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Epidemia Urbana

O controle de epidemias preocupa o Brasil. Compreender as condições que contribuem para a ocorrência de tais epidemias possibilita a elaboração de medidas de prevenção mais adequadas. O número histórico de ocorrências de dengue no ano de 2014, em Campinas, está sendo alvo de um estudo para analisar os aspectos da população e do ambiente urbano que propiciaram o desenvolvimento do Aedes aegypti, mosquito que impressiona por veicular atualmente no País, além da dengue, também a chikungunya e o vírus da zika.

Igor Cavallini Johansen, doutorando em Demografia, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), desde a iniciação científica pesquisa epidemias da doença, utilizando métodos sofisticados.

O doutorando explica que Campinas apresenta condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do Aedes aegypti. A isso se soma uma demanda ainda não plenamente atendida por equipamentos e serviços urbanos mais eficientes, provimento de água, além de coleta e destinação adequada de esgoto e lixo. Enfatiza que a desigualdade social ainda é aguda na cidade. “Com base em estudos anteriores, constatamos que a Rodovia Anhanguera era e continua sendo uma grande marca da separação entre grupos populacionais em Campinas. Em termos gerais, a população abastada reside principalmente na porção norte do município, enquanto no sul estão alocados aqueles com piores condições socioeconômicas.

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“Analisamos, então, como as características desses grupos populacionais e do ambiente urbano em que vivem podem ter influenciado a ocorrência da epidemia histórica de dengue que marcou a cidade em 2014”.

Com orientação do professor Roberto Luiz do Carmo e co-orientação da professora Luciana Correia Alves, ambos do Departamento de Demografia do IFCH, o pesquisador utilizou como subsídios ao seu trabalho dados da Secretaria Municipal da Saúde de Campinas. Para a pesquisa, empregou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que permitiu evidenciar desigualdades sociais intraurbanas. Comparou, utilizando ferramentas de análise espacial, a distribuição da variável IDHM com a taxa de incidência de dengue em diferentes regiões do município. O cruzamento dessas variáveis no nível intraurbano nunca havia sido realizado para um município brasileiro.

A análise preliminar dos dados mostrou que os casos da doença tiveram início principalmente na região sul (onde se localizam os grupos em piores condições de moradia) e depois se estenderam em direção ao norte, chegando ao distrito de Barão Geraldo, uma das regiões mais afluentes do município.

O objetivo, a partir de agora, é avançar para a análise de como outros aspectos da dinâmica da população podem ter afetado a ocorrência desta epidemia, por exemplo, a mobilidade. Isso porque existe uma transferência maciça diária de grupos populacionais por todo o município. Esses fluxos populacionais podem ter favorecido o processo de distribuição da doença para as diferentes regiões de Campinas. “Essa busca por compreender a relação entre mobilidade populacional e casos de dengue é inédita na literatura científica da área”.

Outro aspecto que perpassa a pesquisa é a multicausalidade da dengue. Além das políticas de controle implementadas pela Prefeitura Municipal, o pesquisador aponta como fator preponderante para a ocorrência da doença a incerta colaboração da própria população, com o descarte inadequado de resíduos. A especulação imobiliária, que mantém imóveis fechados por longos períodos de tempo, dificulta a fiscalização de criadouros.

Johansen enfatiza que sua tese busca evidenciar a complexidade enfrentada no controle da dengue pelo fato de a doença ser transmitida por um mosquito com capacidade imensa em se adaptar ao modo como nossas cidades foram organizadas historicamente e aos hábitos da população urbana.

 

Igor Cavallini Johansen (igor@nepo.unicamp.br)

 

Fonte:

https://www.prp.unicamp.br/sites/default/files/revista/fb_REVISTA-3/index.html

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Seminário dos alunos da Pós-graduação em Demografia – 2015

Todos os anos o Programa de Pós-graduação em Demografia da UNICAMP organiza uma série de apresentações dos seus alunos. Apresentam seus trabalhos apenas aqueles que estão há dois anos ou mais no Programa. Em 2015 o chamado “Seminário dos alunos” vai ocorrer entre 10 e 11 de dezembro no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP).

colorful people

Programação completa

Quinta-feira, 10 de dezembro de 2015.

 

10h-12h: Migrações

Moderadora: Rosana Baeninger

  1. O Estado de São Paulo e seus rurais – Natália Belmonte Demétrio
  2. Interiorização da imigração: bolivianos em Americana – Gabriela Camargo de Oliveira
  3. Imigração haitiana em Santa Catarina: Condicionantes do fluxo, perfil sociodemográfico e contradições da inserção laboral – Luís Felipe Aires Magalhães
  4. Refugiados Sírios no Brasil – Marília Calegari Quinaglia

 

14-16h: Família e nupcialidade

Moderadora: Maria Coleta F. A. de Oliveira

  1. “Quem” você quer ser quando crescer? Entre tempos e espaços – passagens pela migração e vida adulta – Katiani Tatie Shishito
  2. Mulheres sem filhos no Brasil: análise da relação entre ausência de filhos e características socioeconômicas e demográficas- Joyce Caroline Alecci Meneghim
  3. Só se for a dois: Conjugalidade e homoparentalidade no Censo brasileiro de 2010 – Fernanda Fortes de Lena
  4. As uniões consensuais no Estado de São Paulo a partir dos anos 80: uma análise sociodemográfica e jurídica – Graziela Cristina Farina R. R. Barnabé

 

16-18h: População, saúde e violência

Moderadora: Luciana Alves

  1. Fatores individuais e contextuais associados à mortalidade de jovens no nordeste brasileiro: uma abordagem multinível utilizando os dados do Censo Demográfico de 2010 – Maurilio José Barbosa Soares
  2. Análise da dinâmica da mortalidade no contexto do conflito armado na região do Litoral Pacífico colombiano, entre no período de 1993-2013 – Bladimir Carabali Hinestroza
  3. Violência de gênero e etnicidade: considerações sociodemográficas e culturais da violência de gênero em casais – María del Rosario Aparicio

 

Sexta-feira, 11 de dezembro de 2015.

 

10-12h: População e Ambiente

Moderador: Álvaro D’Antona

  1. Características sociodemográficas e ambientais da epidemia de dengue no município de Campinas, Estado de São Paulo, em 2014 – Igor Cavallini Johansen
  2. A grave escassez hídrica na Região Metropolitana de Campinas entre 2013-2015 – Tathiane Mayumi Anazawa
  3. Entre a produção vertical do campo e a ocupação horizontal da cidade: mobilidade residencial em Lucas do Rio Verde (MT) – Carla Craice da Silva
  4. Mobilidade populacional e mudança no uso-cobertura da terra: o estudo de uma região no oeste do Pará, 2000-2010 – Julia Corrêa Côrtes

 

14-16h: População, pobreza e segregação residencial

Moderadora: Joice Melo Vieira

  1. Família e pobreza: arranjos no pós-Real – Pier Francesco De Maria
  2. Habitação de interesse social e pobreza – Cimar Alejandro Prieto Aparicio
  3. Produção Social do Espaço, Mobilidade Populacional e Segregação Residencial: a trajetória recente da Região Metropolitana da Baixada Santista – Luiz Antonio Chaves de Farias

 

16-18h: População e cidades

Moderador: José Marcos Pinto da Cunha

  1. Para dentro das portarias, por detrás das cancelas: Características e condicionantes da autossegregação das elites em Campinas – Dafne Sponchiado Firmino da Silva
  2. A estruturação da Região Metropolitana de Campinas: Desenvolvimento econômico e características sociodemográficas – Guilherme Margarido Ortega
  3. A dimensão demográfica no processo de metropolização: Uma análise da estruturação do arranjo-urbano-regional paulista 1991/2010 – Késia Anastácio Alves da Silva

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XVI Seminário da Pós-Graduação em Demografia da Unicamp

Seminário

PROGRAMAÇÃO

PRIMEIRO DIA

Segunda-feira, 15 de dezembro de 2014.

Local: Sala da Congregação – IFCH.

 

Mesa de abertura – Manhã – das 9:30h às 10h.

Roberto do Carmo – Chefe do Departamento de Demografia

Estela Maria da Cunha – Coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó

Joice Melo Vieira – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Demografia

 

Manhã – das 10h às 12h.

Sessão 1: (Re)distribuição espacial da população, mudanças ambientais e desastres socialmente construídos: novos desafios teórico-metodológicos para a Demografia.

Moderador: Álvaro D’Antona

Expositores Título do trabalho
1. Carla Craice da Silva Movimento e descontinuidades: o processo de redistribuição populacional em Lucas do Rio Verde (MT)
2. Fausto M. F. Del Guercio Efeitos da Composição do Domicílio no Consumo de Energia Elétrica: os casos de Lucas do Rio Verde, Santarém e Altamira
3. Heloisa Corrêa Pereira Distribuição e mobilidade da população em Unidades de Conservação de uso Sustentável na Amazônia Brasileira: o caso da reserva extrativista Auati-paraná.
4. Tathiane M. Anazawa Entre urgências e emergências: a falta de água como um desastre socialmente construído na Região Metropolitana de Campinas
5. Francine Modesto Dinâmica populacional e mudanças ambientais: riscos e adaptação no Litoral Sul de São Paulo

 

Tarde – das 14h às 16h.

Sessão 2: Metropolização, mobilidade espacial da população e autossegregação das elites: conexões entre passado e presente na dinâmica demográfica.

Moderador: José Marcos Pinto da Cunha

Expositores Título do trabalho
1. Guilherme M. Ortega A estruturação da Região Metropolitana de Campinas: Desenvolvimento econômico e características sociodemográficas
2. Késia Anastácio A dimensão demográfica no processo de metropolização: Uma análise da estruturação do arranjo-urbano-regional paulista – 1991/2010.
3. Dafne Sponchiado Pra dentro das portarias, por detrás das cancelas: características e condicionantes da autossegregação das elites em Campinas
4. Aparecido S. da Cunha A migração na Região Metropolitana de São Paulo e os espaços da mobilidade intrametropolitana – 1980/2010

 

Tarde – das 16h às 18h.

Sessão 3: Urbanização e saúde da população, arranjos urbanos-rurais e fluxos migratórios nacionais e internacionais: novas questões e tendências?

Moderadora: Roberta Peres

Expositores Título do trabalho
1. Natália Demétrio O Estado de São Paulo e seus rurais: uma análise a partir dos arranjos urbanos-rurais regionais
2. Giovana G. Pereira E quando o Inverno não chega? O fluxo migratório de piauienses para a cidade de Matão/SP
3. Igor Cavallini Johansen Urbanização, Justiça Ambiental e Saúde da população: o caso das doenças respiratórias em Campinas no ano de 2014
4. Jonatha Rodrigo Lira Análise da migração internacional na Amazônia brasileira: espacialização, composição sócio-demográfica e políticas bilaterais no século XXI
5. Luís Felipe Aires O Haiti é Aqui: presença brasileira no Haiti e imigração haitiana em Santa Catarina

 

SEGUNDO DIA

Terça-feira, 16 de dezembro de 2014.

Local: Sala da Congregação – IFCH.

 

Manhã – das 10h às 12h.

Sessão 4: Gênero, saúde reprodutiva, juventude e educação: processos socialmente construídos e dinâmica da população no Brasil

Moderadora: Marta Azevedo

Expositores Título do trabalho
1. Encina Díaz Gonzalez O déficit/A discrepância entre a fecundidade desejada e a fecundidade materializada a partir da perspectiva das relações de gênero
2. Vaneska Taciana Vitti Fecundidade e Saúde Reprodutiva do Povo Kamaiurá
3. Rosario Aparicio López Violência de gênero e etnicidade: considerações sociodemográficas e culturais da violência de gênero em casais indígenas mexicanos
4. Chandeline Jean Baptiste Transição para a vida adulta e migração internacional: o caso dos jovens haitianos na cidade de São Paulo
5. Flávia Vitor Longo Tal mãe, tal filho? Uma análise da mobilidade educacional intergeracional no Brasil

 

Tarde – das 14h às 16h.

Sessão 5: Estado conjugal, migração, família e saúde da população: múltiplas facetas de processos demográficos complexos

Moderadora: Luciana C. Alves

Expositores Título do trabalho
1. Graziela Barnabé O aumento da união consensual no Estado de São Paulo a partir dos anos 80: uma análise sociodemográfica e jurídico documental
2. Katiani Tatie Shishito Quem você quer ser quando crescer? Entre tempos e espaços – passagens pela migração e vida adulta
3. Carmen Siqueira Família, envelhecimento e solidariedade
4. Anaíza Garcia Pereira Condição de Vida e Saúde dos Idosos Mais Idosos no Brasil e Grandes Regiões: Uma Análise dos Anos de 1998 e 2008
5. Reginaldo P. de Oliveira Envelhecimento populacional, desigualdades sociais e saúde

 

Tarde – das 16h às 18h.

Sessão 6: Dinâmica demográfica urbana: desafios do estudo do passado e do presente 

Moderador: Everton Lima

Expositores Título do trabalho
1. Katia Izaias As transformações da dinâmica demográfica campineira, nos tempos da República Velha – 1890-1930
2. Ednelson Mariano Dota Mobilidade residencial intrametropolitana na RM de Campinas: uma abordagem a partir da distribuição espacial dos migrantes
3. Sérgio Avellar Mobilidade interna de Mestres e Doutores Brasileiros
4. Anderson Kazuo Nakano A Produção Sociodemográfica da Densidade Urbana: Efeitos da Mobilidade Residencial e da Dinâmica Intraurbana
5. Cimar Aparicio Pobreza urbana e políticas de habitação social.

Estão todos convidados!

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IV Seminário da Linha de Pesquisa em População, Ambiente, Espaço e Sustentabilidade: Diálogos Transversais NEPO-INPE

Divulgacao_IV Seminario da Linha de Pesquisa Populacao e Ambiente

 PROGRAMAÇÃO

9h00-9h30 – Mesa de Abertura

9h30-12h00 – MESA I – FERRAMENTAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA A COMPREENSÃO DOS PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO E DA DINÂMICA DE USO E COBERTURA DO SOLO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Coordenação: Antônio Miguel Vieira Monteiro

Dinâmica demográfica e indicadores socioeconômicos em escala intramunicipal: o caso de Altamira e São Félix do Xingu (Pará) na década de 2000
Ricardo de Sampaio Dagnino

As intensidades do Urbano Amazônico: uma proposta conceitual e uma abordagem empírica
Ana Paula Dal’Asta
Silvana Amaral
Antônio Miguel Vieira Monteiro

Processos migratórios e as múltiplas formas de urbanização: um estudo comparativo no oeste do Pará, 2005-2010
Julia Corrêa Côrtes

Estratégias de mobilidade territorial da população na Amazônia: múltiplas conformações, categorias restritas
Juliana Mota de Siqueira
Maria Isabel Sobral Escada
Antônio Miguel Vieira Monteiro

Urbanização na Amazônia: O processo de urbanização pensado pelas estratégias de sobrevivência e mudanças na composição etária das pequenas e médias cidades
Thais Tartalha Lombardi

12h00-13h30 – Almoço

13h30-15h30 – MESA II – MUDANÇAS SOCIOAMBIENTAIS, DESASTRES SOCIALMENTE CONSTRUÍDOS E SAÚDE DA POPULAÇÃO

Coordenação: Alvaro de Oliveira D’Antona

População e Consumo: Estratificação Urbana interpretada a partir da Geografia do Consumo Coletivo
Carla de Almeida Roig

Urbanização, Justiça Ambiental e Saúde da população: o caso das doenças respiratórias em Campinas no ano de 2014
Igor Cavallini Johansen

Entre urgências e emergências: a falta de água como um desastre socialmente construído
Tathiane Mayumi Anazawa

Abordagens integradas para o estudo dos processos saúde-doença em um contexto de mudanças socioambientais: O caso do complexo de transmissão da malária na Amazônia Contemporânea
Jaidson Nandi Becker

Água, saneamento e mudanças da paisagem na área metropolitana de Campinas: a transição do século XIX ao século XX
Miguel Hernández Hernández

15h45-17h00 – MESA III – AGROINDÚSTRIA E DINÂMICA POPULACIONAL
Coordenação: Roberto Luiz do Carmo

Agendas globais, impactos locais: o complexo da hantavirose em um pólo sucroalcooleiro do estado de São Paulo investigado pela análise funcional da paisagem
Michelle Andrade Furtado
Antônio Miguel Vieira Monteiro
Maria Isabel Sobral Escada

A produção de commodities, o global e a tecnologia: estudo do desenvolvimento de Lucas do Rio Verde (MT)
Carla Craice da Silva

Avanço da Agroindústria no Centro-Oeste Brasileiro e seus Dejetos: Um Olhar sobre o Município de Lucas do Rio Verde (MT)
Kelly Cristina de Moraes Camargo

17h – Encerramento

Download Programação Completa

Comissão Organizadora:

Igor Johansen (UNICAMP)

Tathiane Anazawa (UNICAMP)

Ana Paula Dal’Asta (INPE)

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Alvos preferenciais

Pesquisa demonstra que pessoas de baixa renda ficam mais expostas ao mosquito da dengue

A dengue, que assola principalmente os países tropicais, não é uma doença “democrática” que atinge igualmente a todos os grupos sociais, como prega o senso comum. Pesquisa de mestrado em demografia desenvolvida pelo cientista social Igor Cavallini Johansen, orientada pelo professor Roberto Luiz do Carmo e apresentada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), mostra que a dengue está mais associada aos grupos de estratos socioeconômicos menos favorecidos, especialmente os de baixa renda e de negros. Também estão mais suscetíveis aqueles que vivem perto dos chamados “pontos estratégicos”, como borracharias, ferros-velhos e depósitos de materiais recicláveis.

Tendo como cenário o município de Caraguatatuba, no litoral norte paulista, Igor Johansen estudou, por um lado, as possíveis inter-relações da distribuição dos serviços de saneamento (água, esgoto e coleta de lixo) com as características sociodemográficas da população residente; e, por outro lado, a dispersão espacial da dengue no nível intramunicipal. “A dengue possui um conjunto múltiplo de fatores relacionados ao espalhamento e intensidade da doença no território, tendo maior chance de atingir os grupos populacionais mais pobres”, reitera o autor da dissertação.

Johansen utilizou ferramentas de geoprocessamento e estatística espacial na expectativa de comprovar a relação entre baixa cobertura de saneamento básico e alta taxa de incidência de dengue. “A população sem acesso a abastecimento de água tende a estocá-la em baldes e tonéis nem sempre tampados devidamente, criando o ambiente ideal para o Aedes aegypti. Na falta de água limpa, o esgoto também pode servir para a oviposição. E, no caso de lixo e entulho acumulados nas residências ou calçadas, sete dias bastam para que o mosquito chegue à fase adulta.”

Entretanto, esta hipótese da pesquisa foi de certo modo refutada pelos primeiros resultados, como admite o próprio pesquisador. “A questão é que encontrei a relação entre baixa cobertura de saneamento e alta incidência de dengue em apenas 10% das subáreas analisadas; para a grande maioria das subáreas (90%), essa relação não se confirmou. Esse resultado pode ser interessante por mostrar que a relação realmente existe, ainda que não seja o principal problema de Caraguatatuba, mas a hipótese da pesquisa ficou comprometida.”

A explicação para que sua hipótese não tenha se sustentado, afirma Igor Johansen, está na alta cobertura de serviços de saneamento de Caraguatatuba – ele acredita que os resultados muito provavelmente seriam os mesmos em outros municípios do Sul e Sudeste do país, regiões privilegiadas em termos de serviços básicos. “Analisando a cobertura de saneamento em Caraguatatuba, descobri que quase 100% da população tem acesso ao abastecimento de água e também à coleta de lixo; apenas o índice de coleta de esgoto era menor, 58%, um problema comum das cidades litorâneas, que acabam jogando os dejetos ao mar.”

Buscando outros fatores, para além do saneamento ambiental, que explicassem o fenômeno, o autor do estudo adicionou novas variáveis aos dados do Censo do IBGE (2010) e às informações para controle da dengue mapeadas pela Secretaria de Saúde de Caraguatatuba, que lhe serviram inicialmente de base. “Decidi investigar também as características sociodemográficas da população residente e a proximidade de pontos estratégicos – nomenclatura utilizada pelo Ministério da Saúde no mapeamento de potenciais criadouros do mosquito transmissor.”

O modelo desenvolvido no decorrer da pesquisa permitiu a Johansen verificar que os casos de dengue não se espalham da mesma forma por todo o município, havendo áreas de maior concentração. “Uma demonstração de que a doença não é democrática está na proximidade entre os grupos populacionais mais atingidos e os pontos estratégicos. Como a Prefeitura já tinha esses pontos mapeados, eu pude verificar que morar em um raio de 300 metros desses locais aumenta em 67% a taxa de incidência de dengue. E não é em bairros nobres ou condomínios que encontramos borracharias e depósitos de materiais recicláveis; é na periferia, onde está a população carente.”

Ao associar os casos da doença com o nível de renda dos moradores, o pesquisador chegou a outra constatação importante: que o aumento de apenas 1% na proporção de domicílios com renda per capita até três salários mínimos faz aumentar em 71 vezes a taxa de incidência de dengue. “Nas cidades litorâneas, os pobres vão se instalar subindo a encosta e os mais ricos em prédios de bairros urbanizados, de preferência nos andares mais altos (o voo do mosquito alcança somente um metro de altura). Aqueles de maior poder aquisitivo, portanto, estão mais protegidos”.

Segundo o cientista social, mais uma variável estatisticamente significativa obtida como seu modelo diz respeito à proporção de pessoas não brancas: o acréscimo de 1% nesta população conflui para a elevação da taxa de dengue em mais de quatro vezes. “No Brasil, a cor da pele, a situação socioeconômica e o perfil epidemiológico estão intimamente associados. No caso de Caraguatatuba para o ano de 2013, quanto mais pessoas negras e pardas, maior a taxa de incidência de dengue.”

Johansen acrescenta que no sentido inverso, como fator de proteção da população, há o indicativo de que o aumento de 1% na proporção de domicílios não próprios, com destaque para os alugados, reduz em 92% a taxa de incidência na área de estudo. “Uma hipótese ainda a ser testada é de que a cidade serve como segunda residência para proprietários que descem a serra apenas em feriados e temporadas. O imóvel fica fechado praticamente o ano inteiro, sem que a vigilância tenha acesso a eventuais criadouros. Já no imóvel alugado, o inquilino está presente e tem um cuidado maior em relação a recipientes que podem acumular água.”

O cenário

Igor Johansen escolheu o município de Caraguatatuba para seu estudo tendo em vista a intensificação da mobilidade populacional depois da descoberta do pré-sal, com atração  de grandes projetos de infraestrutura e de mão-de-obra a partir da primeira década do século 21. “A dengue é uma doença tipicamente urbana e no litoral de São Paulo, como um todo, quase 100% dos habitantes vivem em cidades – inclusive pelas características geográficas, que não reservam espaço para sítios ou fazendas. A vinda de tantas pessoas exerce pressão sobre a estrutura de saneamento ambiental, quando minha ideia foi justamente relacionar a dengue com a falta de serviços básicos.”

O pesquisador salienta que o Aedes aegypti encontra na região condições favoráveis para o seu desenvolvimento, entre as quais a urbanização acelerada; clima quente e úmido; turismo proporcionado pelas belezas naturais, gerador de grande circulação de pessoas de São Paulo e de outras partes do país; o fato de se localizar no corredor de passagem para o porto de São Sebastião; e de ser cortada pela rodovia Rio-Santos, cidades que sabidamente representam dois polos onde a dengue é considerada endêmica.

De acordo com os dados da Secretaria de Saúde do município, o histórico da dengue em Caraguatatuba tem início em 2002, quando ocorreram as notificações dos primeiros casos autóctones – cuja transmissão se dá dentro da cidade e cujo contaminado é um residente. Se naquele começo foram 333 casos, a maior epidemia veio em 2010, com 3.698 ocorrências confirmadas e praticamente todas (3.672) autóctones; em 2013 houve o segundo maior pico, com 1.679 registros autóctones até o mês de novembro. Quanto a óbitos, foram dois em 2010 e um em cada ano subsequente (2011, 2012 e 2013).

O autor recorda que o pano de fundo para sua dissertação foi a participação em um projeto do Nepo (Núcleo de Estudos de População) da Unicamp, realizando entrevistas com moradores do município de Altamira, no Pará, onde a relação entre dengue e saneamento é uma questão relevante. “Na volta, conversando sobre o projeto de pesquisa com meu orientador, essa doença surgiu como uma síntese para mostrar a relação entre a população e o meio ambiente. As pessoas pensam, por exemplo, que a dengue não seleciona sua vítima, quando não é bem assim, existem grupos mais expostos.”

Metodologias

Distribuição das informações do Censo 2010 em uma grade regular, análise de cluster, aplicação do Índice Local de Moran e realização de uma Regressão Binomial Negativa Inflacionada de Zeros (ZINB). Essas metodologias aplicadas por Igor Johansen serviram para dividir a área urbana de Caraguatatuba em células de mesmo tamanho; diferenciar agrupamentos de áreas com piores e melhores condições de saneamento, comparando com a taxa de incidência de dengue; localizar as áreas de autocorrelação espacial de baixa cobertura de serviços de saneamento; e, por fim, estimar a associação entre as variáveis ambientais e sociodemográficas em relação à incidência da doença.

“Logo no início da pesquisa, tive a sorte de contar com uma nova forma de disponibilizar os dados do Censo do IBGE desenvolvida por uma colega do Nepo, Maria do Carmo [Dias Bueno], que dividiu o município em células exatamente do mesmo tamanho”, recorda Johansen. “A unidade mínima do IBGE é o setor censitário, que é irregular em tamanho e pode abranger áreas bastante distintas em termos de composição da população. Como as células são muito menores e regulares, aumentam a acurácia dos dados, permitindo trabalhar com uma escala bem pequena, de 250 por 250 metros.”

Outra grata surpresa para o pesquisador foi encontrar um banco de dados perfeitamente organizado pela Secretaria de Saúde de Caraguatatuba, com o georreferenciamento de cada um dos pontos de dengue. “Se uma pessoa contrai dengue, o ponto vai ser a sua residência. É analisando onde estão os pontinhos no mapa que a vigilância epidemiológica planeja suas ações. Sobrepondo esse mapa à malha cartográfica do IBGE com os dados do censo, verifiquei em cada célula o número de habitantes e domicílios com acesso a água, esgoto e coleta de lixo, e adicionei nessa matriz uma coluna a mais, com a soma de casos de dengue. Tendo tudo no mesmo banco de dados, pude correlacionar o número de casos da doença com as informações da população. Este foi o pulo do gato, que consegui dar a partir de duas fontes bastante diferenciadas.”

Publicação

Dissertação: “Urbanização e saúde da população: o caso da dengue em Caraguatatuba (SP)”
Autor: Igor Cavallini Johansen
Orientador: Roberto Luiz do Carmo
Unidade: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/590/alvos-preferenciais

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XV Seminário do Programa de Pós-Graduação em Demografia

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Resultado final do Processo Seletivo para ingressantes em 2014 do Mestrado e Doutorado em Demografia na Unicamp

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Parabéns a todos os selecionados!!!!! Aos ingressantes, sejam muito bem-vindos!

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