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Brasileiras estão tendo menos filhos e engravidam cada vez mais tarde, mostra pesquisa

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que taxa de fecundidade é inferior à de 2,1 filhos por mulher

POR ANDRÉ DE SOUZA, EDUARDO VANINI E FLÁVIA MILHORANCE

A jornalista Flávia Lopes, de 32 anos, deu à luz Rafael há dois meses. Ela preferiu se estabilizar antes de ser mãe Foto: Arquivo Pessoal
A jornalista Flávia Lopes, de 32 anos, deu à luz Rafael há dois meses. Ela preferiu se estabilizar antes de ser mãe – Arquivo Pessoal

BRASÍLIA E RIO – Rafael tem dois meses de vida e é o primeiro filho da jornalista Flávia Lopes, de 32 anos. Casada há cinco anos, ela vive com o marido em Juiz de Fora (MG) e planejou todo o processo para a chegada do bebê. Eles esperaram por mais segurança profissional e financeira. A hora certa veio quando Flávia foi aprovada num concurso público e concluiu o mestrado.

— Havia uma série de etapas profissionais que queria concluir antes de ser mãe — conta. — Além de ter mais estabilidade, pude contar com licença maternidade de seis meses.

Não é apenas Flávia que pondera o momento da gravidez. As mulheres brasileiras estão tendo menos filhos e, quando engravidam, o fazem cada vez mais tarde. O número de nascimentos caiu 13,3% entre 2000 e 2012, quando a taxa de fecundidade foi de 1,77 filho por mulher, contra 2,29 em relação ao período anterior. Além disso, já são 30% das brasileiras que têm o primeiro filho depois dos 30 anos (sendo de 22,5% em 2000). As conclusões são da pesquisa “Saúde Brasil”, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde.

— Os dados estão refletindo duas grandes revoluções do século passado: a feminina, quando a mulher passa a optar pela idade da reprodução; e a da longevidade, com o aumento da esperança de vida — comentou Laura Machado, da ONG HelpAge Internacional.

POPULAÇÃO BRASILEIRA ENCOLHENDO

O estudo mostra que desde 2005 a taxa de fecundidade tem se mantido abaixo de 2,1 filhos por mulher, ou seja, menor do que a necessária para que a população não venha a diminuir no futuro. Além disso, o índice de mulheres abaixo de 19 anos com filhos caiu de 23,5% para 19,2%.

Para a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare Franco Netto, o aumento da idade para ter o primeiro filho indica aspectos positivos, como maiores oportunidades no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, traz algumas preocupações, uma vez que, quanto maior a idade, maior também a dificuldade de engravidar.

— Elas estão buscando uma estabilidade maior para ter seu primeiro filho. Isso mostra um avanço nas oportunidades no trabalho e também na programação da gravidez e no acesso a métodos contraceptivos — exemplifica.

A médica Luciana Nicodemus, de Petrópolis (RJ), seguiu essa linha de raciocínio. Formada aos 26 anos e casada aos 29, ela preferiu esperar um bom momento profissional para engravidar pela primeira vez. No ano passado, aos 36, foi a hora de se preparar para a chegada de Lívia.

— Queria curtir o casamento por alguns anos e estar com a vida mais estabelecida. Ser mãe mais madura é mais fácil. Acho que essa maturidade ajuda a conduzir melhor uma boa educação da criança — avalia, dizendo que ainda planeja mais um filho.

Mas, num país de contrastes e proporções continentais, a tendência não é homogênea. Nas camadas de menor escolaridade e em regiões menos desenvolvidas, as famílias são maiores, e as adolescentes ainda têm filhos por falta de planejamento. A Região Norte está acima da taxa de reposição: 2,24 filhos por mulher, enquanto que a Sul tem a menor taxa: 1,66. As mães com 30 anos ou mais são mais numerosas no Sudeste (34,6%) e no Sul (33,6%). Em seguida vêm Centro-Oeste (28,8%), Nordeste (26,1%) e Norte (21,2%).

Entre as mulheres com 12 anos ou mais de estudo, 45,1% têm o primeiro filho depois dos 30. No faixa de menor escolaridade (até três anos de estudo), 51,4% têm filhos antes dos 20. No grupo entre quatro e sete anos de estudo, o grupo de mães com filhos antes dos 20 chega a 69,4%.

— Mesmo com uma tendência de queda, a América Latina, com exceção da África Subsaariana, ainda tem a maior fecundidade da adolescência no mundo — pondera José Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, lembrando que é alto o índice de gravidezes indesejadas na adolescência, fruto, diz, do pouco acesso a contraceptivos e da baixa educação sexual.

Já Laura Machado, da HelpAge, cobra mais políticas para idosos, visto que a tendência é de envelhecimento:

— A grande questão é: quem vai cuidar de quem? Pois mães mais velhas, que requisitariam a ajuda das avós na criação dos filhos para se manterem no mercado de trabalho, precisarão, ao contrário, cuidar tanto de filhos quanto das mães, já idosas e mais dependentes.

SURTO DE CESÁREAS

Segundo o Ministério da Saúde, esse processo de envelhecimento vai se intensificar, levando à estabilização do crescimento demográfico em duas décadas. A partir daí, as perspectivas são de redução da população do país.

— A população está envelhecendo rapidamente. E isso tem a ver com a taxa de reposição, que está insuficiente — avalia Thereza de Lamare.

Segundo a pesquisa, de cada quatro nascimentos, em três houve pelo menos seis consultas de pré-natal, o mínimo recomendado. Entre 2003 e 2012, o número de consultas cresceu 87%. A pesquisa também mostrou aumento de 47% no número de cesarianas entre 2000 e 2012. Os altos números levaram o ministério e a Agência Nacional de Saúde Suplementar a anunciar há duas semanas propostas para incentivar o parto normal.

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/brasileiras-estao-tendo-menos-filhos-engravidam-cada-vez-mais-tarde-mostra-pesquisa-14398520?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

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Fiquei para tia, oba!

Elas não são mães e estão muito satisfeitas com isso. Quem ganha somos nós, as irmãs. E os sobrinhos, claro.

Por Julia Contier, mãe de João (e tia de Anita e Teresa)

Aquela expressão “ficou pra titia” que sua avó usava de modo pejorativo para se referir às mulheres que não casaram vem ganhando um novo sentido. Segundo dados do IBGE, a porcentagem de casais sem filho no Brasil avançou de 18,8% em 2001 para 21,7% em 2010. Na região Sudeste, o percentual já se aproxima de um quarto dos casais. Nos EUA, 1 em cada 5 mulheres não têm filhos, contra 1 em 10 nos anos 1970, a menor taxa de natalidade da história. O tema ganhou a capa da revista norte-americana Time no mês passado. Com mais gente decidindo não ter filho, quem ganha é…  quem decidiu ter. Claro, porque essas tias por opção estão felizes da vida com os sobrinhos.

Ser tia envolve a parte gostosa de brincar e curtir as crianças e na maioria das vezes não envolve a parte da responsabilidade e dos cuidados. É como ter o melhor da maternidade sem precisar ser mãe. Com as famílias cada vez menores, e os avós menos disponíveis, a tia vem ocupando o papel de segunda mãe. Uma mãe reserva, que cobre a oficial nas horas de aperto, levam e buscam na escola, numa consulta médica, a na apresentação de ginástica olímpica. Como muitas integram a parcela da população com dupla renda e sem filhos (quando casadas), em alguns casos acabam sobrando recursos para ajudar a pagar escola ou cursos extras, garantir aquela viagem. Nos casos em que os pais realmente passam dificuldades econômicas, essa ajuda é fundamental. Mas a participação das tias vai muito além da ajuda financeira. A proximidade afetiva é o mais fundamental. Poder deixar o filho com a tia durante as férias é um luxo.

 

Vem com a titia

Vivianne Souza, filha de Afilomenta e Elielson, que teve dois sobrinhos quase ao mesmo tempo. Com apenas 17 dias de diferença, Murilo e Malu são praticamente primos gêmeos. A avó materna na época não sabia para casa de qual filha ir pra ajudar e acabou levando as duas, e os netos, para passar um tempo na casa de Vivianne, a tia coruja. Foi uma festa só. E ela também entrou na dança, ajudando a cuidar dos bebês.

A ligação com os sobrinhos é tão forte que desde que nasceram, são “dela” por 30 dias (geralmente julho ou janeiro) para que suas irmãs possam ter férias pra si. Por conta disso, e da mudança de endereço da tia, os dois mais velhos  já foram passar as férias em Belo Horizonte, Brasília e São Paulo.

“Ter filhos nunca foi um desejo meu. Amo crianças, mas filho é algo que nunca quis ter. Ser tia pode ser o lado leve da maternidade: tem compromissos, responsabilidades, amor, mas é o lado suave da vida diária com uma criança ou adolescente”, conta Viviane.

Agora que Murilo mora com ela, os papeis poderiam ficar um pouco confusos. Mas, como o sobrinho tem 13 anos, ela diz que a relação já está estabelecida. “O meu papel é reforçar os valores ensinados pelos pais, mas ajudar a pensar e olhar o mundo com outros olhos. Ser amigo, confidente, parceiro não significa concordar com tudo e ignorar o erro ou algum tipo de comportamento ou escolha que terá consequências ruins no futuro deles. Amar significa corrigir, orientar, alertar, gerar entendimento”, explica.

Para a psicopedagoga Raquel Caruso, mãe de Roberto e Rafael, educar é responsabilidade fundamental  dos pais, mas as tias também podem contribuir, desde que respeitando a opinião dos pais, claro. Caso contrário, os conflitos podem surgir, prejudicando o desenvolvimento da criança. É a velha história: assim como o filho pede para o pai deixar jogar videogame quando a mãe já tinha proibido, ele pode usar o mesmo expediente com a tia. Por isso, é importante que os adultos estejam alinhados sempre.

O relacionamento entre tia e sobrinho é baseado na afetividade, cumplicidade e amizade, que vai ajudar naquela fase de transição entre infância e a adolescência, quando é comum o afastamento dos pais e a procura de um confidente. Nada melhor que esse confidente seja alguém que gosta e respeita os pais. Alguém que daria conselhos a seu filho como se fosse filho dela, ou seja, a tia.

Thais Morais, filha de Janete e José, acredita que tenha vocação para o cargo. “Não sou daquelas que só compram o presente e entregam para a criança. Ajudo a montar, brinco junto, faço bagunça, no fim do dia estou exausta”, conta Thais. E esse é mesmo o job description da tia.

Apesar de todo o amor dedicado ao sobrinho, a “tia macaquinha”, como é chamada por ele, diz que se sente aliviada por não ter aquela responsabilidade tão grande quanto a dos pais.

“Acho que esta responsabilidade me assusta, a de ter alguém 100% dependente de mim pelos próximos 18, 20 anos. Essa falta de obrigação faz com que eu consiga aproveitar mais o tempo com ele. Se estou ali é por puro prazer”, diz Thais. Essa é a melhor parte de ser tia.

Só que toda essa cumplicidade tem limite. E aí entra uma dúvida que muitas tias têm… Entre as confidências dos sobrinhos, o que contar para os pais? “Se ele me escolhesse para contar um segredo e fosse algo inofensivo, guardaria para mim.

Mas se o segredo fosse algo sério, algo muito errado que ele tenha feito ou alguma coisa que o colocasse em perigo de alguma maneira, não pensaria duas vezes, contaria sim para os pais”, opina Thais.

 

Família estendida

A interação de crianças com outros contextos além daquele imediato à família nuclear (mãe, pai e irmãos), se positiva, traz muitas vantagens ao desenvolvimento e serve como apoio em situações de crise. Naquela hora em que o convívio com os pais fica complicado, é bom ter um ombro amigo, ter aquela tia que leva ao cinema ou para brincar de fazer a unha.

Francine, filha de Maridê e Waldemar, conhece o sentido literal do conceito de família estendida. Um de seus irmãos tem quatro filhos, com três mães diferentes, e apenas uma filha mora com a mãe. O mais velho mora com os avós e os mais novos moram com ele.

“Costumamos tomar café da manhã, almoçar, ou jantar junto. Frequentemente pego as crianças na escola, às vezes eles dormem comigo. Como as mães moram em Curitiba e no Espírito Santo, tentamos dar uma força pro meu irmão, na medida do possível, embora seja impossível suprir essa falta”, conta Francine.

Na capa da revista Time, o título era “Vida sem filhos: quando ter tudo significa não ter crianças”. Sem o peso do preconceito, as tias sentem que têm tudo mesmo, inclusive crianças.

Fonte: http://revistapaisefilhos.uol.com.br/familia-e-tudo/fiquei-para-tia-oba

Acesse parte da reportagem da Time clicando aqui.

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Sobre o Estatuto do Nascituro

 

Até chegar aos 40 anos, mais de um quinto das mulheres brasileiras terá realizado ao menos um aborto. Muitas vão morrer ao se submeterem ao procedimento em casa ou clínicas clandestinas. Outras vão sofrer sequelas físicas e emocionais irreparáveis. Algumas vão optar por interromper a gravidez pelo simples fato de serem donas dos seus corpos e de suas vidas. Outras teriam direito ao chamado aborto legal, autorizado no Brasil em situações específicas como casos de estupro e risco de morte para a mulher, mas não o farão por falta de informações ou de estrutura adequada para recebê-las. Em 2013, o direito destas mulheres pode sofrer um grande retrocesso se o Congresso Nacional aprovar o polêmico Estatuto do Nascituro.

 

Aborto: prática comum, direito desconhecido

Até chegar aos 40 anos, mais de um quinto das mulheres brasileiras terá realizado ao menos um aborto. A estatística é da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada no ano de 2010 em centros urbanos do país. Trancadas em banheiros ou clínicas clandestinas, elas se submeterão a práticas que, pela falta de assistência médica apropriada e pela escassez de informações isentas de julgamentos morais e religiosos, podem trazer sérias sequelas físicas e psicológicas. Nos três casos em que o aborto atualmente é permitido por lei – gravidez decorrente de estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia – há a possibilidade de busca por assistência médica adequada. Essa possibilidade, no entanto, é desconhecida por muitas brasileiras, devido a falta de divulgação e da estigmatização da prática dentro e fora dos hospitais.

A situação de desinformação e falta de estrutura para receber a gestante que deseja interromper a gravidez em casos específicos pode ser ainda mais desfavorável para as mulheres se o projeto de lei (PL) 478/2007 conhecido como “Estatuto do Nascituro” for aprovado. Este PL, de autoria de Luiz Bassuma (PT-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), passou pela Comissão de Finanças e Tributação e agora será julgado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em sua versão original, classificava como proibida a prática do aborto em qualquer circunstância e tornava o procedimento crime hediondo. Após alterações que reduziram pela metade o número de artigos do projeto, ainda provoca polêmica pela falta de clareza em seus tópicos e pela determinação de que o estuprador, se identificado, pague pensão alimentícia ao nascituro.

Foto de Eugênio Pita, médico
“Muitas mulheres não conhecem os centros de referência ou o direito ao aborto. A falta de informação é nítida. É comum que as mulheres cheguem aos hospitais com a gestação muito avançada porque não sabiam que deveriam procurar o serviço antes ou que sequer saibam que possuem o direito à interrupção legal” – Eugênio Pita, especialista em obstetrícia. Foto: Juliana Leitao/DP/D.A Press

Casos emblemáticos

A menina de Alagoinha


Caso Alagoinha. Foto: Teresa Maia/DP/D. A. Press

Com nove anos, sintomas de subnutrição e 1,30m de altura, uma criança de Alagoinha, agreste de Pernambuco, descobriu-se grávida de gêmeos. O diagnóstico veio no começo de 2009, quando a menina procurou serviços médicos em Pesqueira, município vizinho de sua cidade natal, para tratar de enjoos e vômitos. A gravidez foi resultado do abuso sexual que sofria do padrasto. Por correr risco de vida, foi transferida para o Recife para realização do aborto. A criança foi internada primeiramente no Instituto Materno Infantil (Imip), mas só teve o procedimento realizado após ser transferida para o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam).

Apesar de ter apenas nove anos e não poder consentir legalmente com o ato sexual, sendo o estupro presumido imediatamente, a dificuldade e a polêmica antes e depois da realização do aborto marcaram o caso. A situação gerou protestos de dom José Cardoso Sobrinho, o então arcebispo de Olinda e Recife, que defendia a manutenção da gravidez. Após a realização do aborto, dom José classificou o ato como “crime grave” e excomungou a equipe médica, integrantes de ONG feministas e a mãe da menina, que apoiaram o ato.

Foto de Paula Viana“Acompanhei este caso de perto e vi muitos problemas. Houve negação ao direito legal, dificuldade do acesso ao que já está previsto em lei, além de grande desrespeito a criança e a sua mãe. Divulgar o direito ao aborto legal à população em geral é preciso, mas é preciso também maior divulgação interna, com treinamento e informação dos profissionais da área, para que essas coisas não aconteçam. Às vezes a questão da objeção de consciência é empregada de forma errada e acaba obstruindo ou dificultando um direito garantido por lei”
Paula Viana do grupo Curumim, uma das pessoas excomungadas pelo dom José Cardoso Sobrinho
Foto: Ines Campelo/DP/D.A Press

Roe contra Wade, um marco

Nos Estados Unidos, em 1973, um caso judicial representado por Linda Coffee e Sarah Weddington, advogadas recém-formadas, foi o primeiro no país a despenalizar o abortamento. Roe vem de Jane Roe, pseudônimo de Norma McCovey, a mulher que desejava abortar; Wade de Henry Wade, representante do Estado do Texas, que se opunha ao aborto.

A situação social de Norma McCovey pesou na decisão judicial. Filha de mãe alcoólatra, havia abandonado a escola e já tinha engravidado duas vezes anteriormente: a primeira criança foi criada pela avó, a segunda foi enviada para adoção. Aos 21 anos, engravidou pela terceira vez e decidiu procurar a justiça alegando ter sido estuprada, situação em que o Estado do Texas permitia o abortamento, mas pela falta de provas teve o acesso negado. Procurou também o aborto em uma clínica clandestina, mas esta havia sido fechada pela polícia. Depois das tentativas, foi representada por Linda e Sarah, que decidiram levar seu caso adiante.

A corte deu resultado favorável a Jane Roe, mas a demora no processo fez com que ela levasse a gestação até o final e entregasse o filho para doação. O caso foi, então, levado para Suprema Corte, órgão máximo da justiça estadunidense. Novamente, resultado favorável a Roe. Com o resultado, as leis estaduais que penalizavam a prática do aborto passaram a ser consideradas inconstitucionais e o caso Roe contra Wade provocou uma mudança na legislatura dos direitos reprodutivos do país.

Claudia Pizarro do Chile

Atualmente, o Chile possui uma das legislações de abortamento mais restritivas do mundo. Em 1931 o aborto terapêutico foi permitido, mas o regime militar aboliu o direito em 1989. O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) já expressou preocupação quanto às restrições indevidas que o país impõe, inclusive nos casos de estupro e risco de vida da mulher.

A chilena Claudia Pizarro, 28 anos, descobriu que carregava um feto anencéfalo e, desafiando a legislação do país, solicitou o direito a fazer aborto terapêutico. Na 36ª semana de gestação, entrou com um recurso judicial para solicitar a indução do parto antecipadamente. Sua tentativa gerou discussões sobre o direito a interrupção da gravidez no país, mas não a autorizou a realizar o procedimento. Claudia deu a luz a um bebê que viveu por uma hora e quinze minutos.

Indiana morre na Irlanda

Savita Halappanavar, indiana de 31 anos que vivia na Irlanda, estava grávida de quatro meses quando começou a apresentar sintomas de um aborto espontâneo. A gravidez já havia apresentado problemas anteriormente, e Savita solicitou a realização de um aborto aos funcionários do Hospital da Universidade de Galway, por conta das fortes dores que sentia. Devido à rígida lei sobre abortamentos na Irlanda, em que o procedimento só é permitido nos casos em que existe um risco de vida real para a mulher, a equipe médica não atendeu aos pedidos de Savita.

Sete dias depois de dar entrada no hospital, no dia 28 de outubro de 2012, ela morreu por septicemia, uma infecção generalizada causada por bactérias que infectam o sangue. Seu marido informou à imprensa internacional que a equipe médica disse que “não poderia fazer nada enquanto houvesse batimento cardíaco do feto” e que a Irlanda era “um país católico”.

A morte de Savita gerou protestos na Irlanda e na Índia, com a população exigindo mudanças nas leis sobre direitos reprodutivos. Devido à polêmica, foi aberta investigação sobre o caso e o Governo Irlandês prometeu debater as leis do aborto e analisar possíveis mudanças.

Fonte e mais informações: http://hotsites.pernambuco.com/2013/aborto-no-brasil/index.shtml

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Mapping children’s chances

The biggest ever global picture of children’s well-being, education and family life has been assembled into a series of maps by the University of California, Los Angeles. “When you look at a map, everyone’s eyes go straight to where they live,” says Dr Jody Heymann, director of the university’s World Policy Analysis Centre. In the US, they might be surprised to see how unusual it is not to have a statutory right to maternity pay.

Paternity leave

There is plenty of information published about childhood and families, says Dr Heymann. “But with immense respect, much of it’s unusable, no one is going to read the reports.” But putting information into maps gives citizens the type of instant overview usually only available to academics or governments, she says. “It shows what can be achieved.” Here is a small selection of dozens of maps produce by the UCLA team.

Paternity leave

The maps can challenge what is considered to be usual or acceptable, by showing what happens in other countries, say the researchers. This map shows how few countries ensure the legal right of an education for children with disabilities.

Disabled right to education

Source and more information: http://www.bbc.co.uk/news/business-22688596

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¿Es posible tener una familia numerosa?

Publicado junio 7, 2013 

numerosa

Son pocos los que hoy apuestan a una “familia de muchos”. Crecen las de un solo hijo y en Brasil se disparó el fenómeno de las mujeres sin hijos. Por qué la sigla TGF (Tasa Global de Fecundidad) será la clave del futuro

A pesar de que las estadísticas globales no ayudan a impulsar las familias numerosas, el Papa Francisco cree que es la “llave maestra” para sanar la sociedad.

Es que el debate alrededor de las familias numerosas es interesante y difícil de precisar porque la “foto social” está muy polarizada en el caso argentino .

Para la Organización Mundial de la Salud (OMS) las familias con 4 hijos o más son consideradas numerosas, y en algunos países la línea divisoria empieza con tres hijos porque ya rompen con el standard de la familia tipo (dos hijos).

En nuestro país hoy, la mayor cantidad de familias numerosas se encuentran en las dos puntas de las pirámide social: familias de clase baja por debajo de la línea de pobreza y en el “techo”, el segmento de clase alta.

Una foto que hoy parece lejana, pero ¿quién no tuvo o tiene un abuelo o abuela con más de 5 hermanos?

Según las cifras del último censo de 2010 lo que está en jaque en la Argentina y en el resto del mundo es la tasa global de fecundidad (TGF), una sigla que será la clave para comprender el futuro .

La pirámide de población argentina (Censo 2010) confirma la tendencia al aumento de la población adulta mayor y, a la vez, da cuenta de menores niveles de natalidad.

En la región, la Argentina integra junto a Chile, Cuba y Uruguay, el grupo de países con una transición demográfica avanzada, caracterizada por poblaciones con natalidad y mortalidad moderada o baja, lo que se traduce en un crecimiento natural bajo, del orden del 1%.

De acuerdo con los últimos datos ofrecidos por el Ministerio de Salud junto a las proyecciones de población de mujeres por edades del INDEC, la tasa global de fecundidad (T.G.F) en 2009 en la Argentina se ubica en los 2,36 hijos por mujer, valor por encima del límite del reemplazo generacional (2,1 hijos por mujer). Históricamente la Argentina tuvo tasas menores de fecundidad comparada con otros países de América Latina.

La T.G.F de la Provincia de Buenos Aires ronda los 1,9 hijos por mujer, (por debajo del nivel de reemplazo), siendo la única jurisdicción del país que ostenta este fenómeno.

La mayoría de las provincias del noroeste y noreste argentino (Chaco, Corrientes, Formosa, Jujuy, Misiones, Salta, San Juan,Santiago del Estero y Tucumán) según el censo 2010 demostraron que mantienen tasas de natalidad por sobre el promedio nacional, sin embargo, sus poblaciones han experimentado una fuerte emigración hacia centros urbanos como GBA.

La tapa de la revista Veja es contundente. En Brasil, hay una franja creciente de mujeres entre 30 a 45 años que decidieron decirle NO a la maternidad. Toda una decisión basada en que prefieren poner su energía y expectativas de futuro alrededor de su carrera profesional.

Y aquí el nodo del problema: “las sociedades con menos niños y más viejos es un fenómeno irreversible”, declaró el especialista en Demografía checo Tomás Sobotka a la revista Veja y uno de los responsables del Instituto de Demografía de Viena.

No veo ninguna razón que estimule a los hombres y mujeres de hoy a tener muchos hijos, explica SobotkaEn las próximas dos o tres décadas es muy probable que los países africanos lleguen a dos hijos por mujer contra la media actual de cinco. Deberemos adaptarnos a una nueva realidad demográfica” .

En algunos países de Europa, lo que provoca la declinación poblacional tan marcada es la conjunción de dos factores demográficos: los pocos nacimientos y mucha gente dejando el país al mismo tiempo. Y esto ocurre en una franja estratégica entre los 18 y 25 años que son los “formadores de familia”. Algo muy manifiesto en países como Bulgaria, Hungría, y Ucrania post caída del muro.

“Las políticas económicas que brindan seguridad y estabilidad son mucho más efectivas que las campañas pro-natalidad, que ya implementaron países como Japón o Australia, entre otros”, precisa Sobotka.

Los González

La decisión de formar una familia numerosa está atravesada por varios condicionantes: y pesa más el deseo ideológico-conceptual de elegir un grupo familiar grande , que la decisión económica vinculada al miedo de los padres a no poder asumir un futuro próspero y digno para sus hijos.

El caso de la familia argentina González es representativo de que cuando se quiere se puede: ellos son papá Mario y mamá Luciana y tienen 5 hijos, de 15, 13, 10, 5 y 2 años.

Ella es nacida en la Ciudad de Buenos Aires y él en Vicente López, “de toda la vida”. Desde que se casaron ambos querían fundar una familia numerosa y justamente por eso iniciaron su vida familiar en la zona Norte, cerca de los padres de Mario, con más espacios verdes y con la opción de comprar una casa y no vivir en un departamento.

Ambos son odontólogos recibidos en la UBA y con consultorio propio. Viven bien, sin estridencias y llegan justo a fin de mes. Lo que más han desarrollado es el ingenio y conocen perfectamente sus limitaciones.

Algo fundamental en el caso de los González es que cuentan con la ayuda de los abuelos,  “sino sería absolutamente imposible”, decreta Luciana.

La clave de la economía familiar fue la toma de algunas decisiones  que los ayudan a vivir una vida plena: “Elegimos enviar a los chicos a colegios públicos. Comemos eventualmente afuera, y apostamos a una casa grande para que todo ocurra allí: cumpleaños, grupos de estudio, cenas familiares; reuniones; esto aunque parezca mentira nos hace ahorrar mucho dinero, explica papá Mario.

El otro gran tema son las compras del supermercado, hacemos un delicado equilibrio entre una compra mayorista y lo diario. Hemos ido al Mercado Central y a veces nos juntamos con mis padres y suegros y compramos para todos, dice Mario.

“Vivimos sin tiempo y enloquecidos pero somos felices. A veces nos angustiamos mucho porque se siente que no damos a vasto con toda la responsabilidad, pero es fundamental haber creado un grupo familiar solidario”, dice mamá Luciana.

Sobre la crianza

En las familias numerosas hay una reflexión importante acerca de cual es el lugar de la crianza, cuales son sus desafíos. Hay que desarrollar habilidades para atender las múltiples demandas de cada uno de los integrantes de la familia.

“En una familia de muchos, hay que establecer prioridades, diferenciar lo importante de lo urgente. Jerarquizar los problemas y las actividades. Ayuda mucho el hecho de establecer rutinas para facilitar “las vías”, para que las cosas fluyan de manera organizada, explica la Licenciada Andrea Baldantoni, especialista en niños, adolescentes y familia.

El tiempo es un bien escaso, por ende hay que establecer un manejo adecuado para que todos puedan “disfrutarse y tenerse”.

¿Cuáles son los riesgos de una mala administración del tiempo y energía en una familia numerosa? el stress en los padres y muchas veces de otros integrantes de la familia. Este se produce cuando la demanda externa es superior a lo que yo puedo enfrentar, razona Baldantoni.

Se valora también una buena red de soportes: la familia si se tiene la suerte de tenerla cerca o también un grupo de profesionales para estar cubiertos frente a las mini situaciones de crisis o emergencia: pediatra, dentista por ejemplo.

Es importante que en la familia prime el criterio de cooperación y solidaridad familiar, esencial para lograr una identidad familiar cohesionada y que permita ponerse en el lugar del otro“, concluye la especialista.

 

Fonte: http://www.diariovictoria.com.ar/2013/06/es-posible-tener-una-familia-numerosa/

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Demography in Latin America: Autumn of the patriarchs

Traditional demographic patterns are changing astonishingly fast

ANA CAROLINA BELCHIOR’S grandmother never worked outside her home. With six children to look after, she hardly had the time. Ms Belchior’s mother was a teacher in São Paulo, like her daughter, but her life’s ambition was to have a family. She married at 22, and bore the first of her four children immediately. “I did think about starting a family when I was just 21 or 22,” says Ana Carolina, “but it was a dream, not a concrete plan…the main thing was I wanted a career.”

Now 30 and married for two years, she, like most of her friends, is still “scheduling” her first child. “My grandmother did everything for her husband…[my mother] survived and accepted many things. But it’s much easier nowadays for women of my age and educational profile [she has a master’s degree] to insist on proper behaviour from men. We don’t have to accept machismo and sexism.”

Ms Belchior’s family traces the demographic history of a continent. According to new research (see sources below) by Albert Esteve and others at the Universitat Autònoma de Barcelona, Latin America is racing down a path from early marriage and large, traditional families to late marriage and postponed child-bearing. This transition took rich countries 50 years, with changes occurring in sequence. In Latin America the changes have happened in half that time and all at once, resulting in faster, less predictable social change.

When countries start to develop, their population patterns shift in two ways. First, they move from high birth rates and early mortality to low birth rates and longer life expectancies. During this process, the population at first grows rapidly, and then more slowly. The main indicator of the slowdown is a fall in fertility. Latin America is well advanced along this first demographic shift.

Brazil’s fertility rate is now 1.8 children per woman. Chile’s is the same (see article). This is below the replacement rate of fertility (2.1, which stabilises the population in the long run). It is also lower than in the United States, where the rate is 1.9. Latin America and the Caribbean saw its fertility rate fall from almost 6.0 in 1960 to 2.2 five decades later. In the United States and Europe that fall took twice as long.

Now the continent is starting on a second shift. As families get smaller, other changes begin, including divorce, delayed marriage, cohabitation and mothers having children when they are older. In Europe and America this second set of changes got under way once the fertility decline had mostly run its course. In Latin America, in contrast, cohabitation and later births are booming while fertility rates are still falling. This is accelerating the fertility fall; it may also lock it in at a lower level.

Cohabitation has long been common in the Caribbean basin, partly because of the legacy of African slavery. Elsewhere cohabitation was rarer. In 1970 less than 10% of Brazilian and Uruguayan women aged 25 to 29 who were in a partnership said they were cohabiting. By 2010, half of late-20s Brazilian women were cohabiting, while the proportion in Uruguay was 71%. Most countries are heading for cohabitation rates of two-thirds and above—more than in Asia and much of Europe.

The change has been led by women with less education and is happening despite the spread of female literacy. In Brazil and Costa Rica, cohabitation rates are over 50% for women with only primary education but below 30% among university graduates. Cohabitation begins by establishing itself among the least-well educated, then spreads to those with more schooling: a bottom-up diffusion. In contrast, the delay in child-bearing begins with university graduates and spreads down. Between 1970 and 2000, around 30% of Brazilian women aged 25 to 29 were childless; by 2010 the proportion had risen to 40%. In Peru childlessness among women of that age group rose from 26% in 1993 to 33% in 2007.

In almost all Latin American countries, childlessness among young graduates is twice what it is among women with only secondary education, a common pattern in East Asia and Europe, too. The more education a woman has, the more likely she is to postpone having a child. But where fertility rates have fallen furthest and cohabitation has risen fastest—Brazil, Chile, Peru and Uruguay—the postponement of child-bearing is spreading to women with secondary education, as well.

Europe, North America and East Asia all experienced fertility declines before the second round of population changes (cohabitation and delayed births). This meant they reaped their so-called “demographic dividend” first (this is the economic boost that comes when the size of the labour force rises relative to the rest of the population). That helped them create richer societies with more extensive social services before the costs of ageing kicked in. Latin America is different: it is cashing in its demographic dividend now, but is still struggling to create good education systems and establish universal welfare. Trying to do everything at once is harder. Without good schools, the bulge of people entering the workforce will not have the skills they need. Without universal social insurance, countries will struggle to look after the rising number of pensioners who will start to appear in a few years’ time.

Sources

The ‘Second Demographic Transition’ features in Latin America: the 2010 Update“, Centre d’Estudis Demografics
The Latin American Cohabitation Boom“, Population and Development Review, March 2012
The Family Context of Cohabitation and Single Motherhood in Latin America“, Population and Development Review, December 2012
Disentangling how educational expansion did not increase women’s age at union formation in Latin America from 1970 to 2000“, Demographic Research, January 2013
All by Albert Esteve, Ron Lesthaeghe and co-authors: Joan García-Román, Antonio López-Guy, Luis Ángel López-Ruiz and Jeroen Spijker.

Source: http://www.economist.com/news/americas/21578710-traditional-demographic-patterns-are-changing-astonishingly-fast-autumn-patriarchs?frsc=dg%7Ca

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Filhos? não, obrigada

Publicado na Revista Veja – seção Comportamento, página 114-122, no dia 26 de maio de 2013

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