estudio del número, tamaño y composición de las familias y hogares en América Latina. La propuesta es discutir las aplicaciones no contexto latinoamericano, abordar las cuestiones conceptuales y metodológicas de las interconexiones de los componentes demográficos y los cambios en la estructura y composición de las familias y hogares. La proyecciones de hogares requieren profundo conocimiento de las tendencias pasadas y recientes, para la construcción de escenarios futuros de la mortalidad, fecundidad, migración y nupcialidad, así como el acceso a métodos que abarcan la complejidad de las relaciones entre las dimensiones demográficas y sociales involucrados. Por estas razones, se amplían la relevancia de un seminario con foco en las especificidades de los países de América Latina.

Familia y hogar son unidades fundamentales del análisis demográfico, por ser el contexto en que se toman las decisiones y los recursos son compartidos, con un impacto directo en la reproducción social y de la población. Además de las dinámicas de población, se agrega a la importancia del número y de la composición de los hogares como unidad de análisis a los estudios sobre sostenibilidad socio ambiental, el consumo, la configuración y la gestión urbana, la seguridad alimentaria, entre otros. La vivienda, la alimentación y el acceso a los servicios públicos, y mercado en general, son gestionados, en gran medida, internamente a las familias y hogares. En paralelo, el análisis de la composición de hogares, tales como el número y las relaciones entre sus miembros, es esencial para el estudio de situaciones del cuidado de personas potencialmente dependientes, como los más ancianos e los muy jóvenes.

Dirigido a: Profesores, investigadores y estudiantes de diferentes áreas del conocimiento, especialmente Demografía, Ciencias Sociales, Economía y Estadística, gerentes y profesionales involucrados en la generación y gestión de bases de datos demográficos.

Composición de organización:
Tirza Aidar (Departamento de Demografía – Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Joice Melo Vieira (Coordinación de Programas Demografía IFCH)
Gustavo Brusse (estudiante de doctorado en Demografía)

Apoyo
Programa de Postgrado en Demografía (IFCH / Unicamp)
Proyecto Observatorio de la Migración (NEPO, con el apoyo de la FAPESP)
Las proyecciones demográficas y redes de datos Producción – Prodatos (ALAP)

INFORMACION

Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – Nepo
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

E-mail: householdproj_seminar@nepo.unicamp.br 

55 19 3521 5891 

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Lançamento dos livros “Migração Haitiana no Brasil” e “Educação e Migrações internas e internacionais”

por Jóice Domeniconi (IFCH-Unicamp)

Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger, Coordenadora do Observatório das Migrações, Autora e Organizadora do Livro Migrações Haitianas no Brasil, 2017. Foto por: Jóice Domeniconi (2017). Banco de Imagens do Observatório das Migrações em São Paulo.

Na última quarta-feira (26/04), em evento realizado no Museu da Migração de São Paulo, ocorreu o lançamento do livro “Migração Haitiana no Brasil”, organizado pela Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger (IFCH-NEPO/UNICAMP) em parceria com outros pesquisadores, e do livro “Educação e Migrações internas e internacionais”, organizado pelas professoras Dr.ª Débora Mazza (FE/UNICAMP) e Dr.ª Kátia Norões.

A primeira mesa do encontro, coordenada pela Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger, coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo, contou com a presença da Prof.ª Dr.ª Patrícia Villen (UFU); da Prof.ª Dr.ª Maria Consolação Gomes de Castro (PUC-MINAS) e do Prof. Dr. Duval Fernandes (PUC-Minas) e tratou da Migração Haitiana no Brasil, exaltando as particularidades desse processo tendo em vista temas como contexto histórico, mercado de trabalho, documentação, legislação, distribuição espacial e políticas públicas.

Já na segunda rodada de apresentações, coordenada pela Prof.ª Dr.ª Débora Mazza (FE/UNICAMP), estiveram presentes as autoras Prof.ª Dr.ª Nima Spigolon (FE/UNICAMP), a Dr.ª Tatiana Waldman (Museu da Imigração) e a M.ª Giovanna Magalhães (FE/UNICAMP). As autoras buscaram apresentar de forma geral a proposta da publicação “Educação e Migrações internas e internacionais” exaltando, porém, a necessidade de se pensar o tema da educação para além da instituição “escola”. Sobretudo, no que diz respeito às crianças e jovens migrantes que muitas vezes encontram-se sujeitos a uma categoria superexposta de “fracasso escolar”, permeada pela dificuldade de aprendizado e pelo “atraso escolar”.

Buscou-se, ademais, exaltar a importância das agências de fomento e das parcerias institucionais entre diferentes Universidades, grupos de pesquisa, instituições e governo na busca por pensar a questão migratória de forma crítica, na disseminação do conhecimento gerado do âmbito da academia e na organização de trabalhos como os dois livros lançados.

Autores e participantes do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em parceria com a Faculdade de Educação da UNICAMP e com o Museu da Imigração, 2017. Foto por: Jóice Domeniconi (2017). Banco de Imagens do Observatório das Migrações em São Paulo.

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