Arquivo da categoria: Demografia no Brasil

Seminário “Proyecciones de hogares:  desafíos conceptuales y metodológicas para las poblaciones de América Latina”


Unicamp, 27 y 28 de julio de 2017

Centro de Estudios de Población “Elza Berquó” (Nepo)
Departamento de Demografía (Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Universidad de Campinas (Unicamp)
Campinas – Sao Paulo / Brasil

Envío de resúmenes (hasta 1000 palabras): 07 de Junio de 2017

El objetivo del seminario es reunir estudiosos sobre proyecciones poblacionales interesados en el estudio del número, tamaño y composición de las familias y hogares en América Latina. La propuesta es discutir las aplicaciones no contexto latinoamericano, abordar las cuestiones conceptuales y metodológicas de las interconexiones de los componentes demográficos y los cambios en la estructura y composición de las familias y hogares. La proyecciones de hogares requieren profundo conocimiento de las tendencias pasadas y recientes, para la construcción de escenarios futuros de la mortalidad, fecundidad, migración y nupcialidad, así como el acceso a métodos que abarcan la complejidad de las relaciones entre las dimensiones demográficas y sociales involucrados. Por estas razones, se amplían la relevancia de un seminario con foco en las especificidades de los países de América Latina.

Familia y hogar son unidades fundamentales del análisis demográfico, por ser el contexto en que se toman las decisiones y los recursos son compartidos, con un impacto directo en la reproducción social y de la población. Además de las dinámicas de población, se agrega a la importancia del número y de la composición de los hogares como unidad de análisis a los estudios sobre sostenibilidad socio ambiental, el consumo, la configuración y la gestión urbana, la seguridad alimentaria, entre otros. La vivienda, la alimentación y el acceso a los servicios públicos, y mercado en general, son gestionados, en gran medida, internamente a las familias y hogares. En paralelo, el análisis de la composición de hogares, tales como el número y las relaciones entre sus miembros, es esencial para el estudio de situaciones del cuidado de personas potencialmente dependientes, como los más ancianos e los muy jóvenes.

Dirigido a: Profesores, investigadores y estudiantes de diferentes áreas del conocimiento, especialmente Demografía, Ciencias Sociales, Economía y Estadística, gerentes y profesionales involucrados en la generación y gestión de bases de datos demográficos.

Composición de organización:
Tirza Aidar (Departamento de Demografía – Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Joice Melo Vieira (Coordinación de Programas Demografía IFCH)
Gustavo Brusse (estudiante de doctorado en Demografía)

Apoyo
Programa de Postgrado en Demografía (IFCH / Unicamp)
Proyecto Observatorio de la Migración (NEPO, con el apoyo de la FAPESP)
Las proyecciones demográficas y redes de datos Producción – Prodatos (ALAP)

INFORMACION

Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – Nepo
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

E-mail: householdproj_seminar@nepo.unicamp.br 

55 19 3521 5891 

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Demografia e Educação II – A reorganização escolar em São Paulo

Por Flávia Longo

Este é o segundo de uma série de textos sobre algumas das relações que se estabelecem entre dinâmicas de população, estudos demográficos e questões educacionais.

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No final de 2015 o governo do Estado de São Paulo tornou pública uma polêmica proposta de reorganização escolar, que previa a mudança de oferta de níveis de ensino em determinadas unidades e o fechamento de outras. Foram dois os argumentos que a embasaram: o primeiro, de que escolas organizadas em ciclos facilitariam a gestão e melhorariam o aproveitamento escolar dos alunos. O segundo, de que a redução da demanda por vagas no Ensino Básico ocorreria em função de mudanças demográficas.

Diversas diretorias de ensino replicaram uma nota semelhante: “Nem todas as unidades passarão pelo processo e escolas com mais de um ciclo ainda funcionarão, devido às diferenças demográficas e às necessidades por escolas para diversas faixas etárias em algumas regiões” (Disponível aqui).

A proposta de reorganizar a educação estadual em São Paulo não é nova. Um processo a ser recordado foi o da municipalização do ensino ocorrida ao longo da década de 1990, que transferiu a responsabilidade dos ensinos Infantil e Fundamental para as gestões municipais. Em 1995, no governo de Mário Covas, o decreto nº 40.473, de 21 de novembro daquele ano instituiu o “Programa de Reorganização das Escolas da Rede Pública Estadual”. Nele estava previsto que o critério de agrupamento em um único prédio de múltiplas etapas de ensino constituía-se, além de um grave problema pedagógico, de sérias distorções das demandas escolares. A mudança que se seguiu foi a organização de escolas por ciclos: até a 4ª série; de 5ª a 8ª séries e segundo grau. Em 1996, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo deu início à reorganização de suas unidades estabelecendo parcerias e convênios com os municípios e fechando diversas escolas estaduais.

A redistribuição dos alunos na rede municipal, antes atendidos pela rede estadual, desonerou o Estado de sua obrigação para com esses estudantes. A conta feita, pela então secretária de Educação do Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, é simples: “Em 1995, São Paulo tinha quase 7 milhões de alunos e 5,4 mil escolas. Hoje tem menos de 4 milhões de alunos e 5,4 mil escolas“.

Além da diminuição da média de alunos por escola, a reorganização proposta em 2015 difere daquela de 1990 devido ao argumento demográfico empregado em sua justificativa: a redução da fecundidade (número de filhos por mulher) também seria o motivo de uma menor demanda por vagas escolares.

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Curiosidade:

Esta não foi a primeira vez que o volume da população foi utilizado para justificar a abertura ou fechamento de vagas escolares. Três anos após a Constituição Política do Império do Brasil, em 1827, foi decretada a lei 15 de outubro, cujo artigo 2º versava: “Os Presidentes das províncias, em Conselho e com audiência das respectivas Câmaras, enquanto não estiverem em exercício os Conselhos Gerais, marcarão o número e localidades das escolas, podendo extinguir as que existem em lugares pouco populosos e remover os Professores delas para as que se criarem, onde mais aproveitem, dando conta a Assembléia Geral para final resolução” (BRASIL, 1827). E o fechamento de escolas no Brasil não é um fenômeno novo, e ocorre sobremaneira nas áreas rurais do país, desde a década de 1960 (FERREIRA; BRANDÃO, 2012).

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O argumento demográfico da queda da fecundidade não é um fenômeno observado em curto prazo. As coortes de estudantes (conjunto de pessoas que partilham um mesmo evento em um dado momento, no caso, que entram para o sistema escolar em determinado ano) são reflexos da fecundidade do passado: para pensarmos no primeiro ano do Ensino Fundamental, são crianças nascidas há 6/7 anos. Ou seja, as demandas atuais por vagas dependem desta fecundidade do passado e das taxas de sobrevivência infantil. Mas, a demanda também depende de uma população já existente, muitas vezes em idades mais avançadas, e que no entanto não tiveram acesso à educação na idade esperada: são jovens e adultos com Fundamental e Médio incompletos – e que estão em condições de voltar a compor a população de estudantes.

Quando observamos a pirâmide etária da população de São Paulo no período 2000-2014, notamos a tendência de estreitamento de sua base e do alargamento do topo. Este fenômeno corresponde ao modelo muito utilizado pelos demógrafos: o da transição demográfica (este é assunto para um próximo texto!). Do lado esquerdo está representada a população masculina, do direito, a feminina.

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São Paulo, 2000-2014: Evolução da pirâmide etária. PNAD/Censo IBGE.

O estreitamento da base da pirâmide indica que está em curso uma redução do número de nascimentos ano a ano. O alargamento do topo, por sua vez, nos mostra que a maior média de expectativa de vida começa a aparecer, sobretudo na população de mulheres. As pirâmides poderiam sustentar o argumento demográfico de fechamento escolar somente a partir de 20 anos, que é quando os estudantes que hoje estão no sistema teriam tido suficiente para se formar (pensando aqui em mundo ideal onde todas as crianças, adolescentes e jovens tem direito à educação); e quando começa a reduzir efetivamente a demanda, devido à consistente queda da fecundidade.

Um perigo em se olhar estritamente o volume da população, é que perdemos uma série de características. Por exemplo, como estão distribuídos esses estudantes? Eles se concentram em que cidades ou em que regiões? Será que todos estão conseguindo cumprir em fase as etapas escolares? (também já sabemos que não…)

Com essas perguntas vemos que a abordagem demográfica da redução da fecundidade é apenas uma das possibilidades que a Demografia tem a oferecer nessa situação. Em minha pesquisa de doutorado, ainda em andamento, procuro explorar essas outras possibilidades. Uma das minhas preocupações é com a apropriação restrita do que a Demografia, enquanto disciplina, tem a oferecer para a gestão pública – assunto da nossa próxima conversa. Por sorte, outros pesquisadores também estão atentos à reestruturação escolar e às questões demográficas envolvidas:

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Para saber mais:

Com foco na distribuição espacial, temos o trabalho do professor Eduardo Girotto e demais autores: A geografia da reorganização escolar: uma análise espacial a partir da cidade de São Paulo.

Uma profunda discussão foi apresentada por pesquisadores da REDE desde o início da proposta de reorganização. Uma publicação concisa deste esforço saiu na Educação e Sociedade no final de 2016.

E também no final do ano passado, em trabalho conjunto com minha orientadora, professora Joice Melo Vieira, apresentamos um texto cruzando informações sobre as áreas de fechamento de escolas e índices de envelhecimento.

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Adendo: A reestruturação foi anunciada em setembro daquele ano, mas as reações estudantis se mantiveram até o final do ano letivo. O caso ganhou destaque pela magnitude da mudança proposta em uma das cidades mais urbanizadas e populosas do mundo e pela mobilização da opinião pública acerca da luta dos estudantes. Apesar da reorganização ter sido suspensa, no início de 2016, 165 escolas (53 estavam na lista de fechamento/reorganização) deixaram de abrir matrículas para turmas de ingresso, isto é, nos primeiro e quinto anos do Ensino Fundamental e no primeiro ano do Ensino Médio. Este é um indicativo de que em três, quatro ou cinco anos um ciclo deixará de existir, caracterizando desse modo uma reestruturação velada.

O primeiro texto desta série (Demografia e Educação) está disponível neste link.

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A autora agradece a ajuda de Thiago Dias dos Santos com a elaboração do gif das pirâmides. As pirâmides foram construídas com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a PNAD, para o período 2001-2014. Para os anos de 2000 e 2010 foram utilizados os Censos Demográficos. Tanto a PNAD quanto os Censos são elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para período anterior, ver o trabalho de Felícia Madeira e Alícia Bercovich.

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Flávia Longo é mestre e doutoranda em Demografia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Unicamp. Formada em Ciências Sociais pela mesma instituição, acredita no potencial transformador do ensino e da pesquisa para oferecer respostas às questões sociais. Contato: flavialongo@nepo.unicamp.br

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Mudanças na dinâmica populacional paulista

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Estado de São Paulo tem aumento da movimentação de estrangeiros para o interior e diminuição da migração interestadual, aponta estudo da Unicamp. Foto: Profa. Rosana Baeninger (Nepo/Unicamp).

24/09/2013

Por Noêmia Lopes

Agência FAPESP – Na década de 1980, os estrangeiros que chegavam ao Estado de São Paulo se concentravam na região metropolitana da capital paulista. Hoje, há um movimento significativo de grupos como bolivianos, paraguaios, chineses e coreanos partindo em direção a diferentes regiões do interior, para o trabalho em setores agrícolas, industriais e do comércio.

Os próprios paulistanos já vêm engrossando o movimento de interiorização da população desde os anos 1980, movimento que agora ganha impulso por conta de fatores como saturação do mercado de trabalho na cidade de São Paulo, aquecimento de segmentos variados no interior e busca por melhor qualidade de vida. Os mesmos motivos fazem crescer a migração de retorno aos estados de Minas Gerais e Paraná, bem como a movimentação de brasileiros entre outros estados que não o de São Paulo.

Essas são algumas das conclusões do Projeto Temático Observatório das Migrações em São Paulo, apoiado pela FAPESP e coordenado por Rosana Baeninger, professora do Departamento de Demografia e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Nepo/Unicamp).

O conjunto dos dados levantados, desde 2009, por Baeninger, 16 pesquisadores e 38 alunos de mestrado, de doutorado e de iniciação científica deu forma à coleção de 12 volumes Por Dentro do Estado de São Paulo, lançada em agosto.

“Nosso objetivo foi analisar a configuração dos movimentos migratórios atuais a partir das raízes históricas desses processos. Para tanto, investigamos a formação social paulista desde o século 19, na passagem para o século 20 e ao longo dele, chegando ao início do século 21”, afirmou Baeninger, à Agência FAPESP.

As informações até 1950 foram obtidas a partir da naturalidade registrada em certidões de casamento, de anuários demográficos sanitários e de arquivos da Hospedaria dos Imigrantes, na cidade de São Paulo. A partir de então, foram analisadas séries históricas dos censos demográficos e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

“Contudo, como o censo demográfico mais recente contém informações que vão somente até 2010, entender as migrações contemporâneas, inclusive as ocorridas nos três últimos anos, exigiu uma série de visitas a campo, tanto nas regiões de origem quando na de destino das migrações”, contou Baeninger.

Dois exemplos de viagens como essas foram investigações sobre piauienses que deixam o Piauí para trabalhar em plantações paulistas de cana-de-açúcar e de laranja e bolivianos que partiram de seu país em direção não apenas à região metropolitana de São Paulo, como era de costume, mas também a polos têxteis como Indaiatuba e Americana.

Durante as visitas, os pesquisadores do Observatório das Migrações fizeram entrevistas qualitativas nas prefeituras e em órgãos vinculados à assistência social, questionando os profissionais sobre como percebem a chegada ou a partida de moradores.

De acordo com Baeninger, tais dados foram complementados com entrevistas biográficas feitas com os próprios migrantes internos e internacionais. “Pedíamos que nos contassem suas trajetórias, começando sempre com relatos mais recentes e contando quando e com quem migraram, onde moraram, entre outros aspectos.”

Razões das mudanças

Em relação à migração internacional, Baeninger afirmou que as novidades se explicam por conta da inserção de novas regiões paulistas na lógica do capital internacional – ou seja, mais investimento externo, mais demanda por mão de obra.

“Profissionais bem qualificados continuam chegando a polos de alta tecnologia como Campinas, vindos de países como Alemanha e França. Mas agora há também uma interiorização da mão de obra não qualificada que antes se concentrava na capital”, explicou a pesquisadora.

Nesse cenário, enquadram-se bolivianos e paraguaios na indústria têxtil de Indaiatuba e Americana; chineses no comércio de Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto; coreanos na indústria de semijoias e bijuterias de Limeira; e haitianos na construção civil de diferentes regiões.

A interiorização também cresce entre brasileiros, que continuam partindo da região metropolitana. “As oportunidades vêm florescendo no interior desde os anos 1970. Agora, outros fatores entram em jogo, como o aumento da violência na capital e a busca por uma melhor qualidade de vida”, disse Baeninger.

Tais motivadores também levam ao aumento da migração de retorno aos estados de Minas Gerais e Paraná, bem como à diminuição da migração dos demais estados para São Paulo. Sobre esse último aspecto, a pesquisadora afirmou que “trabalhadores que potencialmente migrariam ficam em suas regiões, quando aquecidas, ou seguem o capital internacional por diferentes estados do país”.

Novas agendas

De acordo com Baeninger, os dados coletados abrem novas agendas para os estudos populacionais. “A migração interna (entre estados) e a externa (de estrangeiros) estão cada vez mais inter-relacionadas e precisamos estudá-las concomitantemente. A formação social paulista – primeiro, trazendo imigrantes e, depois, buscando brasileiros em outros estados – contribuiu para que separássemos os dois tipos de movimentação. Mas somente uma visão global nos permitirá entender as novas territorialidades e regionalizações no século 21.”

Ainda segundo Baeninger, essa compreensão é fundamental para subsidiar políticas públicas. O Observatório das Migrações já promoveu, nesse sentido, quatro edições do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, destinado a gestores municipais de diferentes secretarias, paulistas ou não. “Publicamos editais e convidamos os participantes a pensar sobre a importância das dinâmicas populacionais para a gestão”, disse.

Um dos aspectos que Baeninger e seus parceiros consideram relevante do ponto de vista social é a criação de políticas contra posturas e atitudes preconceituosas. Segundo a pesquisadora, “os volumes migratórios são muito menores do que já foram no passado. Mas, por se destinarem em grande parte a áreas urbanas, são alvo de mais atenção e, infelizmente, de certo preconceito”.

Esse e outros temas devem seguir na pauta dos órgãos da Unicamp envolvidos no Observatório das Migrações – o próprio Núcleo de Estudos de População, o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas, o Instituto de Economia, a Faculdade de Ciências Aplicadas e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – e de colaboradores externos vinculados à Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Marília, à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e à Faculdade Anhembi Morumbi.

Os títulos dos 12 volumes publicados são: Estado de São Paulo – Regiões Metropolitanas e Polos Regionais; Regiões Metropolitanas; Polos Regionais – São José dos Campos, Sorocaba e Ribeirão Preto; Polos Regionais – Bauru, São José do Rio Preto, Araçatuba e Presidente Prudente; Região de Limeira; Regiões Canavieiras; Retrato Paulista do Censo Demográfico de 2010; Povos Indígenas – Mobilidade Espacial; Migrações Internacionais; Processos Migratórios no Estado de São Paulo – Estudos Temáticos; Imigrantes Internacionais no Pós-Segunda Guerra Mundial; e Região Central.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/17914

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Elza Berquó: Brasil está desperdiçando seu bônus demográfico

  • Demógrafa estuda desencanto de jovens e a gravidez depois dos 30
  • Para uma das maiores demógrafas brasileiras, o país não aproveita a oportunidade única e histórica de educar melhor crianças e jovens para fazer frente aos desafios que virão no futuro com o envelhecimento populacional cada vez mais acelerado
Mariana Timóteo da Costa (Email)
Publicado: 14/09/13 – 19h16
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Aos 82 anos, a demógrafa Elza Berquó, na sede do Cebrap, aonde vai trabalhar diariamente
SÃO PAULO Villanova Artigas projetou um dos mais belos edifícios de São Paulo, o da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Pouco depois, já na ditadura militar, em 1967, o arquiteto construiu a casa de uma das mais respeitadas intelectuais do país: a demógrafa Elza Berquó. Nascida em 1931, em Minas Gerais, é na casa de Artigas, localizada na Zona Sul de São Paulo, que Elza ainda vive, sozinha. Ela não teve filhos e ficou viúva há seis anos, mas cuida de quatro jardins, recebe amigos, lê e assiste ao seu programa de TV preferido: a série inglesa “Downtown Abbey”. Elza divide seu tempo entre a hidroginástica, a casa e o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), onde trabalha de segunda a sexta, “sem hora para sair”. A organização, modelo de pesquisa demográfica na América Latina, foi fundada por ela e outros dissidentes afastados da USP pelo AI-5, como Fernando Henrique Cardoso.
— Tive milhares de convites para me exilar, mas eu preferi ficar no Brasil e fazer uma resistência intelectual, o que tivemos a oportunidade de fazer no Cebrap. Quando a democracia voltou, estava tão feliz aqui que nunca mais voltei à USP — conta a demógrafa, que ainda fundou, em 1982, o Núcleo de Estudos Populacionais (Nepo), na Unicamp, onde vai pouco, porém é parte ativa do corpo de pesquisadores.
Formada em matemática e bioestatística, com mestrado na USP, Elza foi pioneira em usar dados sobre a população para entender transformações no comportamento e na saúde dos brasileiros. O que faz até hoje ao estudar os jovens e a gravidez depois dos 30 anos.
O GLOBO – O IBGE acaba de divulgar novas projeções que mostram que o Brasil passa por um momento único causado pela queda da fecundidade. Com menos crianças e uma parcela ainda não tão grande de idosos, há proporcionalmente mais pessoas em idade de trabalhar e um número menor de dependentes. Mas isso tem prazo para acabar, já que o envelhecimento populacional acontecerá cada vez mais rápido. Estamos aproveitando este bônus demográfico?
 
ELZA – Não, porque, à medida em que você tem menos jovens, deveria ter melhores escolas, mas o jovem está sendo mal aproveitado. Se por um lado a demografia ajuda o emprego no Brasil, porque há muita gente ainda em idade economicamente ativa para preencher os postos de trabalho, é um paradoxo pensar que uma pessoa não necessariamente precisa se educar melhor para ter um salário satisfatório. É um desafio. Não à toa estamos começando a importar engenheiro, médico. E o que fazer quando a população envelhecer?
Ao mesmo tempo, não se pode pensar que todo o mundo deva fazer uma faculdade. Um carpinteiro precisa ter o mesmo respeito e a mesma chance de vida digna do que um engenheiro. Investir em ensino profissionalizante pode ser uma boa resposta para isso.
E essa população de idosos que precisará cada vez mais ser sustentada?
 
A tendência é que as aposentadorias ocorram mais tarde, temos que jogar pra frente a idade de parar. É logico que aí pode haver uma reação do jovem, reclamando que o idoso está tomando o lugar dele. Trata-se de um conflito, mas que precisa ser encarado.
As mulheres vêm tendo cada vez menos filhos. A senhora estuda muito a gravidez depois dos 30. A que conclusões tem chegado?
 
De 2000 a 2010, o peso relativo da fecundidade das mulheres de 30 anos e mais na fecundidade total passou de 28% para 31%, o que é muita coisa, e isso impacta no mercado de trabalho, na indústria gigantesca da reprodução assistida, na adoção. É um fenômeno fascinante, que abre uma série de possibilidades de pesquisa. Estou ainda no início.
A senhora foi ativa na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) do Cairo, em 1994, considerada um marco. Quase 20 anos depois, o que falta avançar?
 
Antes do Cairo tivemos a conferência de 1984 no México, onde foi decretado o crescimento zero da população. Ou seja, a ONU financiou o que pôde para conter o número de nascimentos. Mas o que as mulheres fizeram nesse intervalo? Foram se articulando e mudaram completamente o eixo do Cairo, uma conferência histórica onde deixamos de lado aquela ideia de que país pobre é país onde a mulher tem mais filhos.
No Brasil, há avanços claros como o casamento entre pessoas do mesmo sexo — mas é uma pena que isso não tenha sido aprovado pelo Congresso, e sim pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A pílula do dia seguinte felizmente pode ser usada. Mas a questão do aborto continua, e nisso o Brasil não avançou em nada porque não são todos os hospitais e médicos que interrompem a gravidez mesmo quando a lei permite. E a classe política trata a questão vergonhosamente, com medo de afastar eleitores. Enquanto isso milhares de mulheres morrem por abortos mal feitos.
A senhora insiste há anos que o Brasil atrela pouco a educação à saúde. A pílula do dia seguinte não seria melhor usada se a população feminina fosse mais bem informada sobre ela?
 
Muita gente não toma porque não conhece. E assim chegamos ao projeto “Dar voz aos jovens”, minha menina dos olhos. (O Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e a Fundação Carlos Chagas fazem, desde o ano passado, oficinas de vídeos provocativos com alunos de escolas públicas de São Paulo, em que eles narram experiências e dilemas sexuais). O que a gente vem verificando é que os adolescentes desconhecem coisas básicas da própria fisiologia da reprodução porque não a aprendem em lugar nenhum. Os cursos de pedagogia não ensinam sexualidade, você acredita? Aí ninguém sabe lidar com o adolescente gay, transgênero, com gravidez na adolescência.

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Brasil passa dos 200 milhões de habitantes e população começa a cair em 2043

Número em 2012 era de 199 milhões, segundo dado revisado nesta quinta-feira, 29, pelo IBGE

Luciana Nunes Leal – O Estado de S. Paulo

RIO – O Brasil já tem mais de 200 milhões de habitantes, aponta estimativa do IBGE, que divulgou nesta quinta-feira, 29, a projeção da população até o ano de 2060. Segundo cálculo do IBGE, a população brasileira em 2013 é de 201.032.714 pessoas. A tendência é de crescimento cada vez menor até que a população começará a cair. Segundo estudo divulgado nesta quinta-feira, 29, a população brasileira em 2012 era de 199,242 milhões de habitantes, número acima do anunciado ano passado, de 194 milhões.

Recorde da população, segundo as projeções, será de 228,350 milhões de habitantes, em 2042 - Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE
Recorde da população, segundo as projeções, será de 228,350 milhões de habitantes, em 2042

 

Segundo o IBGE, o número de habitantes vai diminuir a partir de 2043, depois de um período de baixíssimo crescimento, e chegará a 218,173 milhões em 2060. O recorde da população, segundo as projeções, será de 228,350 milhões de habitantes, no ano de 2042.

A queda no número de brasileiros começará mais tarde e será mais lenta do que a estimativa divulgada em 2008, quando o IBGE previa redução do número de habitantes a partir de 2040. Há cinco anos, o IBGE calculou que a população atingiria 215,287 milhões em 2050, enquanto a projeção divulgada agora é de 226,347 milhões de habitantes naquele ano. Também houve mudança em relação à expectativa de vida, que aumentou mais devagar do que o previsto inicialmente. Os brasileiros estão vivendo mais, porém não tanto quando o previsto.

Ao mesmo tempo, a previsão de 2008 era de que o Brasil só bateria a marca dos 200 milhões de habitantes em 2015.

A população brasileira de 2060 voltará ao patamar de 2025, quando o País, segundo as projeções, terá 218,330 milhões de habitantes. No período de 60 anos, entre 2000 e 2060, a população crescerá 25,8%.

O cálculo revisado do número de habitantes de 2000 e de 2010 que consta da atual projeção é diferente, no entanto, dos resultados divulgados anteriormente nos Censos desses dois anos. O Censo 2010 apontou 190,755 milhões de habitantes, enquanto a projeção fala em 195,497 milhões. Segundo técnicos do IBGE, a diferença se deve ao fato de que as projeções são feitas com base em cálculos matemáticos, enquanto o resultado final do Censo reproduz a resposta dos entrevistados.

A queda da população é reflexo da diminuição da taxa de fecundidade (média de filhos por mulher), que já ficou abaixo do nível de reposição (de 2 filhos por mulher) em 2010. Segundo o estudo, a taxa de fecundidade cairá de 1,87 em 2010 para 1,50 em 2034 e ficará neste patamar até 2060.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,brasil-passa-dos-200-milhoes-de-habitantes-e-populacao-comeca-a-cair-em-2043,1069157,0.htm

Veja a publicação completa do IBGE em: http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2455

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PÓS-DOUTORADO

Bolsa de Pós-Doutorado oferecida pelo Programa Nacional de Pós-Doutorado da MEC/CAPES para o projeto “Família, Gênero e Demografia: Limites e potencialidades das fontes de dados brasileiras nos últimos 25 anos”.

balança de gêneros

Inscrições: 17 de junho a 16 de agosto de 2013

Maiores informações clique aqui

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Diálogo sem Fronteira: História da imigração no Brasil, com a Profa. Maria Silvia Bassanezi (NEPO/UNICAMP)

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