Arquivo da categoria: Demografia da Unicamp

II Fórum sobre Imigração e Refúgio será realizado no dia 05 de setembro no Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ em Campinas.

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As migrações internacionais e, particularmente, o refúgio tem se despontado como uma questão central do século 21. A posição geopolítica do Brasil no cenário internacional, somado às restrições crescentes à entrada de estrangeiros na Europa e Estados Unidos, tem intensificado a circulação de imigrantes internacionais em território brasileiro. As dificuldades enfrentadas por essa população demanda articulação de políticas específicas, tema de discussão do II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, no dia 5 de setembro de 2017, no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Universidade Estadual de Campinas.

Além de um debate sobre a nova Lei de Migração, o evento abordará as iniciativas locais de apoio a imigrantes e refugiados. Nesse contexto, será apresentado o Grupo de Trabalho para implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo na Unicamp, uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que estimula o debate e a produção de conhecimento sobre o tema dos refugiados em diversos centros de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Também serão contempladas as iniciativas da Prefeitura Municipal de Campinas, da Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas e da Clínica de Direitos Humanos da Puc-Campinas. Contaremos, ainda, com relatos de imigrantes e refugiados e o lançamento de um dossiê especial sobre Imigração e Refúgio da Revista Brasileira de Estudos de População.

O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia.

Para maiores informações acesse: II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas

Programação 
9h30: Abertura –
• Autoridades UNICAMP e Prefeitura

10h00 – 12h30: Mesa-Redonda “A Nova Lei de Migração.”
• Prof. Dr. Luís Renato Vedovato – Universidade Estadual de Campinas 
• Profa. Dra. Gláucia Assis – Universidade do Estado de Santa Catarina
• Prof. Dr. Clodoaldo Silva Anunciação – UESC/Ministério Público da Bahia
• Dr. Pe. Paolo Parise – Missão Paz
• Profa Dra. Rosana Baeninger – Universidade Estadual de Campinas

14h00 –17h00: Painel – “Ações Locais para Imigração e Refúgio.”
Coordenação: Prof. Fábio Custódio
• Departamento de Cidadania-PMC
• Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas-RAIR/PMC
• GT-Cátedra – UNICAMP
• Clínica de Direitos Humanos-PUCCAMP
• Associação Brasileira de Estudos Populacionais – REBEP
• Experiências Imigrantes

 

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Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais foi realizado em Franca/SP.

Entre os dias  15 e 16 de agosto de 2017 tivemos a décima primeira edição do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, inserido nas atividades do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-IFCH/UNICAMP), e em parceria ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPPs) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) em Franca/SP.

Nesta edição, contamos com 30 participantes que possuíam suas formações atreladas aos cursos de Serviço Social, Direito, Relações Internacionais, Ciências Sociais e Estatística. Destacando-se os profissionais recém formados pela instituição parceira.

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Comissão Organizadora, palestrantes e ouvintes do XI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais. Foto por: Júlia Fontana Marangon.

A organização do evento contou com a presença das professoras: Dra. Rosana Baeninger (IFCH-UNICAMP), coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-UNICAMP), Dra. Lidiane Maciel (IFCH-UNICAMP e UNIVAP), Dra. Regina Laisner (NEPPs-UNESP) e Dra. Paula Pavarina (NEPPs-UNESP). Além disso, estavam presentes os alunos e pesquisadores do Projeto Temático FAPESP Observatório das Migrações em São Paulo e do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da UNESP.

A conferência de abertura foi realizada pelo Prof. Dr. Paulo Jannuzzi (ENCE-IBGE) acerca do uso de indicadores sociais para a formulação de políticas públicas. Enquanto que a Mesa Redonda do dia 15 contou com a fala da Profa. Dra. Rosana Baeninger e da Dra. Roberta Peres sobre o processo de transição demográfica e indicadores sociais, assim como, da Dra. Maísa Faleiros (NEPO-UNICAMP), a qual destacou elementos da dinâmica populacional histórica do município de Franca/SP, e da Dra. Natália Demétrio (NEPO-UNICAMP), cuja fala centralizou-se na discussão dos arranjos rurais-urbanos regionais.

O segundo dia de atividades contou com a realização de oficinas ministradas pela Profa. Dra. Lidiane Maciel e pela doutoranda em Demografia Giovana G. Pereira (IFCH-UNICAMP). A mesa redonda “Demandas locais e regionais” foi composta pelo Prof. Dr. Marcelo Gallo do Departamento de Serviço Social e pela Profa. Dra. Maria Madalena Graciolli do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da UNESP-Campus Franca. Tivemos também a participação da Profa. Dra. Vera Navarro do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e do Dr. Eduardo Tostes, promotor do Ministério Público da regional de Franca. As exposições foram centralizadas no debate acerca dos desdobramentos das recentes reformas trabalhistas e educacionais, simultaneamente, a limitação do orçamento público prevista para os próximos anos.

O evento contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Departamento de Relações Internacionais (DERI-UNESP) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UNICAMP.

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Abertas as inscrições para o minicurso de Análise de Dados Qualitativos com ATLAS TI

LOCAL: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) UNICAMP

Sala: IH 02 (Prédio – salas de aula da graduação)

Data: 24 e 25 de agosto

 No âmbito do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo, o curso buscará oferecer perspectiva e ferramentas para potencializar a análise do material qualitativo coletado a partir de entrevistas, observação e anotações.

Para tanto, partiremos de uma discussão metodológica, baseada na polarização entre duas perspectivas. De um lado, aqueles que compreendem fornecer que a investigação deve ser sempre exploratória, descritiva e indutiva. De outro, os que acreditam que mesmo com “Small N“, os métodos qualitativos podem ser dedutivos e prover explicações de cunho causal. Esse embate se reflete na forma como as pesquisas são organizadas, e também nos procedimentos de análise do material produzido. Para ilustrar alguns aspectos dessa polarização, veremos duas abordagens que representam bem essas diferenças: (1) a Grounded Theory e (2) a Análise de Conteúdo.

Veremos como a leitura e a interpretação podem ser complementadas com técnicas de codificação, fragmentação e cruzamento. Além disso aprenderemos a produzir indicadores quantitativos simples sobre o texto para a identificação de regularidades e diferenças.

Público-alvo: Pesquisadores, professores e alunos que trabalham com pesquisa qualitativa e desejam conhecer um pouco mais sobre teorias e técnicas de análise textual. Além disso, aqueles que possuem uma grande (ou razoável) quantia de material qualitativo podem se servir bem da praticidade e sistematicidade provida pelos softwares que utilizaremos.

Número de vagas: 25

Inscrições: Clique aqui

 

PROFESSORA CONVIDADA

Monise F. Picanço é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, tendo concluído o mestrado e a graduação em Ciências Sociais nessa mesma universidade. Desde o mestrado, tem versado sobre temas caros a Sociologia Econômica, com enfoque em mercados. É pesquisadora associada ao CEBRAP desde 2006, tendo também passado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) entre 2010 e 2017. Em sua trajetória enquanto pesquisadora vêm trabalhando nas áreas de educação, desigualdade, políticas públicas e mercado de trabalho e se especializando nos estudos de metodologia, com interesse em técnicas qualitativas e quantitativas. Lecionou o curso “Análise de dados qualitativos com o uso de Atlas.ti” em diversos lugares, entre eles a iniciativa Metodológicas CEM, na Universidade de São Paulo, e no Programa Intensivo de Metodologia Quantitativa (MQ), do Centro de Pesquisas Quantitativas em Ciências Sociais (CPEQS), da UFMG.

 

PROGRAMAÇÃO

24-08

10h:00 – 12h:00 Recepção dos inscritos e introdução à teoria da análise de conteúdo – Profa. Dra. Lidiane Maciel e Profa. Rosana Baeninger

14h:00 –  18h:00 – Apresentação do Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

25-08

09h:00 – 12h:00 – Tratamento de dados qualitativos Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

 

ORGANIZAÇÃO:

Profa. Dra. Rosana Baeninger

Profa. Dra. Lidiane Maciel.

Informações: lidiani.maciel@gmail.com

 

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Seminário “Proyecciones de hogares:  desafíos conceptuales y metodológicas para las poblaciones de América Latina”


Unicamp, 27 y 28 de julio de 2017

Centro de Estudios de Población “Elza Berquó” (Nepo)
Departamento de Demografía (Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Universidad de Campinas (Unicamp)
Campinas – Sao Paulo / Brasil

Envío de resúmenes (hasta 1000 palabras): 07 de Junio de 2017

El objetivo del seminario es reunir estudiosos sobre proyecciones poblacionales interesados en el estudio del número, tamaño y composición de las familias y hogares en América Latina. La propuesta es discutir las aplicaciones no contexto latinoamericano, abordar las cuestiones conceptuales y metodológicas de las interconexiones de los componentes demográficos y los cambios en la estructura y composición de las familias y hogares. La proyecciones de hogares requieren profundo conocimiento de las tendencias pasadas y recientes, para la construcción de escenarios futuros de la mortalidad, fecundidad, migración y nupcialidad, así como el acceso a métodos que abarcan la complejidad de las relaciones entre las dimensiones demográficas y sociales involucrados. Por estas razones, se amplían la relevancia de un seminario con foco en las especificidades de los países de América Latina.

Familia y hogar son unidades fundamentales del análisis demográfico, por ser el contexto en que se toman las decisiones y los recursos son compartidos, con un impacto directo en la reproducción social y de la población. Además de las dinámicas de población, se agrega a la importancia del número y de la composición de los hogares como unidad de análisis a los estudios sobre sostenibilidad socio ambiental, el consumo, la configuración y la gestión urbana, la seguridad alimentaria, entre otros. La vivienda, la alimentación y el acceso a los servicios públicos, y mercado en general, son gestionados, en gran medida, internamente a las familias y hogares. En paralelo, el análisis de la composición de hogares, tales como el número y las relaciones entre sus miembros, es esencial para el estudio de situaciones del cuidado de personas potencialmente dependientes, como los más ancianos e los muy jóvenes.

Dirigido a: Profesores, investigadores y estudiantes de diferentes áreas del conocimiento, especialmente Demografía, Ciencias Sociales, Economía y Estadística, gerentes y profesionales involucrados en la generación y gestión de bases de datos demográficos.

Composición de organización:
Tirza Aidar (Departamento de Demografía – Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Joice Melo Vieira (Coordinación de Programas Demografía IFCH)
Gustavo Brusse (estudiante de doctorado en Demografía)

Apoyo
Programa de Postgrado en Demografía (IFCH / Unicamp)
Proyecto Observatorio de la Migración (NEPO, con el apoyo de la FAPESP)
Las proyecciones demográficas y redes de datos Producción – Prodatos (ALAP)

INFORMACION

Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – Nepo
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

E-mail: householdproj_seminar@nepo.unicamp.br 

55 19 3521 5891 

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Tese revela superexploração de mão de obra de haitianos em SC

Estudo embasou denúncias feitas pelos Observatórios das Migrações ao Ministério Público do Trabalho

Imigrantes haitianos que vieram para o Brasil entre 2010 e 2014 e, recrutados por setores da agroindústria ou da construção civil, foram trabalhar no Estado de Santa Catarina, tiveram a mão de obra superexplorada por seus empregadores, ou seja, sofreram a violação do valor da força de trabalho. Conforme detalhou a tese de doutorado defendida pelo pesquisador Luis Felipe Aires Magalhães, no Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (Nepo), as empresas utilizavam vários mecanismos para tirar o máximo dos trabalhadores.

LFAM
O pesquisador Luis Felipe Aires Magalhães, autor da tese: “O Estatuto enxerga o estrangeiro como uma ameaça”

A primeira estratégia era descontar dos salários a concessão do alojamento, seguida da chamada alocação discriminatória, que significava colocar o haitiano em setores que exigiam mais força física ou em setores que favoreciam doenças relacionadas ao trabalho. Por último, a tese apontou que, sem conhecer direito o português, os imigrantes eram obrigados a assinar contratos com cláusulas nas quais abriam mão dos direitos trabalhistas depois da demissão.

A superexploração da mão de obra dos imigrantes haitianos é detalhada na tese e embasou denúncias feitas por pesquisadores dos Observatórios das Migrações ao Ministério Público do Trabalho. Luís Felipe integra a seção do observatório em São Paulo, com um projeto Fapesp coordenado por sua orientadora, a docente Rosana Baeninger. Porém, as pesquisas, que abrangem outros Estados, por meio de uma rede de observatórios e outros grupos de pesquisa em outras regiões do Brasil, também mostraram a existência das práticas das empresas.

Segundo o pesquisador, eram descontados do salário de cada trabalhador em média 230 reais pelo alojamento. Em trabalho de campo, Luis Felipe identificou que as condições eram muito precárias. “Em alguns casos, 11 trabalhadores dividiam dois cômodos e um único banheiro, havia infiltrações e as construções tinham o pé direito baixo”, salienta.

Os haitianos, acrescenta o autor, mesmo recebendo menos que os brasileiros, eram alocados para os setores mais pesados, como o da “pendura” em frigoríficos e também o de miúdos. Frequentemente, os imigrantes levantavam peso além do permitido pela norma reguladora.

No setor de miúdos, os trabalhadores seguravam funis em alturas superiores às previstas na legislação, sendo obrigados a entre 8 ou 10 horas diárias com os braços situados numa angulação superior a 90 graus. “Um em cada quatro trabalhadores está afastado por doença de trabalho”, complementa.

As questões relacionadas ao trabalho estão situadas num contexto mais amplo abordado pela tese, de estudo das dinâmicas da imigração haitiana, entendendo o fenômeno como processo histórico e social e também a composição de um perfil sociodemográfico dos fluxos. “Sempre houve a emigração no Haiti, mas a quantidade de pessoas desejosas de viver em outro país aumentou após um conjunto de transformações basicamente depois de 2004, quando o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto e se agravou a crise política e eleitoral no país”. O envio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), “uma força estrangeira, militar, que supostamente tentaria estabilizar o Haiti”, além das crises financeiras mundiais de 2007 e 2008, foram outros fatores que contribuíram para favorecer a imigração como constata o pesquisador. Em 2010 houve o terremoto que matou mais de 200 mil pessoas.

Eldorado

Segundo o estudo, um dos motivos da escolha dos haitianos pelo Brasil foi o período de crescimento econômico e inclusão social entre 2003 e 2010. “Foram criados 14,7 milhões de empregos e isso chamou a atenção das famílias haitianas. O Brasil passou a ser considerado o novo eldorado da imigração haitiana. Paralelo a isto foi criado o visto de ajuda humanitária exclusivo e específico para os imigrantes daquele país”.

Os quatro primeiros anos da chegada de imigrantes haviam sido marcados pela indocumentação. O visto era muito restrito e obedecia a uma cota de 1.200 por ano. “Os que não tinham o visto de ajuda humanitária eram atraídos pela rede que opera as migrações, que envolve em alguma medida tráfico, venda de passagens, manipulação de informações e endividamento dos imigrantes”.

Luis Felipe observou que essa rede se aproveitava do fato de o Equador não exigir visto a nenhum cidadão do mundo, para usar o país como rota. “Foram articulados voos ou do Haiti ou da República Dominicana para o Equador. De lá os imigrantes faziam viagens de ônibus na clandestinidade cruzando todo o território peruano e chegavam à fronteira brasileira, nos estados do Acre ou do Amazonas, pedindo refúgio”.

Por conta da legislação, o Estado brasileiro era obrigado a abrir um processo de avaliação desse pedido, mas imediatamente oferecer carteira de trabalho e CPF ao imigrante. “A pessoa podia circular pelo território e procurar emprego”.

O fluxo que chegava documentado representava uma parcela pequena, de 10% a 15% do total de imigrantes, que vinha direto do Haiti para o aeroporto de Guarulhos. “A Resolução Normativa 102/2013, do Conselho Nacional de Imigração, além de revogar o limite para os vistos, permitiu a emissão em outras embaixadas brasileiras no exterior, não só no Haiti, mas também na República Dominicana, na Bolívia, no Equador e no Peru. Ampliou-se o leque de possibilidades para o imigrante”.

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Cenas do Haiti: saída intensificou-se depois da deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004

O recrutamento de trabalhadores começava nas áreas de concentração nas fronteiras ou em São Paulo, nos espaços de acolhimento. “Minha tese conseguiu identificar quais foram as empresas que inauguraram o processo. Empresas do Brasil inteiro estavam presentes, mas sobretudo as da construção civil, de serviços portuários e de limpeza urbana do Sul do Brasil, setores caracterizados por uma alta rotatividade da força de trabalho”.

Os imigrantes foram se deslocando, inicialmente para cidades do litoral norte de Santa Catarina. Depois os frigoríficos passaram a requisitar trabalhadores para o oeste do Estado. “Pudemos acompanhar esse processo nas duas pontas, participando das reuniões de recrutamento no litoral e vendo as condições de trabalho e de alojamento no interior”.

Perfil e dependência

Para compor o perfil sóciodemográfico dos fluxos migratórios, o pesquisador participou de um trabalho de campo que entrevistou quase 300 imigrantes haitianos em 16 cidades do Brasil. Ele mesmo entrevistou 99 imigrantes haitianos na cidade catarinense de Balneário Camboriú. “As principais características desse imigrante são: ser do sexo masculino, adulto jovem de religião evangélica com ensino médico completo ou superior incompleto. Não foram poucos os enfermeiros, professores e agrônomos ouvidos por nós”. O perfil também integrou em nível nacional uma pesquisa intitulada “Haitianos no Brasil, perfil e trajetórias” coordenada pelo professor Sidney Antonio da Silva, da Universidade Federal do Amazonas.

Luis Felipe concluiu a tese formulando um conceito de migração de dependência para os fluxos de imigrantes do Haiti. Ele constatou a dependência que as famílias haitianas têm das remessas de dinheiro provenientes de trabalhadores que residem fora do país, não somente no Brasil. Essa dependência chegou a representar entre 22% e 26% do PIB do país de 2005 a 2015.

“O fenômeno da dependência está presente em diversas instâncias na história do Haiti, que se converte na maior produtora de riquezas coloniais do mundo nos séculos 17 e 18, para o país mais pobre da América, atualmente”. Para o pesquisador, o Haiti está em posição de marginalidade e subalternalidade na dinâmica do capitalismo mundial. A tese é dedicada a entender a migração como um desafio, como um direito humano à mobilidade “não como um crime ou como um problema”.

Luis Felipe salienta que as políticas de acolhimento no Brasil ainda são muito frágeis e improvisadas, uma vez que ainda está vigente o Estatuto do Estrangeiro que é uma lei de 1980, do período de ditadura militar. “O Estatuto enxerga o estrangeiro como uma ameaça, justificando assim o fato de que o primeiro representante do Estado que o imigrante encontra, seja um policial federal”. A imigração haitiana vem cumprindo o importante papel de retomada de estudos e de uma certa militância a respeito da importância de políticas públicas específicas aos imigrantes e refugiados, considera.

 

Fonte: Jornal da Unicamp (16 de maio de 2017). Link para acesso AQUI.

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Lançamento dos livros “Migração Haitiana no Brasil” e “Educação e Migrações internas e internacionais”

por Jóice Domeniconi (IFCH-Unicamp)

Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger, Coordenadora do Observatório das Migrações, Autora e Organizadora do Livro Migrações Haitianas no Brasil, 2017. Foto por: Jóice Domeniconi (2017). Banco de Imagens do Observatório das Migrações em São Paulo.

Na última quarta-feira (26/04), em evento realizado no Museu da Migração de São Paulo, ocorreu o lançamento do livro “Migração Haitiana no Brasil”, organizado pela Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger (IFCH-NEPO/UNICAMP) em parceria com outros pesquisadores, e do livro “Educação e Migrações internas e internacionais”, organizado pelas professoras Dr.ª Débora Mazza (FE/UNICAMP) e Dr.ª Kátia Norões.

A primeira mesa do encontro, coordenada pela Prof.ª Dr.ª Rosana Baeninger, coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo, contou com a presença da Prof.ª Dr.ª Patrícia Villen (UFU); da Prof.ª Dr.ª Maria Consolação Gomes de Castro (PUC-MINAS) e do Prof. Dr. Duval Fernandes (PUC-Minas) e tratou da Migração Haitiana no Brasil, exaltando as particularidades desse processo tendo em vista temas como contexto histórico, mercado de trabalho, documentação, legislação, distribuição espacial e políticas públicas.

Já na segunda rodada de apresentações, coordenada pela Prof.ª Dr.ª Débora Mazza (FE/UNICAMP), estiveram presentes as autoras Prof.ª Dr.ª Nima Spigolon (FE/UNICAMP), a Dr.ª Tatiana Waldman (Museu da Imigração) e a M.ª Giovanna Magalhães (FE/UNICAMP). As autoras buscaram apresentar de forma geral a proposta da publicação “Educação e Migrações internas e internacionais” exaltando, porém, a necessidade de se pensar o tema da educação para além da instituição “escola”. Sobretudo, no que diz respeito às crianças e jovens migrantes que muitas vezes encontram-se sujeitos a uma categoria superexposta de “fracasso escolar”, permeada pela dificuldade de aprendizado e pelo “atraso escolar”.

Buscou-se, ademais, exaltar a importância das agências de fomento e das parcerias institucionais entre diferentes Universidades, grupos de pesquisa, instituições e governo na busca por pensar a questão migratória de forma crítica, na disseminação do conhecimento gerado do âmbito da academia e na organização de trabalhos como os dois livros lançados.

Autores e participantes do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em parceria com a Faculdade de Educação da UNICAMP e com o Museu da Imigração, 2017. Foto por: Jóice Domeniconi (2017). Banco de Imagens do Observatório das Migrações em São Paulo.

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Epidemia Urbana

O controle de epidemias preocupa o Brasil. Compreender as condições que contribuem para a ocorrência de tais epidemias possibilita a elaboração de medidas de prevenção mais adequadas. O número histórico de ocorrências de dengue no ano de 2014, em Campinas, está sendo alvo de um estudo para analisar os aspectos da população e do ambiente urbano que propiciaram o desenvolvimento do Aedes aegypti, mosquito que impressiona por veicular atualmente no País, além da dengue, também a chikungunya e o vírus da zika.

Igor Cavallini Johansen, doutorando em Demografia, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), desde a iniciação científica pesquisa epidemias da doença, utilizando métodos sofisticados.

O doutorando explica que Campinas apresenta condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do Aedes aegypti. A isso se soma uma demanda ainda não plenamente atendida por equipamentos e serviços urbanos mais eficientes, provimento de água, além de coleta e destinação adequada de esgoto e lixo. Enfatiza que a desigualdade social ainda é aguda na cidade. “Com base em estudos anteriores, constatamos que a Rodovia Anhanguera era e continua sendo uma grande marca da separação entre grupos populacionais em Campinas. Em termos gerais, a população abastada reside principalmente na porção norte do município, enquanto no sul estão alocados aqueles com piores condições socioeconômicas.

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“Analisamos, então, como as características desses grupos populacionais e do ambiente urbano em que vivem podem ter influenciado a ocorrência da epidemia histórica de dengue que marcou a cidade em 2014”.

Com orientação do professor Roberto Luiz do Carmo e co-orientação da professora Luciana Correia Alves, ambos do Departamento de Demografia do IFCH, o pesquisador utilizou como subsídios ao seu trabalho dados da Secretaria Municipal da Saúde de Campinas. Para a pesquisa, empregou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que permitiu evidenciar desigualdades sociais intraurbanas. Comparou, utilizando ferramentas de análise espacial, a distribuição da variável IDHM com a taxa de incidência de dengue em diferentes regiões do município. O cruzamento dessas variáveis no nível intraurbano nunca havia sido realizado para um município brasileiro.

A análise preliminar dos dados mostrou que os casos da doença tiveram início principalmente na região sul (onde se localizam os grupos em piores condições de moradia) e depois se estenderam em direção ao norte, chegando ao distrito de Barão Geraldo, uma das regiões mais afluentes do município.

O objetivo, a partir de agora, é avançar para a análise de como outros aspectos da dinâmica da população podem ter afetado a ocorrência desta epidemia, por exemplo, a mobilidade. Isso porque existe uma transferência maciça diária de grupos populacionais por todo o município. Esses fluxos populacionais podem ter favorecido o processo de distribuição da doença para as diferentes regiões de Campinas. “Essa busca por compreender a relação entre mobilidade populacional e casos de dengue é inédita na literatura científica da área”.

Outro aspecto que perpassa a pesquisa é a multicausalidade da dengue. Além das políticas de controle implementadas pela Prefeitura Municipal, o pesquisador aponta como fator preponderante para a ocorrência da doença a incerta colaboração da própria população, com o descarte inadequado de resíduos. A especulação imobiliária, que mantém imóveis fechados por longos períodos de tempo, dificulta a fiscalização de criadouros.

Johansen enfatiza que sua tese busca evidenciar a complexidade enfrentada no controle da dengue pelo fato de a doença ser transmitida por um mosquito com capacidade imensa em se adaptar ao modo como nossas cidades foram organizadas historicamente e aos hábitos da população urbana.

 

Igor Cavallini Johansen (igor@nepo.unicamp.br)

 

Fonte:

https://www.prp.unicamp.br/sites/default/files/revista/fb_REVISTA-3/index.html

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