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Abertas as inscrições para o minicurso de Análise de Dados Qualitativos com ATLAS TI

LOCAL: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) UNICAMP

Sala: IH 02 (Prédio – salas de aula da graduação)

Data: 24 e 25 de agosto

 No âmbito do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo, o curso buscará oferecer perspectiva e ferramentas para potencializar a análise do material qualitativo coletado a partir de entrevistas, observação e anotações.

Para tanto, partiremos de uma discussão metodológica, baseada na polarização entre duas perspectivas. De um lado, aqueles que compreendem fornecer que a investigação deve ser sempre exploratória, descritiva e indutiva. De outro, os que acreditam que mesmo com “Small N“, os métodos qualitativos podem ser dedutivos e prover explicações de cunho causal. Esse embate se reflete na forma como as pesquisas são organizadas, e também nos procedimentos de análise do material produzido. Para ilustrar alguns aspectos dessa polarização, veremos duas abordagens que representam bem essas diferenças: (1) a Grounded Theory e (2) a Análise de Conteúdo.

Veremos como a leitura e a interpretação podem ser complementadas com técnicas de codificação, fragmentação e cruzamento. Além disso aprenderemos a produzir indicadores quantitativos simples sobre o texto para a identificação de regularidades e diferenças.

Público-alvo: Pesquisadores, professores e alunos que trabalham com pesquisa qualitativa e desejam conhecer um pouco mais sobre teorias e técnicas de análise textual. Além disso, aqueles que possuem uma grande (ou razoável) quantia de material qualitativo podem se servir bem da praticidade e sistematicidade provida pelos softwares que utilizaremos.

Número de vagas: 25

Inscrições: Clique aqui

 

PROFESSORA CONVIDADA

Monise F. Picanço é doutoranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo, tendo concluído o mestrado e a graduação em Ciências Sociais nessa mesma universidade. Desde o mestrado, tem versado sobre temas caros a Sociologia Econômica, com enfoque em mercados. É pesquisadora associada ao CEBRAP desde 2006, tendo também passado pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) entre 2010 e 2017. Em sua trajetória enquanto pesquisadora vêm trabalhando nas áreas de educação, desigualdade, políticas públicas e mercado de trabalho e se especializando nos estudos de metodologia, com interesse em técnicas qualitativas e quantitativas. Lecionou o curso “Análise de dados qualitativos com o uso de Atlas.ti” em diversos lugares, entre eles a iniciativa Metodológicas CEM, na Universidade de São Paulo, e no Programa Intensivo de Metodologia Quantitativa (MQ), do Centro de Pesquisas Quantitativas em Ciências Sociais (CPEQS), da UFMG.

 

PROGRAMAÇÃO

24-08

10h:00 – 12h:00 Recepção dos inscritos e introdução à teoria da análise de conteúdo – Profa. Dra. Lidiane Maciel e Profa. Rosana Baeninger

14h:00 –  18h:00 – Apresentação do Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

25-08

09h:00 – 12h:00 – Tratamento de dados qualitativos Software Atlas TI – Profa. Ms. Monise Picanço

 

ORGANIZAÇÃO:

Profa. Dra. Rosana Baeninger

Profa. Dra. Lidiane Maciel.

Informações: lidiani.maciel@gmail.com

 

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Mais da metade da população vive em 294 arranjos formados por contiguidade urbana e por deslocamentos para trabalho e estudo

por Comunicação Social/IBGE
25 de março de 2015

Mais da metade da população no Brasil (55,9%) residia, em 2010, em municípios que formavam os arranjos populacionais, ou seja, agrupamentos de dois ou mais municípios com forte integração populacional, devido aos movimentos pendulares para trabalho ou estudo, ou à contiguidade entre manchas urbanas. Isso representava 106,8 milhões de pessoas em 294 arranjos, formados por 938 municípios. Deslocavam-se, entre os municípios do próprio arranjo a que pertencem, 7,4 milhões de pessoas, por motivo de trabalho e/ou estudo. Levando-se em conta que 27 arranjos são fronteiriços, ou seja, formados também por unidades político-administrativas em outros países, o número de residentes totalizava 107,7 milhões.

É o que revela o estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil”, que mostra, ainda, o Sudeste com o maior número de arranjos (112), que englobam 72,0% da população da região (57,8 milhões) e o Norte com o menor número (17), envolvendo 23,5% da população local (3,7 milhões). Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Palmas (TO) são as únicas capitais estaduais que não formam arranjos populacionais. As cinco maiores concentrações urbanas eram “São Paulo/SP” (19,6 milhões de habitantes), “Rio de Janeiro/RJ” (11,9 milhões), “Belo Horizonte/MG” (4,7 milhões), “Recife/PE” (3,7 milhões) e “Porto Alegre/RS” (3,6 milhões).

As concentrações urbanas se caracterizam por forte deslocamento para trabalho e estudo entre seus municípios. Nas duas maiores, os deslocamentos envolvem mais de 1 milhão de pessoas. É o caso de “São Paulo/SP”, com 1.752.655 pessoas se deslocando entre seus municípios, e do “Rio de Janeiro/RJ”, com 1.073.831. Os maiores fluxos ocorrem entre os municípios de Guarulhos (SP) e São Paulo (SP), Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ), Duque de Caxias (RJ) e Rio de Janeiro (RJ) e entre Osasco (SP) e a capital paulista.

Apesar de separados por aproximadamente 430 quilômetros de distância, o eixo Rio de Janeiro – São Paulo apresenta um movimento de 13,4 mil pessoas entre seus arranjos, 57,7% delas se deslocando somente em função do trabalho e 40,5% somente devido ao estudo. Da mesma forma, a ligação entre os arranjos de “Goiânia/GO” e “Brasília/DF” promovia um fluxo de 8,8 mil pessoas.

Além de possibilitar um maior conhecimento da realidade urbana brasileira, o estudo fornece subsídios adicionais para a elaboração de políticas públicas, assim como, estimula a parceria entre os municípios envolvidos. É possível acessar a íntegra do estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil” no link abaixo:
http://goo.gl/aWGSfy.

Fonte: http://goo.gl/jFjP6U.

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Pnad: mulheres são maioria entre pessoas com mais de 60 anos

Aliny Gama e Paula Bianchi
Do UOL, em Maceió e no Rio


É difícil encontrar a aposentada Anita Barros em casa. Aos 78 e viúva, ela mora sozinha, participa de grupos da terceira idade, toca violão e flauta e ainda arruma tempo para sair com as amigas. Anita faz parte do novo perfil de idoso identificado pela Pnad 2013 (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios), que mostra um Brasil cada vez mais velho e feminino. As mulheres representam hoje a maior parte das pessoas de 60 anos ou mais. São 14% (14.563 milhões de indivíduos), contra 11,8% dos homens (11,5 milhões) Beto Macário/UOL

É difícil encontrar a aposentada Anita Barros em casa. Aos 78 e viúva, ela mora sozinha, participa de grupos da terceira idade, toca violão e flauta e ainda arruma tempo para sair com as amigas. “Gosto de receber minhas filhas, genros e netos em casa para almoço, mas também passeio com minhas amigas e gosto de viajar”, diz a moradora de Maceió.

Até os 62 anos, apaixonada por dançar, a moradora de Maceió (AL) ia todos os anos para o Carnaval de Salvador (BA). “Minhas filhas deixaram de me levar, mas mesmo assim eu gosto de dançar e vou para as festas da terceira idade”, afirma a aposentada, que tem quatro filhas, oito netos e um bisneto.

Anita faz parte do novo perfil de idoso identificado pela Pnad 2013 (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios), divulgada na manhã desta quinta-feira (18), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostra um Brasil cada vez mais velho e feminino.

Apesar de nascerem mais meninos – em 2013, 7% da população brasileira era composta de crianças entre 0 e 4 anos eram do sexo masculino contra 6,2% do sexo feminino na mesma idade –, as mulheres representam a maior parte das pessoas de 60 anos ou mais. São 14% (14,5 milhões de indivíduos), contra 11,8% dos homens (11,5 milhões).

Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa, atribui esta diferença, entre outros fatores, à menor taxa de mortalidade feminina em acidentes e ao fato de homens estarem mais sujeitos à violência. No entanto, ela prevê mudanças.

“Temos percebido um aumento no número de doenças associadas ao estresse, hoje mais comuns aos homens, entre as mulheres, o que pode fazer com que essa diferença diminua”, afirma.

Para a carioca Lucinda Correia Loureiro, 70, a imagem da mulher idosa que fica em casa e não tem atividades está ultrapassada. “Mexer como o jovem se mexe é meio difícil, mas faço tudo sozinha”, diz.

Aposentada, ela se divide entre o trabalho voluntário, cuidar do neto e sair com os amigos e faz questão de usar o tablet e o computador para se manter atualizada. “Aqui na Tijuca [bairro da zona norte do Rio de Janeiro] tem velho para caramba e estão todos na rua.”

A pesquisadora Maria Lúcia lembra ainda que o aumento no número de idosos é uma tendência observada há bastante tempo. Assim a pirâmide etária brasileira caminha para ter uma base cada vez mais estreita e o topo mais largo.

Nos últimos dez anos, a população com 60 anos ou mais pulou de 9,7% do total de brasileiros em 2004 (17,7 milhões) para 13% em 2013 ( 26,1 milhões). O aumento é equivalente à população do Ceará, segundo dados do Censo 2010.

O Sul do país é a região com o maior número de pessoas com 60 anos ou mais – eles representam 14,4% da população (4,1 milhões de pessoas), contra os 8,8% da região Norte (1,5 milhão), que tem a população mais jovem.

Intervalo de confiança

Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela Pnad estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado “erro amostral”. Segundo o IBGE, não há uma margem de erro específica para toda a amostra. Para a Pnad 2013, foram ouvidas 362.555 pessoas em 148.697 domicílios pelo país.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/09/18/pnad-mulheres-sao-maioria-entre-pessoas-com-mais-de-60-anos.htm

Saiba mais sobre os resultados da PNAD 2013 diretamente no site do IBGE: http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2722

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Temerosa com seca, população de SP investe em tambores e caixas d´água

Comentário:

Segue abaixo a notícia publicada no portal do IG “Temerosa com seca, população de SP investe em tambores e caixas d´água”. Chamamos a atenção do público do Blog Demografia Unicamp para três aspectos: 1) O armazenamento de água nas residências pode impelir à disseminação de doenças já endêmicas em São Paulo, como é o caso da dengue. O aumento de reservatórios de água nas residências potencializa o número de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Portanto, não seria de se espantar que haja nos próximos meses novas epidemias de dengue, tão ou mais importantes como as que assolaram o estado nos primeiros meses de 2014. Além disso, 2) a notícia não problematiza algo fundamental: cerca de 62% do consumo de água no Brasil direciona-se à produção agrícola, 20% à atividade industrial, enquanto o uso doméstico representa apenas 18% do consumo total de água no país, segundo dados de 1998-2002 provenientes do AquaStat citados por Carmo et al. (2007). Assim, depositar na população a responsabilidade por “resolver” o problema da seca ao economizar água em suas residências é errôneo e certamente atitude de má fé. Por fim, e não menos importante, é preciso considerar que 3) para vários municípios paulistas como Sumaré, Elias Fausto, Mairiporã, Várzea Paulista, Mombuca e Morungaba, destacam-se os altos índices de perdas, superiores a 50%. Ou seja, mais da metade da água produzida se perde no caminho, antes de chegar às residências! (Carmo et al., 2014). Essa questão das perdas no sistema de adução é uma das dificuldades a serem enfrentadas com investimentos por parte das empresas responsáveis pelo abastecimento público. Entretanto, os investimentos exigidos são vultosos, e nem sempre estão entre as prioridades das empresas. Leia-se, então, a notícia abaixo, levando em consideração os três aspectos críticos evidenciados.

Levantamento de fabricantes e revendedoras indica aumento de mais de 100% na venda de produtos para estocar água
Desde pequena, Alda Novack aprendeu com o pai, no interior do Paraná, a importância de se economizar água. Há mais de 50 anos, o que utiliza para lavar roupas no tanque é mais tarde reaproveitado para limpar quintal e banheiro; a manutenção das plantas do jardim particular é feita com as sobras da lavagem de frutas e verduras. Entretanto, o temor de ficar totalmente sem o recurso devido à crise de abastecimento dos reservatórios Cantareira e Alto Tietê nos últimos meses a levou a buscar novas alternativas para o dia a dia.

Moradora de uma região que há meses convive com um racionamento não-anunciado todas as noites – o Jardim Damasceno, na zona norte da capital paulista -, a aposentada de 67 anos investiu há exatamente duas semanas cerca de R$ 110 na compra de dois grandes tambores com capacidade de 225 litros cada. Os reservatórios se juntam a outros já mantidos por dona Alda na residência onde vive com dois filhos, uma neta e uma nora, como baldes velhos e duas caixas d´água com capacidade total de armazenamento de mais de 800 litros.

“Comprei os tambores por sentir um medo verdadeiro de que as represas venham a secar. Fico desesperada vendo as notícias diariamente sobre a atual situação da água em São Paulo”, diz Alda. “Os tambores só serão usados em caso de necessidade extrema mesmo. Aquele que enchi está tampadinho. Espero não precisar usá-lo, mas, do jeito que as coisas andam, ele pode ajudar a família a passar tranquila por alguns dias difíceis.”

Dona Alda não é nem de longe um caso isolado. Em toda a Grande São Paulo tem havido sensível aumento na procura de produtos que ajudem a população a amainar os problemas causados por um possível desabastecimento na região – e, claro, para lidar com os próprios racionamentos, oficialmente rechaçados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mas já em voga em diversos bairros da cidade e municípios de seu entorno.

Uma das maiores redes de lojas de materiais para construção da região sudeste do País, a Telhanorte registrou, apenas no primeiro trimestre de 2014, um aumento de 150% nas vendas de caixas d´água de maior litragem – entre 1.500 e 2.500 litros – no Estado. A tendência é corroborada por dados Tigre e da Fortlev, principal fabricante do recipiente no País, que desde fevereiro precisou passar a usar as fábricas de Santa Catarina, Bahia e Espírito Santo para suprir o recrudescimento da demanda na população paulista.

“Muitas pessoas aproveitaram o atual momento de crise hídrica para realizar a troca da caixa d’água em sua residência, optando por modelos maiores ou até mesmo adquirindo um reservatório a mais para se precaver de possíveis racionamentos ou faltas de água”, explica o diretor de marketing e compras da Telhanorte, Juliano Ohta. “É um cliente que faz parte de uma crescente demanda de consumidores conscientes, que buscam alternativas ecoeficientes para promover a economia de água, sobretudo na capital paulista.”

seca

Sistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

O aumento do uso dessas alternativas acompanha a tendência diária de queda dos volumes dos principais reservatórios que abastecem a população. Principal sistema de captação e tratamento de água do Estado – além de o maior da América Latina -, o Cantareira registrava, nesta sexta-feira (25), apenas 16,4% de sua capacidade de armazenamento, responsáveis por abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas (até o início do ano eram 8,8 milhões, parte deles transferidos para outros sistemas devido à crise).

E isso somente graças ao volume morto, reserva técnica localizada sob as comportas de captação dos reservatórios cujo conteúdo, bombeado desde maio, compõe hoje todo o conteúdo do Cantareira. Segundo especialistas consultados pelo iG, se a estiagem prosseguir e o governo do Estado não propuser alternativas para racionar o recurso, o Cantareira pode secar ainda em meados de outubro – mesmo caso do Alto Tietê, atualmente com 21,8% de volume disponível para as 4,5 milhões de pessoas abastecidas por ele, mas que, no entanto, não possuí volume morto significativo para uma emergência.

Outras alternativas buscadas por consumidores para evitar a escassez foram a busca por cisternas e calhas para a captação de água da chuva, produtos que também viram um grande crescimento em suas vendas do início do ano para cá. Entretanto, assim como ocorre nos reservatórios da Sabesp, a estiagem atual acaba também por afetar a eficiência dessas opções. É o caso para o comerciante Nelson Kocman, 58 anos, que possuí uma residência e uma loja no mesmo imóvel localizado na região central de Caieiras, abastecida pelo Cantareira.

“Há pelo menos dez anos, desde que vivo aqui, sempre captei água da chuva da calha do telhado, afinal ela vem de graça, do céu. Também comprei tambores para armazenar um volume maior. Mas ultimamente está difícil, porque simplesmente não chove”, lamenta ele. “Todas as noites falta água aqui. Por isso, durante o dia já abasteço minhas caixas d´água, duas de 500 litros e uma de 250 litros, e garanto o uso para mim e para a minha mulher. Só terei problemas mesmo se a Sabesp parar de distribuir por uns três dias. Aí fico na seca também.”

Apesar do temor de muitos, uma boa parcela da população parece ainda não ter tomado consciência da gravidade da situação hídrica na capital paulista e em seu entorno. Ao menos é o que observa dona Alda ao atravessar o portão de sua casa e ver o comportamento de vizinhos e amigos. “Você olha aqui no fim de semana e tem gente lavando carro, moto e até a calçada com mangueira, como se nada estivesse acontecendo. É uma enorme falta de consciência”, avalia ela. “Meu filho fala que eu economizo água demais. Mas estou acostumada a isso. E, sinceramente, espero que outros sigam esse exemplo também.”

Por David Shalom , iG São Paulo

 

Referências citadas no comentário:

CARMO, R. L.; OJIMA, A. L. R. O.; OJIMA, R.; NASCIMENTO, T. T. Água virtual, escassez e gestão: o Brasil
como grande “exportador” de água. Ambiente e Sociedade, v. X, p. 83-96, 2007.

CARMO, R. L.; ANAZAWA, T. M.; JOHANSEN, I. C. Seca nas Metrópoles: materialização de um desastre anunciado. Cadernos de trabalho da Rede Waterlat, 2014.

 

Fonte da notícia:

Portal IG (http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2014-07-25/temerosa-com-seca-populacao-de-sp-investe-em-tambores-e-caixas-dagua.html)

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Data Zoom

“O Data Zoom é um portal que disponibiliza gratuitamente ferramentas que facilitam o acesso de pesquisadores do Brasil e do exterior aos microdados das pesquisas domiciliares do IBGE. Ao longo dos últimos anos, tem sido notável o sucesso do IBGE na disseminação dos dados individuais de suas pesquisas domiciliares. No entanto, são raros os pesquisadores que dispõem dos meios para operacionalizar sua utilização.

O objetivo do Data Zoom é preencher essa lacuna, disponibilizando programas de acesso aos Censos (1970-2010), PNADs (desde 1981), PMEs (desde 1991), POFs (desde 1995) e ECINFs (1997 e 2003). O portal fornece pacotes escritos em STATA que permitem a leitura dos dados originais e várias opções para gerar as bases de dados desejadas. A ideia é possibilitar um maior conhecimento da realidade sócio-econômica do país, o que é fundamental para aperfeiçoar o desenho e a execução de políticas públicas.”

Conheça mais o projeto e o material disponibilizado pelo site: http://www.econ.puc-rio.br/datazoom/

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Carta a um jovem doutorando

Por Karina Kuschnir.

autoretrato2008p

Querido amigo,

ontem nos encontramos e você estava tão abatido, falando em desespero, Rivotril, caos… Não, eu não pensei que você estava fraco ou incapaz… Ao contrário: te ver me fez voltar no tempo, aos meses que antecederam a minha defesa de doutorado e ao estado em que cheguei naquela época. Quando o pior passa, é fácil a gente esquecer. Mas não esqueci. Vou te contar.

Em primeiro lugar, a culpa não é sua! É do seu orientador, claro. Tem dois tipos, os dois irritantes: aquele que não sai do seu pé, que não pára de cobrar os próximos capítulos ou mandar refazer os anteriores; e aquele que não está nem aí, que não lê nada que você entrega e ainda resolve viajar quando você mais precisa dele.

O meu era do primeiro tipo, e o meu sofrimento começou quando ele resolveu marcar a defesa da tese com seis meses de antecedência. Bem no momento em que eu não via luz no fim do túnel nem o próprio túnel! Aquele prazo (e tudo que ele significava) teve vários efeitos sobre mim.

O primeiro foi o “efeito paralisante”: toda vez que eu sentava para escrever, só conseguia pensar em assistir Friends… Esse é um dos meus sintomas típicos nos momentos de fuga. Passo a adorar coisas que normalmente odeio: comer pipoca cor-de-rosa, ver novela antiga na hora do almoço, inventar uma faxina geral nas tralhas da casa.

O segundo foi o “efeito obsessão-pelas-leituras-que-eu-não-fiz”: você passa a procurar por todos aqueles textos que tem certeza de que xerocou (ou que salvou em PDF). Você se convence de que os rumos da sua tese dependem de algum autor que você não leu, de algum artigo que estava em algum lugar mas você não se lembra.

O terceiro foi o “efeito preciso-organizar-mais-os-meus-dados”. Especialmente quem faz etnografia sofre desse mal (incurável). Primeiro você decide que não pode escrever a tese se não passar todos os diários de campo a limpo, transcrever pessoalmente todas as entrevistas gravadas, organizar todos os documentos e fotos que juntou ao longo dos anos (felizes) em que só fazia pesquisa. Depois resolve classificar tudo em variáveis, em tópicos, em sub-itens, em palavras-chaves, em diagramas e, finalmente, em sumários que vão resumir detalhadamente todo o conteúdo da tese. É isso: sem sumário não dá para começar a escrever!

O quarto foi o “efeito tudo-que-escrevo-é-horrível”. Pode parecer que não, mas a essa altura já sabemos muita coisa! Anos de mestrado e doutorado nos qualificam. Nossos parâmetros sobem; nossa capacidade de reconhecer um bom trabalho aumenta. Sonhamos com os professores mais admirados na nossa banca. Isso tudo forja um crítico interno implacável. Nada do que escrevemos chega aos pés dos nossos modelos.

Pronto: com esses quatro efeitos juntos, temos o “coquetel doutorando-derrotado”, como apelidou meu médico na época. Apesar das suas dezenas de diplomas, ele jurava que nunca ia deixar suas filhas fazerem doutorado (mas elas fizeram!), de tanto tratar de doutorandos doentes. Ele nos compreendia muito bem, porque era filho de mãe judia, daquela que só se satisfaz quando o filho ganha dois prêmios Nobel e em áreas diferentes!

Por sorte, esse médico olhava para mim e não para os meus exames. Ele se recusou a dizer que eu estava deprimida. Eu estava com sintomas-de-tese-de-doutorado-quase-atrasada: perda de peso, desânimo, palpitações, dor no corpo, torcicolo, insônia, tendinite… Receita: pegar sol, andar 20 minutos todos os dias, tomar vitaminas, comer bem e mandar o orientador adiar a defesa. E, como não sou de ferro, receitinha azul com um calmante leve para os momentos de desespero.

Claro que meus problemas não desapareceram — afinal, a tese continuava lá, por escrever – mas melhorei muito! Foi fundamental adiar o prazo e conversar com meu orientador sobre como eu estava me sentindo (orgulhosa, até então, quando encontrava com ele, insistia em dizer que estava “tudo bem”).

Te conto esses percalços não para me fazer de coitadinha, mas para te acolher e te mostrar que quase todos nós passamos por isso. Meu maravilhoso amigo Luis Rodolfo Vilhena, uma das pessoas mais brilhantes que já conheci, passou por várias dessas fases, adiou em um ano a defesa, e no final fez um trabalho primoroso. E também temos a companhia de intelectuais ilustres, como o Norbert Elias. Coloquei esse trecho da sua autobiografia ao lado do meu computador, para ler todos os dias de manhã:

“No que diz respeito à pesquisa, dispunha apenas de minha tese de doutorado para provar minha capacidade. E ela representava um trabalho duro. Tinha confiança em minhas capacidades intelectuais, e ideias não me faltavam. Mas o imenso trabalho intelectual que minha tese exigiu me parecera dificílimo. Só bem mais tarde fui pouco a pouco compreendendo que noventa por cento dos jovens encontram dificuldade ao redigir seu primeiro trabalho importante de pesquisa; e, às vezes, acontece o mesmo com o segundo, o terceiro ou o décimo, quando se consegue chegar aí. Teria agradecido se alguém me dissesse isso na época. Evidentemente pensamos: ‘Sou o único a ter tais dificuldades para escrever uma tese (ou outra coisa); para todos os outros, isso se dá mais facilmente’. Mas ninguém disse nada. É por isso que digo isso aqui. Essas dificuldades são absolutamente normais.” (Norbert Elias Por Ele Mesmo)

Bem, esta carta já está ficando muito longa… Prometo que na próxima escrevo coisas mais úteis (e práticas).

Para terminar, te lembro que só há uma fórmula mágica — irritante — para escrever tese ou qualquer outro texto: uma palavrinha de cada vez.

bjs — força aí.

K

Sobre o desenho: Auto-retrato feito em 2008, com uma técnica que se costuma chamar de “desenho cego”: você olha para o que vai desenhar (nesse caso, um espelho), mas não olha em nenhum momento para o papel onde está desenhando. Achei que era uma boa metáfora desse processo de escrever tese. A gente vê o caminho, mas não consegue ver o resultado. E tudo bem. Depois é só revisar!

Texto publicado originalmente no Blog da autora, disponível aqui.

 

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Os migrantes contemporâneos em foco – Sala Debate TV Futura

É cada vez mais comum conhecer pessoas que trocam o corre-corre das grandes cidades em que moram por uma vida mais tranquila em pequenas e médias cidades, dentro ou fora da própria região metropolitana em que vivem. Esta noite, o Sala Debate fala sobre essas migrações contemporâneas. Quais as causas?

Se antes a violência era a principal causa desse tipo de migração, hoje os motivos variam mais. Uma causa mais recente é o custo e a qualidade de vida: encarecimento dos preços dos aluguéis e dos serviços, o trânsito caótico e o estresse cotidiano enfrentado nos grandes centros urbanos. Movidas por um sentimento de insatisfação com o desejo de melhoria da qualidade de vida por preços menores, essas pessoas compõem o novo retrato das migrações ocorridas no Brasil.

Para essa conversa recebemos José Eustáquio Alves, demógrafo e professor da ENCE, do IBGE; Danielle Cerenos Fernandes, socióloga, professora e coordenadora do CECAPS da UFMG; e Alberto Jakob, coordenador associado do NEPO (Unicamp).

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