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Pra encerrar 2016!

Nem todos puderam estar presentes, é verdade. Mas os professores, pesquisadores, alunos e funcionários do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Unicamp se reuniram nesta quarta-feira, 14 de dezembro, para comemorar as conquistas e aprendizados de 2016.

Que 2017 seja um ano produtivo e de muito crescimento para todos. Como disse durante o brinde a coordenadora do NEPO, Marta Azevedo, muita luz para o novo ano que começa!

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País recebe 30 mil novos imigrantes italianos entre 2000 e 2015

Dados são de projeto que quantifica e traça o perfil sociodemográfico de residentes no Brasil há menos de 10 anos

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O Brasil recebeu aproximadamente 30 mil novos imigrantes italianos no período de 2000 a 2015 – mais da metade (16 mil) nos últimos cinco anos –, naquela que pode ser chamada de “terceira onda” desta imigração histórica: tivemos a grande onda do final do século 19 até por volta de 1920; a segunda iniciada logo após o fim da Segunda Guerra, que reduziu de volume na década de 60; e a terceira a partir dos 2000, especialmente após os anos de 2005 e 2006. Os dados fazem parte do Projeto “Nuovi Arrivati” (Recém-Chegados), que tem o objetivo de quantificar e traçar o perfil sociodemográfico e profissional dos cidadãos italianos residentes no Brasil há menos de 10 anos.

O projeto “Nuovi Arrivati” é uma realização do Comitê dos Italianos no Exterior da Circunscrição de São Paulo (Comites-SP) e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAE). Na Unicamp, suas atividades são desenvolvidas no âmbito do Observatório das Migrações em São Paulo, projeto temático Fapesp/CNPq coordenado pela professora Rosana Baeninger, do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (Nepo) da Unicamp. Também colaboram com a iniciativa o Consulado Geral da Itália em São Paulo, a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (Italcam), a Missão Paz e o Escritório Guarnera Advogados.

Segundo Rosana Baeninger, esta pesquisa concilia o interesse do Comites-SP, que é de garantir boa acolhida aos novos imigrantes italianos, com o interesse do Observatório das Migrações de melhor conhecer o que ela define como uma nova modalidade migratória. “Temos muito mais conhecimento dos imigrantes latino-americanos, que compõem uma mão de obra menos qualificada e não documentada. Ocorre que a partir do século 21, com a mobilidade internacional do capital e da força de trabalho, temos a circulação de mão de obra altamente qualificada. O Brasil está na rota das migrações internacionais e é dentro desta modalidade que chegam os novos imigrantes italianos, tendo São Paulo como maior porta de entrada.”

À frente do projeto está Pier Francesco De Maria, doutorando em demografia, que colaborou diretamente com o Comites-SP na elaboração de um questionário para os imigrantes italianos recém-chegados, visando captar características como idade, sexo, escolaridade, profissão, estado civil e as principais dificuldades encontradas ao chegar ao país. “Este projeto tem o propósito de favorecer a integração dos italianos de recente imigração no Brasil e, em especial, melhorar o acesso dos concidadãos a informações claras e confiáveis, indispensáveis para a inserção social e profissional na realidade brasileira. Com base nos resultados do questionário foram definidos os conteúdos de um ciclo de seminários que vêm sendo oferecidos desde junho.”

Pier De Maria, ele próprio, faz parte da onda de imigrantes italianos que vieram nos últimos 10 anos, levando-o a se envolver com o Projeto “Nuovi Arrivati” também em termos pessoais. “Sou italiano e esta é uma coletividade que me representa. Nem eu, nem meus pais [a mãe é brasileira] tivemos acesso a informações como da documentação necessária para meu ingresso no ensino médio, ou sobre como transferir dinheiro para o Brasil – meu pai era servidor público na Itália. Como a minha família, várias outras não têm acesso a informações importantes para a sua inserção no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Isso me motivou a colaborar com o Comites-SP e desenvolver o projeto nesta parceria.”

Nesse sentido, conforme o doutorando, a expectativa é de quatro resultados principais: traçar um perfil dos italianos recém-imigrados e identificar suas necessidades; fornecer um quadro claro das instituições italianas e locais para obter informações; melhorar a qualidade das orientações fornecidas pelas associações italianas que trabalham com imigrantes; e facilitar o acesso a informações seguras em rede sobre a temática da integração social e profissional dos imigrantes. Ao final, prevê-se a transcrição e a publicação na rede dos conteúdos dos seminários e de resultados do questionário, tornando-os acessíveis inclusive para italianos interessados em se mudar para o Brasil.

De Maria informa que parte desta imigração acontece dentro de empresas transnacionais, com profissionais inseridos no mercado de trabalho formal do país, mas existe uma parcela significativa de imigrantes de alta qualificação que, por conta da crise mundial, vem buscar oportunidades de trabalho através das redes sociais, até um momento melhor de voltar à Itália. “Calculamos em sete ou oito mil os imigrantes que vieram por conta própria. Os Comites são eleitos diretamente pelos italianos quando a região recebe pelo menos três mil. O Comites de São Paulo possui população bem maior e aglomera os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Rondônia, formando um eixo pelo Centro-Oeste. Os outros cinco Comites no Brasil estão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Minas Gerais.”

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Adultos jovens
Diante da constatação de uma população altamente escolarizada e qualificada, optou-se por distribuir o questionário por redes sociais, o que trouxe maior capilaridade e perto de 300 retornos de vários pontos do país, com respostas todas válidas, o que é uma exceção neste tipo de pesquisa. Devido ao acordo com o Comites-SP para que os resultados sejam divulgados apenas no seminário de encerramento do Projeto “Nuovi Arrivati”, marcado para 26 de novembro em Campinas, Pier De Maria se restringe aos dados mais gerais. “Os entrevistados falam três ou quatro idiomas e estão inseridos no setor financeiro e deslocados para filiais no Brasil, havendo ainda investidores, profissionais liberais, estudantes universitários e até aposentados.”

Uma constatação é que se trata de uma população adulta jovem, com a maioria entre 20 e 45 anos, que chegou solteira, embora muitos hoje se declarem casados e com filhos, tendo construído aqui um percurso de vida. “No primeiro período analisado [por meio dos dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros – Sincre], de 2000 a 2015, temos mais homens que mulheres e, a partir de 2010, a pirâmide fica mais rejuvenescida, com uma concentração de jovens, o que está ligado à falta de oportunidades no mercado de trabalho da origem. Em minha infância na Itália, eram muitas as pessoas com diploma que não conseguiam empregos em suas áreas, sobrevivendo como subempregados – e isto é sistemático no país. Os jovens vêm para o Brasil na esperança de se inserir em suas carreiras, o que às vezes acontece, às vezes não.”

Uma questão importante, mas pouco usual nestas pesquisas, é o por quê de ter deixado a Itália, quando geralmente se pergunta somente o por quê de ter escolhido o Brasil. “Entre os imigrantes que não foram enviados por empresas, está a expectativa de uma vida melhor para os filhos. Lá, eles sentem na pele o reflexo da crise mundial porque o país ainda não havia se recuperado de crises anteriores, desde um período político e econômico mais difícil por conta dos escândalos de corrupção da década de 1990. Uma resposta curiosa foi a de falta de identificação com a Itália, sugerindo uma pessoa aberta a deixar o país por desprendimento em relação à cultura.”

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Dificuldades de inserção
Perguntados sobre as dificuldades enfrentadas na chegada e quais ainda enfrentam anos depois do ato migratório, o demógrafo comenta as principais elencadas pelos imigrantes. “No caso de São Paulo, há um contingente significativo de italianos que vieram sem conhecer os trâmites necessários para regularizar sua estada, sem saber como obter o visto de permanência e quais são os tipos de visto. Outras dificuldades apontadas são de acesso ao sistema de saúde (que na Itália não é único), de convalidação de diplomas, de transferência de dinheiro para o Brasil (são profissionais bem remunerados) e de como aplicar recursos, pois muitos são investidores.”

Em relação às ocupações, Pier De Maria afirma que a maior parte dos imigrantes é formada por diretores e gerentes que vêm trabalhar em filiais de empresas no Brasil e de investidores que abrem novos empreendimentos como na rede hoteleira, geralmente no litoral do Nordeste. “Um dos principais vistos concedidos é de investidor. Em seguida aparecem os estudantes universitários, que são relevantes também em períodos anteriores ao recortado na pesquisa, mas também chama atenção o volume de profissionais liberais e de aposentados, pessoas vindo em outro momento do ciclo de vida.”

Um levantamento importante no Projeto “Nuovi Arrivati”, na opinião do demógrafo, foi dos locais de moradia dos novos imigrantes italianos, que estão majoritariamente nas grandes cidades, sobretudo em capitais como São Paulo, Fortaleza, Salvador, João Pessoa, Maceió e Rio de Janeiro. “Mas vale observar que no Estado de São Paulo já vemos um número significativo de imigrantes na Baixada Santista e também no interior, formando uma espécie de corredor por cidades como Campinas, Sorocaba e Piracicaba, conforme os dados do Sincre, da Polícia Federal.”

De acordo com De Maria, a língua não representa barreira para esses imigrantes, já que mais de 70% falam pelo menos três idiomas (como espanhol, inglês e francês) e a maioria diz possuir domínio pelo menos regular do português na leitura, escrita, fala e audição. “Existe certa racionalidade na escolha de vir para o Brasil, com a busca de algum conhecimento prévio sobre o país e uma construção do percurso. No meu caso, por exemplo, fui aprender português antes de migrar. Outro aspecto a destacar é que, embora vários entrevistados tenham vindo por possuírem parentes de outras gerações, dois em cada três não pretendem permanecer no Brasil, com a ideia de voltar para a Itália ou ir para outro país – e isso envolve desde os jovens aos mais velhos.”

Seminário em Campinas encerra o ‘Nuovi Arrivati’

O seminário de encerramento do Projeto “Nuovi Arrivati” será realizado na Casa d’Italia, em Campinas, no dia 26 de novembro, quando serão apresentados os resultados dos questionários distribuídos a imigrantes italianos recém-chegados. Com a proposta de promover a confluência entre as esferas acadêmica, social e cultural, o evento contará com mesas-redondas para discussão do projeto e seus resultados, além de ter a participação de integrantes da comunidade italiana. Especialistas no tema das migrações internacionais, bem como da migração recente de italianos para o Brasil, concederão as conferências de abertura e de encerramento.

Pier De Maria, que faz parte da comissão organizadora do seminário, lembra que o projeto começou a ser executado em fevereiro deste ano, utilizando-se os resultados obtidos até junho para a montagem de palestras baseadas em temáticas legais, fiscais, sanitárias e acadêmicas. O objetivo foi oferecer um quadro claro das instituições às quais os imigrantes podem recorrer para obter informações confiáveis, e também para que funcionários das associações italianas se atualizem. “Uma limitação era que, apesar da preponderância em São Paulo, os questionários acusaram imigrantes do Acre ao Rio Grande do Sul – pessoas que não poderiam participar fisicamente das palestras. Por isso, elas foram todas gravadas para divulgação em redes sociais e de órgãos administrativos da Itália no Brasil, juntamente com outros produtos da pesquisa.”

De Maria conta que na primeira palestra, por exemplo, advogados conversaram com a coletividade italiana de São Paulo para dirimir dúvidas sobre obtenção de vistos e os tipos de vistos oferecidos no Brasil, conforme as características de saída da Itália (investidor, profissional liberal, cônjuge, filho, etc.). “No levantamento junto ao Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros, constatamos que a maior parte dos amparos legais utilizados para concessão de vistos e carteira de RNE [Registro Nacional de Estrangeiros] está relacionada a cônjuges, investidores, estudantes universitários, de trabalho e trabalho temporário (para permanência por dois anos, renovável) e visto permanente de reunião familiar.”

De acordo com o organizador do seminário, uma das mesas tratará do que os italianos chamam de “Sistema Itália”, mostrando as novas ações possíveis a partir dos resultados do Projeto “Nuovi Arrivati”. “A ideia não é encerrar o projeto em si mesmo, mas ir atualizando o material e ver o que mais pode ser feito para esta coletividade que está vindo ao Brasil. Os Comites são eleitos a cada cinco anos e o atual de São Paulo foi eleito no ano passado. São constituídos por italianos ou descendentes jovens, que procuram traçar os caminhos futuros para integração entre coletividade e órgãos responsáveis. A expectativa é de que o projeto saia para outros Comites do Brasil e América Latina afora.”

Falta uma política imigratória para a ‘circulação de cérebros’

A professora Rosana Baeninger, coordenadora do Observatório das Migrações, afirma que as ações pontuais por parte de comunidades e associações italianas diante da chegada dos novos imigrantes refletem, na verdade, a falta de uma política imigratória do Brasil para o século 21. “Na imigração italiana do século 19 para o século 20, tínhamos uma mão de obra não qualificada, ao passo que esta é altamente qualificada, fazendo parte de uma nova modalidade migratória que chamamos de ‘circulação de cérebros’. Esses imigrantes podem ficar aqui por algum tempo, mas não necessariamente permanecerão – ficar no Brasil não é o projeto migratório deles.”

A docente da Unicamp lembra que o país possui o Estatuto do Estrangeiro, herdado em 1980 do regime ditatorial e pelo qual só podem permanecer os imigrantes que vêm com a empresa, ou seja, a mão de obra qualificada e com emprego formal. “São os imigrantes desejados. Mas, mesmo para estes, a legislação não oferece abertura para que possam convalidar seus diplomas e se inserir no mercado de trabalho com visto permanente. A Lei de Imigração se tornou urgente a partir da entrada dos haitianos, que formam uma mão de obra igualmente qualificada, mas que acabou encaixada preponderantemente no setor de serviços. Isso porque o nosso Estado-nação tem como tipo ideal de imigrante o branco europeu.”

Segundo Rosana, a Lei de Imigração que substitui o Estatuto do Estrangeiro, em trâmite no Congresso, envolve um embate político muito forte entre os Ministérios do Trabalho e da Justiça. “O retrato maior de uma sociedade despreparada para o século 21 é a de não conseguir, minimamente, saber o que fazer com essas novas ondas de imigrantes. Se o Brasil escolheu entrar na rota do capital internacional, tem de se preparar para a entrada de uma mão de obra qualificada e não qualificada.”

A coordenadora do Observatório das Migrações observa que, mesmo que o país não esteja com o mesmo dinamismo econômico de alguns anos atrás, continua sendo uma alternativa inclusive para a mão de obra qualificada, em função das redes migratórias. “Uma constatação em relação à grande onda de imigrantes italianos da virada do século 19 para o 20, é que no século 21 a metrópole de São Paulo continua sendo a porta de entrada. Contudo, Campinas também já desponta e a expansão para o interior paulista tem muito mais a ver com a alocação de empresas transnacionais do que com a rede migratória histórica do passado”.

Rosana Baeninger salienta que a dinâmica dos fluxos muda rapidamente de perfil e que a legislação brasileira não consegue identificar e acolher estes imigrantes. “Pesquisas teóricas mostram que no início temos uma mão de obra altamente qualificada, mas que depois vai puxar uma população com qualificações menores, como, por exemplo, a que virá trabalhar para esses novos imigrantes italianos. Por outro lado, o Brasil, que sempre foi tratado como um país de imigração na virada para o século 20 ou de emigração no final do mesmo século, está se tornando um país de trânsito migratório: os haitianos já estão indo para outros países como o Chile e, também para os italianos, poderemos ser um país de trânsito dentro desta mobilidade internacional cosmopolita.”

O doutorando Pier De Maria acrescenta que, com a demora na aprovação da Lei de Imigração, as características de imigração vão mudando e novas necessidades aparecem. “Os novos imigrantes italianos, por agora, contam com a imigração histórica, podendo se encaixar nas redes migratórias – eles não demandam visto humanitário ou de refúgio, mas e se fosse o caso? Temos profissionais liberais que aqui são assalariados ou arquitetos que trabalham como técnicos devido à dificuldade na convalidação do diploma.”

Em relação aos amparos legais, afirma De Maria, todas as questões são baseadas em leis antigas que precisam de mudanças para incorporar novas características desta mobilidade internacional. “Há italianos que circulam pelo mundo e vieram para o Brasil de outros países. Há os que nasceram fora da Itália, mas que lá moraram e vieram para cá – como incorporá-los? Algumas declarações são de imigrantes que vieram da Argentina e outros países da América Latina porque herdaram a cidadania do pai italiano. Houve respostas de imigrantes com ensino médio (o que é pouco para conseguir boa colocação na Itália) e que estão alocados no trabalho informal – será que conseguirão o visto de permanência? São possibilidades que podem surgir no futuro.”

Segundo o demógrafo, o questionário do Projeto “Nuovi Arrivati” captou uma população bastante móvel, com pessoas que já viveram em países da Ásia, África e América do Norte. “São imigrantes que não têm restrições em termos de fronteiras. Imaginávamos que os italianos preferissem países do primeiro mundo, mas no caso da Ásia, por exemplo, o Japão não aparece, e sim Bangladesh e Vietnã. Para eles, é muito fácil obter vistos para circular pela América Latina e outros continentes.”

Sobre esta migração de italianos para o sudeste asiático ou países como Bolívia e México, Rosana Baeninger cita Pietro Basso, sociólogo italiano que oferece aporte teórico ao Observatório das Migrações e para quem as migrações, qualificadas ou não, ocorrerão cada vez mais entre países periféricos. “São países onde as empresas conseguem maior taxa de lucro. Este aspecto é interessante para reforçar que o Brasil está na rota das migrações internacionais. Na política imigratória do século 19, as normas imigratórias no país buscavam a assimilação desses imigrantes europeus, estava-se construindo um Estado-nação. Se as associações e coletividades italianas se preocupam até hoje com o resgate da memória histórica dessas imigrações passadas, os novos imigrantes não têm necessariamente o mesmo interesse; pode ser que o Brasil seja apenas um dos tantos países de trânsito pelos quais circulam.”

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/675/pais-recebe-30-mil-novos-imigrantes-italianos-entre-2000-e-2015

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Professores da Duke University (EUA) ministram curso na Pós-graduação da Unicamp

Os professores Yi Zeng e Zhenglian Wang, da Duke University (EUA), ministraram o curso “Household and Living Arrangement Projections: The Extended Cohort Component Method and Applications” entre os dias 26 e 30 de setembro na Unicamp. O público alvo compreendeu os alunos do Programa de Pós-graduação em Demografia da Unicamp e contou também com a presença de pesquisadores do Nepo/Unicamp e demógrafos da Argentina e Uruguai.

O curso foi possível graças aos esforços da Profa. Dra. Tirza Aidar com o apoio financeiro da Vice-Reitoria Executiva de Relações Internacionais (VRERI) da Unicamp.

As aulas ocorreram no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/Unicamp).

Abaixo uma foto com os alunos e pesquisadores que fizeram a disciplina. Da esquerda para a direita: Felipe, Tirza Aidar, Marcelo, Yi Zeng, Gustavo, Fernanda, Joyce, Igor, Leandro, Carolina, Pedro, Pier, Zhenglian Wang, Elisabete Bilac e Fátima Chaves.

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Professor Carl Schmertmann ministra curso na Pós-graduação da Unicamp

O Prof. Dr. Carl Schmertmann, editor da Demographic Research e professor da Florida State University-EUA, ministrou o curso “Demographic Applications of Bayesian Models” entre os dias 20 e 26 de julho na Unicamp. O público alvo foram os alunos do Programa de Pós-graduação em Demografia da Unicamp.

O curso foi possível graças aos esforços do Prof. Dr. Everton Lima em parceria com o Observatório das Migrações (coordenado pela Profa. Dra. Rosana Baeninger).

As aulas ocorreram no Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO).

Abaixo uma foto com os alunos e pesquisadores que fizeram a disciplina. Da esquerda para a direita: Dario, Luciana, Everton Lima, Carl Schmertmann, Laeticia, Marta, Joseph Potter, Lara, Pier, Alessandra, Anna Karoline, Joyce, Gustavo, Pedro, Alberto e Igor.

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Foto: Vania Furlan.

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Sob nova roupagem: a grade regular para a disponibilização dos dados do Censo Demográfico 2010

Maria do Carmo Dias Bueno fala sobre sua tese de doutorado defendida no Programa de Pós-graduação em Demografia da UNICAMP.

Maria do Carmo Dias Bueno é Engenheira Civil Sanitarista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1986), tem mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995), mestrado em Geomática pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004) e doutorado em Demografia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP (2014). Atualmente é Coordenadora de Projetos Especiais do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Tem interesse pela área de Geografia da População, Geodemografia, Demografia e Indicadores de Sustentabilidade.

Blog Demografia Unicamp: Qual tem sido exatamente seu trabalho no IBGE e como surgiu o interesse por fazer o doutorado em Demografia na UNICAMP?

Maria do Carmo Dias Bueno: Entrei no IBGE em 2003 como Analista de Geoprocessamento e comecei a trabalhar com disseminação de mapas temáticos (geográficos e estatísticos) na internet; depois, me envolvi com os trabalhos de preparação da Contagem 2007 e do Censo Agropecuário 2006 e desde então me dedico principalmente a essas duas tarefas. No final de 2009 decidi que estava na hora de fazer doutorado e comecei a procurar um programa que atendesse simultaneamente aos meus anseios pessoais e profissionais. Encontrei isso na UNICAMP, no programa de Demografia, que além de ser interdisciplinar oferece a linha de pesquisa População e Ambiente, que conjuga dois campos que me interessam bastante.

Você chegou a realizar intercâmbio acadêmico, não é? Por que escolheu a Inglaterra e especificamente a Universidade de Southampton? Quanto tempo você ficou por lá e quais os reflexos desse período no seu trabalho?

Quem trabalha com geoprocessamento e com dados de população certamente ouviu alguma vez o nome David Martin, já que ele tem grandes trabalhos nesta área. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente em um seminário internacional em 2010 quando fiquei sabendo que o tema da minha tese de doutorado era objeto de algumas pesquisas dele. Daí para fazer o intercâmbio foi apenas uma questão de tempo. Fiquei seis meses na Universidade de Southampton, Inglaterra, onde ele trabalha, e foram meses muito proveitosos. Além de fazer toda a revisão bibliográfica e escrever a parte teórica durante este período que estive lá, ainda repensei a metodologia a partir dos conselhos diretos e precisos dados por ele.

Conte-nos mais um pouco especificamente sobre sua tese. Quais foram os elementos que motivaram seu trabalho?

De uma maneira simples e rápida, minha tese se resume a agregar os dados censitários em um conjunto de células regulares dispostas em um sistema de grade. Essa nova unidade geográfica – a célula – é arbitrária e fixa e, por isso mesmo, traz algumas vantagens, como não se alterar ao longo do tempo e ser independente de divisões político-administrativas ou operacionais. Além disso, essas unidades têm dimensões pequenas e podem ser vistas como “tijolos” que se juntam para formar qualquer recorte desejado. Isso traz enormes vantagens aos usuários, uma vez que facilita a realização de análises temporais e a integração de dados agregados em unidades diferentes, além de permitir a realização de estudos para áreas cujos limites não coincidem com divisões político-administrativas e possibilitar sua utilização diretamente como input em modelos de simulação.

A figura abaixo ilustra as vantagens da utilização da grade em termos de resolução espacial. Em áreas da Região Norte do Brasil, como no estado do Pará, onde existem grandes vazios de população, a utilização dos setores censitários mascara esta distribuição espacial, pois essas unidades apresentam grandes extensões. Com a utilização da grade estatística, as unidades são menores e os vazios de população podem ser vistos, permitindo um melhor reconhecimento e planejamento do território.

Maria

Creio que por ser uma usuária de dados eu sempre penso em tornar mais simples a utilização dos dados, tentando criar formas de superar as barreiras que dificultam o total aproveitamento do potencial de análise que os dados carregam consigo e que nem sempre pode ser totalmente explorado.

Quais foram as principais descobertas de sua tese? Em que sentido ela consegue avançar em relação aos desafios propostos no início do trabalho?

Eu acho que a minha tese não é do tipo que faz descobertas inovadoras, mas é daquelas que exploram caminhos que estavam ali o tempo todo e que simplesmente ainda não haviam sido seguidos. Uma frase de Schopenhauer resume bem isso: “A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou acerca daquilo que todo mundo vê.”

Com relação aos desafios colocados inicialmente, as aplicações executadas como exemplo na tese mostram que eles foram superados e que com a utilização da grade estatística o potencial analítico dos dados censitários foi ampliado e estendido.

Você acha que os resultados da sua tese estarão disponíveis para o grande público que utiliza os dados produzidos pelo IBGE? Existe alguma previsão para que isso aconteça?

Um conselho que me deram logo no início da tese foi: “Sua tese é a sua tese; seu trabalho no IBGE é seu trabalho no IBGE.” Ou seja, eu não deveria misturar as coisas. E foi o que eu tentei fazer, apesar de não ser tão fácil assim. Eu não decidi fazer doutorado para que minha tese fosse adotada pelo IBGE; isso foi um processo que aconteceu ao longo do tempo e não foi intencional. É claro que eu fico muito orgulhosa de ter um trabalho desenvolvido por mim adotado pela instituição para a qual eu trabalho. Mas não vamos misturar as coisas. Na minha tese eu posso decidir livremente os caminhos a seguir pensando apenas na técnica. Em uma instituição isso não acontece exatamente assim; existem diretrizes, planejamentos, integrações e interesses que devem ser considerados. O IBGE vai adotar a disseminação de dados censitários agregados em forma de grade, mas as características deste produto não serão necessariamente as mesmas adotadas na tese, já que os interesses da instituição devem ser considerados. Uma previsão preliminar é que o produto seja lançado em março do próximo ano.

* * *

Tese: “Grade estatística: uma abordagem para ampliar o potencial analítico de dados censitários”
Autor: Maria do Carmo Dias Bueno
Orientador: Álvaro de Oliveira D’Antona
Unidade: Programa de pós-graduação em Demografia – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UNICAMP).

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NEPO na ABEP 2014!

O XIX Encontro Nacional de Estudos Populacionais aconteceu entre os dias 24 e 28 de novembro em São Pedro/SP. O Programa de Pós-graduação em Demografia da Unicamp e o Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/Unicamp) tiveram forte participação no evento, seja com apresentações orais ou exposição de paineis. A foto abaixo conta com vários dos professores, pesquisadores e alunos do Programa de pós-graduação que puderam estar presentes nesta grande bienal da demografia brasileira. Para mais informações sobre o evento, acesse o Blog da ABEP clicando aqui.

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NEPO na ALAP 2014!

Nesta foto estão quase todos os professores, pesquisadores e alunos do Programa de Pós-graduação em Demografia e do Núcleo de Estudos de População (NEPO) da Unicamp que estiveram no VI Congresso da Associação Latino-Americana de População (ALAP), que aconteceu em Lima, no Peru, entre 12 e 15 de agosto de 2014.

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