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II Fórum sobre Imigração e Refúgio será realizado no dia 05 de setembro no Núcleo de Estudos de População ‘Elza Berquó’ em Campinas.

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As migrações internacionais e, particularmente, o refúgio tem se despontado como uma questão central do século 21. A posição geopolítica do Brasil no cenário internacional, somado às restrições crescentes à entrada de estrangeiros na Europa e Estados Unidos, tem intensificado a circulação de imigrantes internacionais em território brasileiro. As dificuldades enfrentadas por essa população demanda articulação de políticas específicas, tema de discussão do II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, no dia 5 de setembro de 2017, no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” da Universidade Estadual de Campinas.

Além de um debate sobre a nova Lei de Migração, o evento abordará as iniciativas locais de apoio a imigrantes e refugiados. Nesse contexto, será apresentado o Grupo de Trabalho para implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Melo na Unicamp, uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que estimula o debate e a produção de conhecimento sobre o tema dos refugiados em diversos centros de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. Também serão contempladas as iniciativas da Prefeitura Municipal de Campinas, da Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas e da Clínica de Direitos Humanos da Puc-Campinas. Contaremos, ainda, com relatos de imigrantes e refugiados e o lançamento de um dossiê especial sobre Imigração e Refúgio da Revista Brasileira de Estudos de População.

O evento é gratuito e sem necessidade de inscrição prévia.

Para maiores informações acesse: II Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas

Programação 
9h30: Abertura –
• Autoridades UNICAMP e Prefeitura

10h00 – 12h30: Mesa-Redonda “A Nova Lei de Migração.”
• Prof. Dr. Luís Renato Vedovato – Universidade Estadual de Campinas 
• Profa. Dra. Gláucia Assis – Universidade do Estado de Santa Catarina
• Prof. Dr. Clodoaldo Silva Anunciação – UESC/Ministério Público da Bahia
• Dr. Pe. Paolo Parise – Missão Paz
• Profa Dra. Rosana Baeninger – Universidade Estadual de Campinas

14h00 –17h00: Painel – “Ações Locais para Imigração e Refúgio.”
Coordenação: Prof. Fábio Custódio
• Departamento de Cidadania-PMC
• Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Campinas-RAIR/PMC
• GT-Cátedra – UNICAMP
• Clínica de Direitos Humanos-PUCCAMP
• Associação Brasileira de Estudos Populacionais – REBEP
• Experiências Imigrantes

 

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Demografia e Educação IV – Por que filhos tendem a superar a escolaridade de seus pais?

Por Flávia Longo

Este é o quarto de uma série de textos sobre algumas das relações que se estabelecem entre dinâmicas de população, estudos demográficos e questões educacionais. Hoje o teor é um pouco diferente, pois conto um pouco da minha trajetória pessoal.

***

Foi com a pergunta do título que dei início a minha pesquisa do mestrado (2013-2015). Ao longo de dois anos, com orientação e aulas de metodologia ela foi sendo lapidada, aprimorada aos moldes requeridos pelo fazer científico. Mas, a essência é esta. Existe uma tendência mundial de que as gerações mais novas consigam estudar tanto quanto ou mesmo superar a escolaridade das gerações anteriores. Falo em tendência, porque não é uma regra absoluta – e ainda são muitos os casos de “imobilidade”, ou seja, quando diferentes gerações, pais e filhos, permanecem com o mesmo status de nível de escolaridade.

Acontece que essa pergunta de partida poderia ter sido respondida dentro de uma pós em Economia, ou Sociologia ou mesmo alguma área da Educação. Por que optei pela Demografia?

livros

Entrei em contato com as pesquisas em Demografia, em 2010, na linha de pesquisa sobre Família, Gênero e População, por meio de um projeto que investigava as mudanças nas famílias no Brasil. Foi quando aprendi sobre as transformações no tamanho e na composição das famílias e dos domicílios, e me perguntei se estas transformações teriam alguma relação com a melhoria das oportunidades de escolarização das crianças e jovens. A literatura há muito sinaliza que a escolaridade da mãe é positivamente correlacionada com a escolaridade dos filhos, e inversamente relacionada ao número de filhos tidos. (Há exceções: mulheres muito escolarizadas protelam o nascimento dos seus filhos para poderem se dedicar a sua formação e ao trabalho. Quando decidem ter filhos, tem dois ou três em um curto período de tempo).

A entrada teórica e conceitual não era exatamente demográfica. Tratava com teoria de estratificação social (alô Marx, alô Weber, alô Boudon!), disponibilidade de capital humano, social, cultural e financeiro (alô Bourdieu!), reprodução social (alô Durkheim!) e os efeitos da família e suas transformações (alô Ariès, alô Becker!). E foi neste último eixo teórico que se estabeleceu a ponte com as mudanças demográficas e a principal crítica ao trabalho.

As mudanças no perfil da fecundidade e a redução dessas taxas foram corresponsáveis pela diminuição do tamanho das famílias. Existe toda uma discussão sobre a razão do declínio da fecundidade, que envolve a transição urbana, a entrada das mulheres no mercado de trabalho, as legislações sobre casamentos, uniões e divórcios, o próprio aumento da média da escolaridade…

Um risco em se assumir a redução da fecundidade para ajudar a responder à pergunta é o de reificar um modelo onde famílias pequenas e poucos filhos são o ideal. Isto pode ser acusado de sustentar uma lógica economicista onde muitos filhos podem ser sinônimos de dificuldades econômicas. Eles competiriam pelos recursos escassos, sendo que seu sexo ou mesmo ordem de nascimento poderiam justificar seu acesso aos estudos. Por exemplo, em pesquisa sobre mobilidade educacional em Taiwan, as meninas eram destinadas ao casamento, sendo que o filho mais velho era o que tinha mais chance de ser enviado para a escola. No Brasil, em um passado recente, já foi observado o contrário: as meninas teriam mais chance que os meninos, e os filhos mais novos teriam melhores condições de frequentarem a escola. Mas, se voltarmos nosso olhar para um passado mais distante, veremos que as meninas tinham poucas chances de estudar, que as condições para frequentar a escola eram um privilégio e quando muito, os filhos homens das classes mais abastadas é quem poderiam estudar e almejar uma formação no Ensino Superior.

Essas mudanças no contexto histórico perfazem outras variáveis que ajudariam a explicar as chances de um filho ou filha estudar mais que seus pais. Cada geração foi formada em um período específico, com legislações de acesso e obrigatoriedade escolar próprias, com composição familiar única. Estas características todas dialogam com uma abordagem muito cara à Demografia, que é a de curso de vida, das trajetórias estudantis, laborais e familiares – que não podem ser analisadas sem a observação dos tempos cronológico e social (tema para outra conversa! Tive o privilégio de cursar uma universidade pública. Meu pai fez faculdade particular em idade mais avançada, minha mãe se formou também em instituição privada, no ano em que ingressei no ensino superior. Meus avós paternos tampouco cursaram o grupo escolar, minha avó materna só pode estudar depois que se aposentou e se formou na faculdade em 2011 e hoje, aos 68 anos cursa pós-graduação. A minha história familiar ilustra pelo menos dois pontos: de que o nível de escolaridade não é estático e eles podem mudar ao longo da vida e, que mesmo a noção de superação da escolaridade dos mais velhos precisa ser relativizada).

Vemos que não apenas a redução da fecundidade poderia explicar as chances de escolarização, mas também as políticas públicas, a região de residência, a idade da mãe e mesmo a cor das pessoas – sim, no Brasil, a herança de um período colonial-escravista deixou profundas marcas de desigualdade que ainda permanecem. Outro aspecto que interfere na análise da mobilidade educacional é a natureza dos dados. No Brasil, a maioria dos dados disponíveis para este tipo de estudo são transversais, isto é, são uma fotografia de um determinado momento e não captam as dinâmicas da trajetória educacional. Mas, nem por isso podem ser desprezados. Uma fonte muito utilizada é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE), que em 1996, teve um suplemento especial sobre mobilidade social. Logo abaixo, deixo a indicação de duas pesquisas sobre esse tema no país e uma pesquisa internacional sobre a transição entre escola e trabalho, feita pela Organização Internacional do Trabalho com dados longitudinais e que também captam a mobilidade educacional.

 

***

Para saber mais:

FERREIRA, S.G.; VELOSO, F.A. Mobilidade intergeracional de educação no Brasil. (artigo).

PASCHOAL, I.P. Mobilidade intergeracional de educação no Brasil (dissertação).

ILO. School to Work Transition Survey.

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Outros textos da série:

Texto 1

Texto 2

Texto 3

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Flávia Longo é mestre e doutoranda em Demografia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Unicamp. Formada em Ciências Sociais pela mesma instituição, acredita no potencial transformador do ensino e da pesquisa para oferecer respostas às questões sociais. Contato: flavialongo@nepo.unicamp.br

 

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Nova Parceria: Peking University e China Center for Population and Development Research

parceria_pequim

Com o apoio da Vice-Reitoria Executiva de Relações Internacionais (VRERI), as atividades de intercâmbio do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP) e o Programa de Pós-Graduação em Demografia ampliam a cooperação internacional da UNICAMP no campo da Demografia.

Entre 7 e 19 de novembro, as pesquisadoras Tirza Aidar e Elisabete Bilac, e o mestrando em demografia Gustavo Brusse, visitaram a Peking University e o China Center for Population and Development Research (CCPDR) dando continuidade aos estudos sobre o modelo de coorte-componente estendido para projeções de domicílios, iniciados durante o curso ministrado pelos demógrafos Yi Zeng e Zhenglian Wang no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UNICAMP) em setembro deste ano.

Como resultado das reuniões de trabalhos entre pesquisadores e dirigentes do CCPDR, foi firmado acordo de cooperação para os próximos dois anos, visando a produção e disseminação de conhecimento sobre projeções populacionais e de arranjos domiciliares no Brasil e países da América latina.

Fonte: Divulgação NEPO (http://www.nepo.unicamp.br/principal/destaques/china.pdf).

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Site traz mapa com todos os refugiados no mundo desde 1975

Em 2012, 1 entre 665 pessoas no mundo era refugiada; total chega a 10, 5 milhões.

Por Guilherme Dearo

Reprodução/The Refugee Project

Mapa do The Refugee Project

Mapa do The Refugee Project: site traz dados de 1975 a 2012 sobre refugiados no mundo

São Paulo – Um novo projeto chamado The Refugee Project compilou dados sobre os refugiados no mundo e criou um mapa interativo.

Com dados de 1975 a 2012, você pode verificar o total de refugiados, a proporção de acordo com a população mundial e os países envolvidos em conflitos.

Clicando em cada região de conflito, você pode ver quantos saíram dali e para onde foram, com as rotas traçadas.

Por exemplo, da Síria, saíram 729 mil pessoas em 2012. Foi o quarto país com mais refugiados naquele ano.

As rotas mostram que os sírios foram para o mundo inteiro: do Oriente Médio até países como Brasil e Argentina.

O site foi feito pelo escritório de design nova-iorquino Hyperakt e pelo designer Ekene Ijeoma.

Segundo os criadores do projeto, visualizar em um mapa a situação dos refugiados no mundo todo pode incentivar ações de governos, instituições e pessoas.

No site, há um botão de doação, que direciona o usuário para o site da comissão de refugiados da ONU.

Análise

De 1975 a 1992, o número de pessoas que saíram de suas casas cresceu rapidamente. Em 1992, chegou ao máximo: 17,8 milhões de pessoas.

Naquele ano, o Afeganistão concentrava boa parte do problema, seguido por Moçambique e Iraque.

Depois, o número caiu pela metade até 2005. A partir desse ano, ele voltou a crescer.

Veja a comparação entre 1975 e 2012:

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Fonte original: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/site-traz-mapa-com-todos-os-refugiados-no-mundo-desde-1975

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Seminário Experiências de Campo em População e Ambiente

Seminario Nepo_Pesquisas de Campo(Arte: Kelly Moraes)

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por | 10 de abril de 2013 · 16:31

“O fenômeno da mobilidade pendular na Macrometrópole do Estado de São Paulo: uma visão a partir das quatro Regiões Metropolitanas oficiais”

O presente estudo tem como principal objetivo realizar um diagnóstico sobre as tendências e características da mobilidade pendular na chamada Macrometrópole Paulista que envolve as quatro Regiões Metropolitanas oficiais do Estado de São Paulo, além de municípios situados nas regiões nucleadas por Piracicaba, Sorocaba, Jundiaí, São Roque e Bragança Paulista. Para tanto serão utilizadas as informações disponíveis nos Censo de 2000 e 2010. O conhecimento da situação mais atual e da evolução do fenômeno em questão pode contribuir significativamente para a avaliação do processo de interação e complementariedade socioespacial que se desenvolve não apenas dentro das aglomerações urbanas, mas também entre elas, particularmente no contexto atual, onde já são claros os indícios de novas formas de localização tanto da atividade econômica quando da população em geral. Seja por conta da chamada “reestruturação produtiva” que, entre outros aspectos, favorece a desconcentração da atividade econômica, seja em função das novas formas de assentamentos humanos, em particular aquelas derivadas da urbanização dispersa ou “contraurbanização”. A verdade é que merece destaque o fato de que a pendularidade já não mais se restringe apenas ao interior dos grandes aglomerados urbanos.

Os mapas 1 e 2 que apresentam, respectivamente, para 2000 e 2010 os principais fluxos estabelecidos dentro da Macrometrópole e também contribuem para ilustrar a mobilidade observada nessa grande região.

Mapa01_JM

Mapa02_JMOutra informação que demonstra a intensidade da circulação das pessoas por motivo de trabalho é o fato de esses deslocamentos pendulares ocorrerem diariamente (ida e retorno para casa). Considerando os destinos daqueles que se deslocam diariamente para trabalhar em outros municípios, nota-se que quando se trata de deslocamento para município 

da mesma região metropolitana mais de 90% realizam seus deslocamentos nesses termos. Observa-se também que no caso da mobilidade pendular ser feita para outra região, ainda assim boa parte desses movimentos tem caráter diário. Isso acontece principalmente no caso do destino ser a RMSP. Para a RMC, isso também é verdade especialmente para os deslocamentos para “outras regiões”, provavelmente pelo fato da maioria delas ser também de caráter de mais curta distância. Já para a RMBS e RMVPLN, os percentuais de movimentos diários para outras regiões distintas da RMSP são bem mais baixos, fato que talvez espelhe as especificidades destas regiões, sobretudo em termos das atividades econômicas aí desenvolvidas como a portuária, petroquímica e aeroespacial.

Acesse o relatório completo do projeto “O fenômeno da mobilidade pendular na Macrometrópole do Estado de São Paulo: uma visão a partir das quatro Regiões Metropolitanas oficiais” clicando aqui.

 

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