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II Fórum sobre Imigração e Refúgio será realizado no dia 05 de setembro no Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ em Campinas.

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As migrações internacionais e, particularmente, o refúgio tem se despontado como uma questão central do século 21. A posição geopolítica do Brasil no cenário internacional, somado às restrições crescentes à entrada de estrangeiros na Europa e Estados Unidos, tem intensificado a circulação de imigrantes internacionais em território brasileiro. As dificuldades enfrentadas por essa população demanda articulação de políticas específicas, tema de discussão do II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, no dia 5 de setembro de 2017, no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Universidade Estadual de Campinas.

Além de um debate sobre a nova Lei de Migração, o evento abordará as iniciativas locais de apoio a imigrantes e refugiados. Nesse contexto, será apresentado o Grupo de Trabalho para implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo na Unicamp, uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que estimula o debate e a produção de conhecimento sobre o tema dos refugiados em diversos centros de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Também serão contempladas as iniciativas da Prefeitura Municipal de Campinas, da Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas e da Clínica de Direitos Humanos da Puc-Campinas. Contaremos, ainda, com relatos de imigrantes e refugiados e o lançamento de um dossiê especial sobre Imigração e Refúgio da Revista Brasileira de Estudos de População.

O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia.

Para maiores informações acesse: II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas

Programação 
9h30: Abertura –
• Autoridades UNICAMP e Prefeitura

10h00 – 12h30: Mesa-Redonda “A Nova Lei de Migração.”
• Prof. Dr. Luís Renato Vedovato – Universidade Estadual de Campinas 
• Profa. Dra. Gláucia Assis – Universidade do Estado de Santa Catarina
• Prof. Dr. Clodoaldo Silva Anunciação – UESC/Ministério Público da Bahia
• Dr. Pe. Paolo Parise – Missão Paz
• Profa Dra. Rosana Baeninger – Universidade Estadual de Campinas

14h00 –17h00: Painel – “Ações Locais para Imigração e Refúgio.”
Coordenação: Prof. Fábio Custódio
• Departamento de Cidadania-PMC
• Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas-RAIR/PMC
• GT-Cátedra – UNICAMP
• Clínica de Direitos Humanos-PUCCAMP
• Associação Brasileira de Estudos Populacionais – REBEP
• Experiências Imigrantes

 

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Seminário “Proyecciones de hogares:  desafíos conceptuales y metodológicas para las poblaciones de América Latina”


Unicamp, 27 y 28 de julio de 2017

Centro de Estudios de Población “Elza Berquó” (Nepo)
Departamento de Demografía (Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Universidad de Campinas (Unicamp)
Campinas – Sao Paulo / Brasil

Envío de resúmenes (hasta 1000 palabras): 07 de Junio de 2017

El objetivo del seminario es reunir estudiosos sobre proyecciones poblacionales interesados en el estudio del número, tamaño y composición de las familias y hogares en América Latina. La propuesta es discutir las aplicaciones no contexto latinoamericano, abordar las cuestiones conceptuales y metodológicas de las interconexiones de los componentes demográficos y los cambios en la estructura y composición de las familias y hogares. La proyecciones de hogares requieren profundo conocimiento de las tendencias pasadas y recientes, para la construcción de escenarios futuros de la mortalidad, fecundidad, migración y nupcialidad, así como el acceso a métodos que abarcan la complejidad de las relaciones entre las dimensiones demográficas y sociales involucrados. Por estas razones, se amplían la relevancia de un seminario con foco en las especificidades de los países de América Latina.

Familia y hogar son unidades fundamentales del análisis demográfico, por ser el contexto en que se toman las decisiones y los recursos son compartidos, con un impacto directo en la reproducción social y de la población. Además de las dinámicas de población, se agrega a la importancia del número y de la composición de los hogares como unidad de análisis a los estudios sobre sostenibilidad socio ambiental, el consumo, la configuración y la gestión urbana, la seguridad alimentaria, entre otros. La vivienda, la alimentación y el acceso a los servicios públicos, y mercado en general, son gestionados, en gran medida, internamente a las familias y hogares. En paralelo, el análisis de la composición de hogares, tales como el número y las relaciones entre sus miembros, es esencial para el estudio de situaciones del cuidado de personas potencialmente dependientes, como los más ancianos e los muy jóvenes.

Dirigido a: Profesores, investigadores y estudiantes de diferentes áreas del conocimiento, especialmente Demografía, Ciencias Sociales, Economía y Estadística, gerentes y profesionales involucrados en la generación y gestión de bases de datos demográficos.

Composición de organización:
Tirza Aidar (Departamento de Demografía – Instituto de Filosofía y Ciencias Humanas – IFCH)
Joice Melo Vieira (Coordinación de Programas Demografía IFCH)
Gustavo Brusse (estudiante de doctorado en Demografía)

Apoyo
Programa de Postgrado en Demografía (IFCH / Unicamp)
Proyecto Observatorio de la Migración (NEPO, con el apoyo de la FAPESP)
Las proyecciones demográficas y redes de datos Producción – Prodatos (ALAP)

INFORMACION

Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – Nepo
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

E-mail: householdproj_seminar@nepo.unicamp.br 

55 19 3521 5891 

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IX Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais

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Participantes do IX Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais na FCLAr/UNESP. Fonte: Domeniconi (2016). Banco de Imagens do Observatório das Migrações em São Paulo.

No contexto do Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO/IFCH-Unicamp) ocorreu nos dias 05 e 06 de abril na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” a nona edição do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais.

Nessa edição, o Observatório das Migrações contou com a parceria do Observatório dos Conflitos Rurais em São Paulo e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Sociedade, Poder, Organização e Mercado (NESPOM-FCLAr). Tendo ainda o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPEX-Unicamp),  do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Departamento de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp), do Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr-Unesp) e da Prefeitura Municipal de Araraquara.

O público presente no evento era composto, majoritariamente, de profissionais vinculados aos poderes públicos municipais da região central do Estado de São Paulo e pertencentes aos quadros legislativos e executivos. Destacando-se também a participação de representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE-Unidade Botucatu),  da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (FUNDAP), da UNICAMP (Campus Campinas), da UNESP (Campus Araraquara e Franca), UFSCar (Campus São Carlos), USP (Campus Ribeirão Preto), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), da Universidade de Araraquara (UNIARA) e da Universidade Paulista (UNIP). Contamos, nesse sentido, com a presença de 50 participantes nos dois dias de atividade. As palestras foram pensadas com o objetivo de sensibilizar e capacitar os ouvintes acerca das transformações sociodemográficas nacionais e regionais.

Na quarta-feira (05/04), a abertura do evento foi realizada pela Profa. Dra. Maria Chaves Jardim (NESPOM-FCLAr-UNESP) e pela Profa. Dra. Rosana Baeninger, coordenadora do Observatório das Migrações em São Paulo (NEPO-IFCH/UNICAMP).  Já a Conferência de Abertura ficou ao encargo do Prof. Dr. Alberto Riella (UDELAR-UY) e teve como título “A Problemática da Globalização da Agricultura e os Impactos Sociais no ConeSul”.  O período da tarde foi dedicado a palestras da Profa. Dra. Rosana Baeninger e da Dra. Roberta Peres (NEPO-Unicamp) com o título “Transição Demográfica e Políticas Sociais: A importância dos Indicadores Sociais” e posteriormente com a contribuição da Profa. Dra. Lidiane Maciel (IFCH-Unicamp) e da Ma. Giovana G. Pereira com a Mesa Redonda: A Dinâmica Populacional na Região Administrativa Central.

Enquanto que na quinta-feira (06/04), no período da manhã, ocorreu a Oficina “Pesquisa Etnográfica: Referências para Políticas Públicas no rural e no urbano” com as contribuições da Profa. Dra. Maria Chaves Jardim, da Profa. Dra. Lidiane Maciel e da Ma. Thauana Gomes (Núcleo de Pesquisa e Documentação Rural/NUPEDOR-UNIARA). No período da tarde, a Mesa Redonda “Demandas Locais e Regionais”, sob a mediação do Prof. Dr. Sérgio Fonseca (FCLAr-Unesp) e da Profa. Maria Chaves Jardim, contou com as falas da Ma. Juliana Agatte (Secretária de Planejamento e Participação Popular), de Alcindo Sabino (Coordenador da Participação Popular) e de Filipe Brunelli Iani (Assessora de Políticas LGBT) da Prefeitura Municipal de Araraquara, bem como, de Djalma Nery, co-fundador da Associação Veracidade.  Ao final do evento, sob a coordenação da Dra. Rosemeire Salata e do Dr. Leonardo Reis, os participantes presenciaram o lançamento do livro “Lutas Sociais no Campo – São Paulo 2014-2015”, organizado pelo Observatório dos Conflitos Rurais.

Para acessar mais fotos do evento: Clique aqui.

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Procura-se morador

Em busca de mais receitas, os prefeitos questionam na Justiça a estimativa de habitantes feita pelo IBGE

IstoÉ | Por: Gabriel Baldocchi

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José Roberto Zem, prefeito de Morungaba (SP): “Temos de achar maneiras de manter a arrecadação para suportar a crise e honrar os compromissos ” ( foto: João Castellano/ Istoe)

 

Policiais militares lotados em Morungaba, no interior paulista, não podem mais contar com a ajuda extra que ganhavam do município. A queda de 20% nas receitas nos últimos meses forçou a prefeitura a interromper o benefício de um salário mínimo oferecido como complemento aos vencimentos pagos aos profissionais pelo governo do Estado, a quem são subordinados. Na estância climática paulista, assim como na maioria das cidades brasileiras, as secretarias tiveram orçamentos reduzidos e os gastos como hora extra a servidores, extintos.

Para evitar a paralisia de serviços em meio à recessão, uma boa dose de criatividade entrou em cena, com iniciativas como leilões de bens públicos e batalhas judiciais com concessionários de rodovias pela isenção de pedágio a veículos oficiais. A mais nova frente de embate por recursos, no entanto, lembra um jogo de ficção: uma espécie de “caçada” por habitantes, um esforço para provar que a cidade é mais populosa do que mostram as estatísticas federais. A população oficial serve de base de cálculo para os repasses de verbas federais e estaduais.

Como o coeficiente dos envios é estipulado por faixas de habitantes, qualquer diferença pode ser relevante. Pelo cálculo mais recente do IBGE, divulgado em agosto, Morungaba conta hoje 13.085 moradores. Se mais 500 pessoas vivessem na cidade, o coeficiente de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – a principal fonte de receitas da administração local – subiria uma faixa e a prefeitura passaria a receber mais recursos, segundo estimativa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

O prefeito José Roberto Zem (PV) está determinado a brigar pela diferença, estimada em um adicional de 5% — suficiente para retomar o benefício aos policiais. Deve pedir a recontagem na Justiça. Trata-se de uma disputa já encampada por algumas cidades no passado, mas que ganhou importância com a recessão. “Temos de achar maneiras de manter a arrecadação para suportar a crise e honrar os compromissos”, afirma Zem. “São coisas pequenas, mas que no final dão resultado.” As administrações municipais são a instância mais próxima entre a população e o setor público.

É onde o impacto da crise é percebido com mais clareza. Em levantamento recente feito pelo instituto Datafolha, 72% dos brasileiros disseram reprovar as gestões locais. Em itens como saúde, o percentual de descontentamento chegou a 80%. A queda na atividade econômica vem acentuando um quadro já frágil. Desonerações promovidas pelo governo federal no final dos anos 2000 diminuíram o bolo de recursos a ser repassado às prefeituras, enquanto as obrigações como salários de professores vinham subindo. Com a recessão, a redução nos repasses do FPM, principal fonte de recursos de 80% das prefeituras, já chega a 9% até setembro, quando descontada a inflação.

Não surpreende, portanto, que 80% dos prefeitos dizem enfrentar dificuldades para manter a área da saúde e 60%, na educação. Problemas no fornecimento de merenda, no transporte escolar e atrasos no pagamento de fornecedores são cenas cada vez mais comuns nas cidades pelo Brasil, e concretizam o drama das contas públicas locais. Cerca de 90% das prefeituras estão em situação fiscal difícil ou crítica, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), e 740 já estouraram o limite de gasto com pessoal. O quadro adverso reforça o interesse sobre a revisão da população.

“Há uma queda abrupta da receita, então é evidente que há um estímulo para os prefeitos entrarem na Justiça”, afirma Eduardo Tabosa, secretário-geral da CNM e prefeito de Cumaru (PE). Em 2015, o IBGE registrou 65 contestações administrativas e 21 ações judiciais de revisão da estimativa da população. O número deve aumentar neste ano. Segundo um levantamento preliminar da CNM, 15 cidades devem sofrer redução no volume de repasse como consequência da queda na população. Na outra ponta, 105 devem passar a receber mais receitas.

O maior potencial de litígio, porém, está concentrado naqueles em que a diferença para uma faixa mais favorável de repasse foi pequeno. Em 272 cidades, o aumento não será possível por uma diferença de até 500 habitantes, como em Morungaba. Neste ano, há um motivo a mais para o questionamento dos prefeitos. Por falta de verbas, o IBGE não realizou a pesquisa Contagem da População, prevista para o intervalo entre censos, feitos de dez em dez anos, e realizado pela última vez em 2010. “Se o IBGE não atualiza a população, significa que os dados estão desatualizados”, afirma Paulo Zulkoski, presidente da CNM. “Tem municípios que estão deixando de receber.”

Além do FPM, a entidade alerta para impacto em outros recursos, como nas verbas de saúde e no cálculo do repasse do ICMS, que tem a população como um dos critérios. A orientação é para que os prefeitos ingressem com o recurso na Justiça. A Contagem da População é considerada mais precisa porque é feita in loco, semelhante ao Censo, enquanto a estimativa da população se dá por meio de modelos estatísticos e matemáticos. “Independentemente do método utilizado, as projeções populacionais anuais serão sempre diferentes do contingente de residentes de fato, somente possível de ser apurado através dos censos demográficos decenais ou contagens”, afirma Tirza Aidar, pesquisadora do Núcleo de Estudos da População, da Unicamp.

“Não é rara a desconfiança das prefeituras frente às projeções, já que elas consideram o fato de que o crescimento populacional tem diminuído constantemente em todo território brasileiro.” O IBGE informou ter sido comunicado pelo Ministério do Planejamento em 2015 sobre a impossibilidade de realizar a contagem devido a um corte de R$ 194 milhões nas verbas – o custo total do levantamento é de R$ 2,6 bilhões. O instituto lembra que o objetivo da pesquisa é calibrar as estimativas populacionais até o censo seguinte.

“Quanto mais distante a estimativa de um censo ou de uma Contagem, mais descolada da realidade ela se torna.”, afirmou o instituto, por meio da assessoria de imprensa. “Sem ela, a área de demografia tem de usar outros métodos para tentar recalibrar as estimativas.” No Estado de São Paulo, o município de Caraguatatuba engrossará a lista da recontagem. A diferença por um coeficiente mais favorável de repasses é de menos de 400 habitantes. A pequena Camuru, em Pernambuco, pretende aproveitar a brecha deixada pela falta da Contagem para entrar com novo recurso em processo já existente.

A cidade estima uma perda de 40% nas receitas como consequência da redução de cerca de 5.000 habitantes observada desde o último censo. Dados como o número de eleitores cadastrados na Justiça Eleitoral, consumidores da distribuidora de energia local e até um cadastro mais numeroso da Bolsa Família no Ministério do Desenvolvimento Social embasam a suspeita de que possa haver divergências em relação ao dado oficial. “O próprio governo não usa o critério do IBGE”, afirma Tabosa. “Não fazer a Contagem trouxe prejuízo: há municípios recebendo o que não devem e outros recebendo a menor.”

A CNM defende a criação de uma regra para tornar mais brando o impacto da transição das faixas de repasse do FPM, em que a mudança não se daria inicialmente por completo, mas sim por uma parcela do acréscimo ou decréscimo. Enquanto a nova regra não é criada, o foco é enfrentar o desafio conjuntural. Nos últimos meses, a maioria dos prefeitos estava mobilizada pelo processo eleitoral, com menos tempo para se dedicar à situação das contas públicas. Com o fim do processo, aumenta a chance de as administrações municipais decretarem calamidade pública, como fez o Rio de Janeiro para pressionar o governo federal.

Ao menos 14 governadores do Norte e Nordeste usaram a ameaça para tentar incluir um socorro de R$ 7 bilhões no projeto que renegocia as dívidas dos entes federados. Os municípios cobraram negociação semelhante, para revisar um passivo previdenciário estimado em R$ 100 bilhões no Brasil. Mais de 1.000 municípios tiveram parte dos repasses do FPM bloqueados neste ano devido aos débitos com a Previdência. Em tempos de crise, vale tudo na busca por mais recursos. Enquanto Estados declaram calamidade pública, municípios saem à caça de população. Parecem até inspirados na febre digital que colocou crianças e adultos para encontrar monstros do Pokemon pelas cidades.

Fonte: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20161007/procura-se-morador/420722

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Seminário dos alunos da Pós-graduação em Demografia – 2015

Todos os anos o Programa de Pós-graduação em Demografia da UNICAMP organiza uma série de apresentações dos seus alunos. Apresentam seus trabalhos apenas aqueles que estão há dois anos ou mais no Programa. Em 2015 o chamado “Seminário dos alunos” vai ocorrer entre 10 e 11 de dezembro no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP).

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Programação completa

Quinta-feira, 10 de dezembro de 2015.

 

10h-12h: Migrações

Moderadora: Rosana Baeninger

  1. O Estado de São Paulo e seus rurais – Natália Belmonte Demétrio
  2. Interiorização da imigração: bolivianos em Americana – Gabriela Camargo de Oliveira
  3. Imigração haitiana em Santa Catarina: Condicionantes do fluxo, perfil sociodemográfico e contradições da inserção laboral – Luís Felipe Aires Magalhães
  4. Refugiados Sírios no Brasil – Marília Calegari Quinaglia

 

14-16h: Família e nupcialidade

Moderadora: Maria Coleta F. A. de Oliveira

  1. “Quem” você quer ser quando crescer? Entre tempos e espaços – passagens pela migração e vida adulta – Katiani Tatie Shishito
  2. Mulheres sem filhos no Brasil: análise da relação entre ausência de filhos e características socioeconômicas e demográficas- Joyce Caroline Alecci Meneghim
  3. Só se for a dois: Conjugalidade e homoparentalidade no Censo brasileiro de 2010 – Fernanda Fortes de Lena
  4. As uniões consensuais no Estado de São Paulo a partir dos anos 80: uma análise sociodemográfica e jurídica – Graziela Cristina Farina R. R. Barnabé

 

16-18h: População, saúde e violência

Moderadora: Luciana Alves

  1. Fatores individuais e contextuais associados à mortalidade de jovens no nordeste brasileiro: uma abordagem multinível utilizando os dados do Censo Demográfico de 2010 – Maurilio José Barbosa Soares
  2. Análise da dinâmica da mortalidade no contexto do conflito armado na região do Litoral Pacífico colombiano, entre no período de 1993-2013 – Bladimir Carabali Hinestroza
  3. Violência de gênero e etnicidade: considerações sociodemográficas e culturais da violência de gênero em casais – María del Rosario Aparicio

 

Sexta-feira, 11 de dezembro de 2015.

 

10-12h: População e Ambiente

Moderador: Álvaro D’Antona

  1. Características sociodemográficas e ambientais da epidemia de dengue no município de Campinas, Estado de São Paulo, em 2014 – Igor Cavallini Johansen
  2. A grave escassez hídrica na Região Metropolitana de Campinas entre 2013-2015 – Tathiane Mayumi Anazawa
  3. Entre a produção vertical do campo e a ocupação horizontal da cidade: mobilidade residencial em Lucas do Rio Verde (MT) – Carla Craice da Silva
  4. Mobilidade populacional e mudança no uso-cobertura da terra: o estudo de uma região no oeste do Pará, 2000-2010 – Julia Corrêa Côrtes

 

14-16h: População, pobreza e segregação residencial

Moderadora: Joice Melo Vieira

  1. Família e pobreza: arranjos no pós-Real – Pier Francesco De Maria
  2. Habitação de interesse social e pobreza – Cimar Alejandro Prieto Aparicio
  3. Produção Social do Espaço, Mobilidade Populacional e Segregação Residencial: a trajetória recente da Região Metropolitana da Baixada Santista – Luiz Antonio Chaves de Farias

 

16-18h: População e cidades

Moderador: José Marcos Pinto da Cunha

  1. Para dentro das portarias, por detrás das cancelas: Características e condicionantes da autossegregação das elites em Campinas – Dafne Sponchiado Firmino da Silva
  2. A estruturação da Região Metropolitana de Campinas: Desenvolvimento econômico e características sociodemográficas – Guilherme Margarido Ortega
  3. A dimensão demográfica no processo de metropolização: Uma análise da estruturação do arranjo-urbano-regional paulista 1991/2010 – Késia Anastácio Alves da Silva

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Mapeamento traça perfil da juventude paulistana

Trabalho elaborado pelo IE e Nepo identifica áreas mais vulneráveis

Jovens participam de passeio ciclístico em São PauloA pedido da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (SDHC) da Prefeitura de São Paulo, a Unicamp produziu um “mapa da juventude” da capital paulista, apontando os perfis e as principais carências da população de 15 a 29 anos pelos distritos e subprefeituras da cidade. O trabalho foi conduzido pelo Instituto de Economia (IE) e pelo Núcleo de Estudos de População (Nepo), sob coordenação dos pesquisadores Marcelo Weishaupt Proni, então diretor associado do IE, e Estela María García de Pinto da Cunha, na época coordenadora do Nepo.

“Uma excelente contribuição deste projeto foi ter disponibilizado as informações de forma georreferenciada”, disse Cunha. “Porque o mapa permite ao gestor observar cada um dos indicadores e identificar áreas de maior ou menor vulnerabilidade num aspecto específico. É uma visualização rápida muito valiosa para subsidiar o seu trabalho. Acredito que isso seja uma excelente contribuição do projeto para a secretaria”, disse. “O que motivou a pesquisa foi a necessidade de reunir informações, montar bancos de dados, para subsidiar as políticas públicas em várias áreas, mas com foco nas questões que afetam diretamente os jovens”, acrescentou Proni.

“São 96 distritos no município de São Paulo”, lembrou o pesquisador. “A prefeitura quis contar com uma base de dados ampla, que permitisse ver tendências, porque a ideia era perceber os movimentos mais gerais: quais são os distritos em que cresce mais a população jovem, onde houve melhorias mais expressivas do ponto de vista do emprego, da saúde… Com essa finalidade foram definidos oito eixos temáticos”.

O mapa congrega dados de perfil sociodemográfico, habitação, educação, trabalho, saúde, violência, proteção social, cultura e cidadania digital dos jovens, extraídos de fontes secundárias, como o censo demográfico do IBGE.

“A ideia da Coordenação da Juventude era primeiro montar esse mapa com base nos dados disponíveis”, disse ele. Esses dados permitiram a construção de uma série histórica para os indicadores, indo de 2000 até, em alguns casos, 2013. E essa série poderá ser atualizada de forma permanente.

“Entregamos à secretaria uma proposta de metodologia e um banco de dados”, disse Cunha. “Tendo essa metodologia e o banco, organizado em planilhas, é possível incorporar dados novos e atualizar os indicadores. Ou seja, a secretaria já tem independência técnica para fazer a atualização permanente do mapa”.

“Jovens”, na definição usada para a elaboração do mapa, são as pessoas de 15 a 29 anos, subdivididas em três faixas etárias: de 15 a 19, 20 a 24 e 25 a 29.

“Na bibliografia internacional e nas estatísticas divulgadas pelas Nações Unidas, a faixa etária da juventude geralmente compreende pessoas entre 15 e 24 anos”, disse Proni. “No Brasil, as políticas públicas do governo federal ampliaram essa faixa, então a gente tem as políticas para jovens alcançando de 15 a 29 anos”.

Nesse intervalo mais amplo, explicou ele, é importante a distinção entre grupos etários. “É diferente a situação de um jovem de 25 anos que já é pai de família, e outro de 15 que mora com os pais”.

RESULTADOS

O mapa da juventude mostra um crescimento da população jovem em alguns distritos e diminuição em outros; e uma melhoria nas condições de vida dos jovens paulistanos desde 2000. “Na zona sul e na zona leste há uma maior porcentagem de jovens com diferentes carências”, disse Proni. “E há uma sobreposição de carências: os mais vulneráveis são aqueles que residem em moradias precárias, têm renda familiar per capita baixa, chance menor de completar o ensino médio, inserção informal no mercado de trabalho…”. Em geral, os distritos da área central do município apresentam os melhores indicadores, mas as melhorias são mais perceptíveis na periferia da cidade.

“Na zona leste reside uma população enorme, mas durante muito tempo o crescimento da cidade foi desordenado, as políticas públicas não alcançavam aquelas pessoas. Em 2015, fomos fazer o lançamento do mapa, junto com outros produtos da Secretaria, na Cidade Tiradentes, que é lá no extremo da zona leste. Dá para perceber uma mudança visível: para quem conheceu o que era Cidade Tiradentes dez anos atrás e o que é hoje, é nítido que melhorou bastante, houve uma urbanização, agora existem escolas equipadas, postos de saúde, programas sociais. Mas, em comparação com outros distritos da cidade, continua com uma série de carências comparativas”, relatou o ex-diretor associado do IE.

Ao mesmo tempo em que o mapa permite ver a mudança que houve desde 2000, disse Proni, mostrando que os indicadores melhoraram em vários aspectos, também revela que os contrastes permanecem muito grandes. “As desigualdades dentro da cidade continuam, embora possam ter diminuído em vários aspectos. A redução das desigualdades depende da combinação de crescimento econômico com políticas sociais universais e programas de redistribuição de renda. É importante que a geração de empregos seja acompanhada de uma oferta ampla de bens e serviços públicos, contribuindo assim para reduzir a pobreza e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Mas, isso não basta. É preciso manter políticas focalizadas nos grupos mais vulneráveis, nas carências mais graves”.

Nos indicadores mais básicos, a melhora foi maior entre aqueles que tinham condições piores. “Os jovens, até o começo da década passada, até 2003, mais ou menos, sofriam muito com o desemprego. Isso mudou com a possibilidade do jovem continuar estudando e ter um emprego formal, mesmo que fosse para ganhar um salário mínimo. Isso melhorou muito a condição de vida de jovens de baixa renda”.

“Agora, sobre essa crise econômica atual, o mapa também pode ser útil. A crise afeta mais as populações vulneráveis socialmente, então é importante ter um mapa para saber onde essas populações estão. É nesses momentos que os jovens mais precisam de políticas focalizadas, de uma rede de proteção social”, ponderou.

MÉDIAS E DADOS

Tanto Proni quanto Cunha destacam que o objetivo do mapa não foi produzir um retrato, ou perfil, do jovem paulistano, mas sim revelar as especificidades da juventude em cada distrito da capital.

“Não estávamos atrás desse perfil. Não é o que a secretaria solicitou”, disse a ex-coordenadora do Nepo. “Queríamos saber onde estavam localizados, espacialmente, os adolescentes mais vulneráveis, isso sim nos importava. Queríamos saber como a Secretaria de Saúde, segundo nossos indicadores de saúde, teria de atuar em programa de assistência à gravidez adolescente, ou onde há mais registro de mortes violentas, ou onde se localizam os mais vulneráveis dos domicílios com chefia feminina e renda comparativamente menor”, exemplificou.

O professor Marcelo Proni, um dos coordenadores do projeto: “Uma excelente contribuição deste projeto foi ter disponibilizado as informações de forma georreferenciada”“Geralmente, as médias enganam muito”, afirmou o ex-diretor associado do IE.  “A ideia do mapa é mostrar as diferenças. Porque os dados agregados, para o município, a prefeitura já tinha. A riqueza do mapa está exatamente no contraste, por exemplo, entre um distrito de mais alta renda, onde o perfil é mais do jovem branco que mora com os pais, e algumas áreas da periferia onde a população negra é muito maior. A riqueza do mapa está justamente nisso, em localizar onde existe uma probabilidade maior de ter um jovem que não estuda nem trabalha, o chamado nem-nem, onde é mais provável você encontrar mulheres jovens com mais carência de assistência médica, onde a violência afeta mais os homens jovens, e assim por diante”.

Cunha recordou o trabalho cuidadoso de desagregação de dados feito no Nepo, para transformar os registros agregados divulgados pelo censo demográfico ou disponíveis nas secretarias municipais em indicadores mais desagregados e localizados geograficamente.

“Esse estudo requeria uma primeira etapa de levantamento das fontes de dados disponíveis, a atualização dessas fontes, ou seja, em que período temporal dispomos desses dados, e uma consolidação. Para isso, primeiramente, foi feito um mapeamento do que já se tinha divulgado, para que período temporal, com que abrangência territorial, já que nos foi pedido desagregar nos 96 distritos do município”, relatou. “E assim, poder afirmar que mesmo precisando de uma determinada estimativa desagregada por distrito, a consistência e/ou a cobertura não nos permitiria realizar uma inferência científica”.

“Sabíamos que havia dados que tinham limitações para serem utilizados”, disse. “Por isso, tivemos o cuidado de analisar estas dimensões”. No relatório final do mapa (disponível online na página www.portaldajuventude.prefeitura.sp.gov.br/noticia/mapa-da-juventude-de-sao-paulo/) constam, por exemplo, as dificuldades no levantamento de dados sobre violência, apresentando alta subnotificação de crimes contra a mulher assim como a dificuldade em acessar as bases de dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Estado, referentes à população jovem.

Fonte: Jornal da Unicamp

Disponível em:

http://www.unicamp.br/unicamp/ju/645/mapeamento-traca-perfil-da-juventude-paulistana

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Mortalidade investigada

Nepo participa de estudo que está estimando a esperança de vida em pequenas áreas do Brasil

A expectativa de vida no Brasil avançou consideravelmente nas últimas cinco décadas – passou de 48 anos em 1960 para 73 anos em 2010. O dado, ainda que relevante, não é suficiente para retratar de forma fidedigna as diferentes realidades presentes em um país ainda marcado pela desigualdade social. Assim, é muito provável que um cidadão nascido e criado em Campinas (SP) tenha uma esperança de vida superior à de outro cidadão que sempre viveu no sertão da Bahia. Mas qual seria essa diferença de perspectiva entre eles? É o que uma equipe de pesquisadores, um deles da Unicamp, está tentando responder. O grupo está desenvolvendo um estudo com o objetivo de estimar um indicador de mortalidade e saúde para pequenas áreas brasileiras.

Um dos pesquisadores envolvidos nessa empreitada é o demógrafo Everton Emanuel Campos de Lima, que integra o Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (Nepo) da Unicamp. Além dele, também fazem parte do esforço os professores Bernardo Lanza Queiroz; da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Flávio Henrique Miranda de Araújo Freire, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e Marcos Roberto Gonzaga, também da UFRN. De acordo com Everton Lima, estimar a esperança de vida para um país é uma tarefa fácil quando comparada com estimativas desse indicador em pequenas áreas. “No caso das pequenas áreas, apesar da existência de dados, estes são de má qualidade e geralmente apresentam diferentes tipos de erros”, explica.

Outro fator complicador refere-se à qualidade das informações. O pesquisador do Nepo afirma que o nível de cobertura do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), de responsabilidade do Ministério da Saúde, progrediu consideravelmente nos últimos anos, alcançando o índice de 95% em 2010. Além disso, também houve alguma melhora em relação à qualidade da informação. Para ficar em um único exemplo desse avanço, 49,5% dos óbitos registrados no Estado da Paraíba não tinham indicação da causa da morte no ano 2000. Em 2011, essa taxa caiu para 8,7%. “Entretanto, precisamos qualificar ainda mais esses dados. Ainda há municípios das regiões Norte e Nordeste nos quais 50% dos óbitos ainda não são declarados”, diz.

E as dificuldades não param por aí. Em um estudo que conduziu em parceria com a epidemiologista e demógrafa Luciana Correia Alves, sua colega de Nepo, Everton Lima chegou a uma conclusão preliminar preocupante. Segundo ele, pode ser que haja um movimento de omissão de determinados tipos de morte no país, especialmente os causados por fatores classificados como externos, como os homicídios e os acidentes de trânsito. “A partir das informações que analisamos, nós concluímos que entre 10% e 20% das mortes provocadas por homicídios e acidentes de trânsito ou são omitidas ou mal declaradas. Não sabemos dizer, porém, se isso é proposital ou se decorre de falhas involuntárias no momento do registro”, esclarece o demógrafo.

Everton Lima acrescenta, porém, que o esperado é que as mortes provocadas por causas externas sejam 100% registradas, uma vez que envolvem a intervenção de autoridades policiais e a confecção de boletins de ocorrência (BOs). Para melhorar a qualidade dos dados e, consequentemente, aperfeiçoar as estimativas de mortalidade em pequenas áreas, o grupo de pesquisadores está aplicando uma nova metodologia, que combina técnicas demográficas tradicionais com modelos estatísticos avançados. Uma ferramenta que tem sido muito utilizada pelos cientistas é a chamada estatística bayesiana.

Dito de modo simplificado, ela se difere da estatística clássica por ter uma base matemática mais robusta. “A estatística bayesiana é aplicada em situações nas quais há pouca disponibilidade de dados. Nesses casos, a sua acurácia é significativamente superior à dos métodos convencionais”, pontua Everton Lima. De acordo com o demógrafo, há municípios em que é difícil calcular a taxa de mortalidade, pois há poucos óbitos, seja porque a população é realmente longeva ou por falhas de registro. Ademais, é também em pequenas cidades que subnotificações de óbitos têm impacto importante na taxa de mortalidade.

Quando isso ocorre, surge o que os especialistas classificam de “flutuações aleatórias”, o que impede que os indicadores de mortalidade sejam calculados apenas dividindo o número de óbitos pelo da população. “Usando a estatística bayesiana em associação com os métodos demográficos, nós temos como contornar esse problema”, assegura o pesquisador do Nepo. A ideia principal da abordagem, prossegue Everton Lima, é a aplicação do método em forma de cascata. Os pesquisadores corrigem inicialmente os dados relativos às macros e mesorregiões, para depois desagregá-los para as pequenas áreas. “Isso requer um tempo bastante largo, pois estamos falando de aproximadamente 5,5 mil municípios ou de 5,5 mil diferentes estimativas de taxa de mortalidade. Felizmente, como contamos com um grupo qualificado de programadores, nós conseguimos automatizar boa parte do processo”.

O pesquisador do Nepo faz questão de observar que a despeito de o método estar proporcionando bons resultados, ele está em construção e ainda pode sofrer ajustes. “Assim que a metodologia estiver totalmente consolidada, nós pensamos em avançar com a pesquisa e estender esse tipo de trabalho em relação à América Latina. Um ponto importante e que tem norteado o trabalho do grupo é disponibilizar os dados e as programações, assim que possível, em uma página da internet, para que outros pesquisadores possam ter acesso a eles”, adianta.

Internacionalização

Ademais, continua Everton Lima, o grupo pretende ampliar o número de participantes, inclusive com vistas à internacionalização das pesquisas. “Nós queremos incorporar à equipe dois pesquisadores do Instituto Max Planck, cuja sede fica na Alemanha e onde tive a oportunidade de trabalhar. Além disso, também pretendemos contar com a colaboração de pesquisadores brasileiros da Fundação Oswaldo Cruz [Fiocruz] e do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [IPC-IG/PNUD], que funciona em Brasília”, informa.

Mas afinal, por que é tão importante estimar com acurácia a mortalidade em pequenas áreas de um país como o Brasil? Porque esse tipo de informação é fundamental para a orientação de políticas públicas em diferentes áreas, responde o pesquisador do Nepo. “Trata-se de uma ferramenta que contribui para a tomada de decisões. Consideremos como exemplo o fato de a população brasileira estar envelhecendo. Se o país pretende assegurar uma velhice digna e saudável para as pessoas que estão na meia-idade atualmente, o momento de começar a agir é agora. Primeiro, precisamos saber de quanto será essa população daqui a 30 anos. Depois, temos que preparar a infraestrutura adequada [saúde, lazer etc] para atender a esse segmento, que necessita de cuidados específicos”, assinala Everton Lima.

Outra utilidade para esse tipo de ferramenta, conforme o demógrafo, está na elaboração de tábulas de vida, que são utilizadas pela Previdência Social para o cálculo de riscos previdenciários. Em outras palavras, é o tipo de informação que ajuda na definição da idade em que o contribuinte pode se aposentar. Nesse ponto, Everton Lima faz um destaque importante. Segundo ele, no Brasil alguns dos cálculos previdenciários são feitos com base em tábulas formatadas nos Estados Unidos, país cujos habitantes guardam evidentemente pouquíssimas semelhanças com a população brasileira.  “Esse tipo informação é de interesse do Ministério da Previdência, na medida em que cresce o número de Regimes Próprios de Previdência Social, especialmente no nível municipal. Então, estimativas de tábulas de mortalidade para esse nível geográfico são de suma importância para uma implementação adequada desses regimes de previdência”, justifica.

Everton Lima considera que a pesquisa que objetiva estimar o índice de mortalidade em pequenas áreas do Brasil está entrando em sua terceira rodada de trabalho. A primeira contou com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “Nós tentamos um novo financiamento para a segunda rodada, mas não conseguimos. Agora, estamos submetendo novamente o projeto ao CNPq e a outras agências de fomento, com o intuito tanto de ampliar o foco do trabalho quanto de agregar novos pesquisadores ao grupo”, reforça.

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/615/mortalidade-investigada

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