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XVI Seminário da Pós-Graduação em Demografia da Unicamp

Seminário

PROGRAMAÇÃO

PRIMEIRO DIA

Segunda-feira, 15 de dezembro de 2014.

Local: Sala da Congregação – IFCH.

 

Mesa de abertura – Manhã – das 9:30h às 10h.

Roberto do Carmo – Chefe do Departamento de Demografia

Estela Maria da Cunha – Coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó

Joice Melo Vieira – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Demografia

 

Manhã – das 10h às 12h.

Sessão 1: (Re)distribuição espacial da população, mudanças ambientais e desastres socialmente construídos: novos desafios teórico-metodológicos para a Demografia.

Moderador: Álvaro D’Antona

Expositores Título do trabalho
1. Carla Craice da Silva Movimento e descontinuidades: o processo de redistribuição populacional em Lucas do Rio Verde (MT)
2. Fausto M. F. Del Guercio Efeitos da Composição do Domicílio no Consumo de Energia Elétrica: os casos de Lucas do Rio Verde, Santarém e Altamira
3. Heloisa Corrêa Pereira Distribuição e mobilidade da população em Unidades de Conservação de uso Sustentável na Amazônia Brasileira: o caso da reserva extrativista Auati-paraná.
4. Tathiane M. Anazawa Entre urgências e emergências: a falta de água como um desastre socialmente construído na Região Metropolitana de Campinas
5. Francine Modesto Dinâmica populacional e mudanças ambientais: riscos e adaptação no Litoral Sul de São Paulo

 

Tarde – das 14h às 16h.

Sessão 2: Metropolização, mobilidade espacial da população e autossegregação das elites: conexões entre passado e presente na dinâmica demográfica.

Moderador: José Marcos Pinto da Cunha

Expositores Título do trabalho
1. Guilherme M. Ortega A estruturação da Região Metropolitana de Campinas: Desenvolvimento econômico e características sociodemográficas
2. Késia Anastácio A dimensão demográfica no processo de metropolização: Uma análise da estruturação do arranjo-urbano-regional paulista – 1991/2010.
3. Dafne Sponchiado Pra dentro das portarias, por detrás das cancelas: características e condicionantes da autossegregação das elites em Campinas
4. Aparecido S. da Cunha A migração na Região Metropolitana de São Paulo e os espaços da mobilidade intrametropolitana – 1980/2010

 

Tarde – das 16h às 18h.

Sessão 3: Urbanização e saúde da população, arranjos urbanos-rurais e fluxos migratórios nacionais e internacionais: novas questões e tendências?

Moderadora: Roberta Peres

Expositores Título do trabalho
1. Natália Demétrio O Estado de São Paulo e seus rurais: uma análise a partir dos arranjos urbanos-rurais regionais
2. Giovana G. Pereira E quando o Inverno não chega? O fluxo migratório de piauienses para a cidade de Matão/SP
3. Igor Cavallini Johansen Urbanização, Justiça Ambiental e Saúde da população: o caso das doenças respiratórias em Campinas no ano de 2014
4. Jonatha Rodrigo Lira Análise da migração internacional na Amazônia brasileira: espacialização, composição sócio-demográfica e políticas bilaterais no século XXI
5. Luís Felipe Aires O Haiti é Aqui: presença brasileira no Haiti e imigração haitiana em Santa Catarina

 

SEGUNDO DIA

Terça-feira, 16 de dezembro de 2014.

Local: Sala da Congregação – IFCH.

 

Manhã – das 10h às 12h.

Sessão 4: Gênero, saúde reprodutiva, juventude e educação: processos socialmente construídos e dinâmica da população no Brasil

Moderadora: Marta Azevedo

Expositores Título do trabalho
1. Encina Díaz Gonzalez O déficit/A discrepância entre a fecundidade desejada e a fecundidade materializada a partir da perspectiva das relações de gênero
2. Vaneska Taciana Vitti Fecundidade e Saúde Reprodutiva do Povo Kamaiurá
3. Rosario Aparicio López Violência de gênero e etnicidade: considerações sociodemográficas e culturais da violência de gênero em casais indígenas mexicanos
4. Chandeline Jean Baptiste Transição para a vida adulta e migração internacional: o caso dos jovens haitianos na cidade de São Paulo
5. Flávia Vitor Longo Tal mãe, tal filho? Uma análise da mobilidade educacional intergeracional no Brasil

 

Tarde – das 14h às 16h.

Sessão 5: Estado conjugal, migração, família e saúde da população: múltiplas facetas de processos demográficos complexos

Moderadora: Luciana C. Alves

Expositores Título do trabalho
1. Graziela Barnabé O aumento da união consensual no Estado de São Paulo a partir dos anos 80: uma análise sociodemográfica e jurídico documental
2. Katiani Tatie Shishito Quem você quer ser quando crescer? Entre tempos e espaços – passagens pela migração e vida adulta
3. Carmen Siqueira Família, envelhecimento e solidariedade
4. Anaíza Garcia Pereira Condição de Vida e Saúde dos Idosos Mais Idosos no Brasil e Grandes Regiões: Uma Análise dos Anos de 1998 e 2008
5. Reginaldo P. de Oliveira Envelhecimento populacional, desigualdades sociais e saúde

 

Tarde – das 16h às 18h.

Sessão 6: Dinâmica demográfica urbana: desafios do estudo do passado e do presente 

Moderador: Everton Lima

Expositores Título do trabalho
1. Katia Izaias As transformações da dinâmica demográfica campineira, nos tempos da República Velha – 1890-1930
2. Ednelson Mariano Dota Mobilidade residencial intrametropolitana na RM de Campinas: uma abordagem a partir da distribuição espacial dos migrantes
3. Sérgio Avellar Mobilidade interna de Mestres e Doutores Brasileiros
4. Anderson Kazuo Nakano A Produção Sociodemográfica da Densidade Urbana: Efeitos da Mobilidade Residencial e da Dinâmica Intraurbana
5. Cimar Aparicio Pobreza urbana e políticas de habitação social.

Estão todos convidados!

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‘Desastres não são naturais, mas socialmente construídos’, diz especialista

Ingrid Tavares

2012: Pastagem seca e carcaças de animais tornaram-se paisagem no município de Conde, no litoral norte da Bahia. A região Nordeste brasileira enfrenta a pior seca nos últimos 50 anos, segundo a Organização Meteorológica Mundial. A onda de calor fez as temperaturas médias ficarem entre 1ºC e 2°C acima do normal no ano passado, afetando 1.100 municípios na região

As mudanças no clima vão trazer eventos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos ao Brasil – principalmente nas grandes cidades. Na visão de Roberto do Carmo, do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os desastres não são “naturais”, mas “socialmente construídos” pela ausência de uma política habitacional, principalmente. “A expansão das grandes cidades é direcionada basicamente pelo mercado imobiliário. Observando a ocupação do espaço urbano, identificamos que os grupos de população de baixa renda são alocados em áreas dispersas [longe do centro], geralmente expostos a perigos ambientais. Será que essa é a melhor maneira?”, questiona o coordenador da sub-rede Cidades durante sua apresentação na Conclima (Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais). Se a tendência de concentração em áreas urbanas continuar no atual ritmo, com 85% dos brasileiros vivendo nesses centros, as cidades vão inchar com o acréscimo de 52 milhões em até 30 anos, chegando a marca de 194 milhões de pessoas, calcula Carmo.

Ampliar

Trabalhador sobe na chaminé de usina termoelétrica construída na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O Brasil é o sexto maior emissor do mundo, com cerca de 1.144 megatoneladas de derivados do uso energético, sem considerar os problemas causados pelo desmatamento dos nossos biomas

Eventos mais intensos

De um lado, o Norte e o Nordeste passarão a ficar mais secos com a queda significativa da ocorrência das chuvas, enquanto o Sul e o Sudeste sofrerão com o aumento das precipitações até 2100. Mas não é preciso esperar até o fim deste século para ver as consequências nas grandes cidades: esses fenômenos hidro-meteorológicos já são responsáveis por 100% dos desastres naturais no país, frente a 75% no âmbito global. Segundo Regina Rodrigues, do Departamento de Geociências da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), as inundações e os deslizamentos de terras são as principais causas de morte dos desastres naturais, enquanto a seca responde pelo maior número de pessoas afetadas por esses eventos extremos. A pesquisadora coordena o grupo de trabalhos sobre Desastres Naturais da Rede Clima. Criado em 2007, o sistema do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação tem como desafio preparar o Brasil para causas e efeitos das mudanças climáticas, amparada atualmente por trabalhos de 13 sub-redes. A equipe de Regina elaborou um mapa de resiliência da vegetação nativa e constatou que a parte mais vulnerável dessas alterações abruptas, que colaboram ainda mais para a incidência de eventos extremos no planeta, coincide com as regiões mais desmatadas no Brasil, assim como na Austrália e na África. “Mas quando comparamos esses cenários, só a América do Sul mostrou capacidade de regenerar sua cobertura arbórea em eventos extremos úmidos, de chuvas, o que pode aumentar o sequestro de carbono.” A pesquisadora destacou, ainda, a criação de um modelo do grupo que conseguiu prever, com sucesso, de 85% do El Niño e 80% da ocorrência da La Niña,  fenômenos climáticos que atuam, alternadamente, no oceano Pacífico. Como a chuva no Nordeste está associada à zona de convergência intertropical em conjunto com a ação da El Niña (que esfria as águas do Pacífico, obrigando um leve aquecimento do oceano Atlântico para equilibrar a temperatura atmosférica), muitos esperavam uma estação chuvosa intensa no ano passado. Mas isso não ocorreu, muito em parte pelo enfraquecimento do fenômeno, que ficou concentrado apenas no centro do Pacífico, sem migrar para o oceano que banha o nosso país. “O aumento da temperatura média dos oceanos está alterando esses eventos, afetando diretamente as temporadas de chuvas [no Brasil]. Por isso, se tiver alguma alteração, a estação chuvosa só vai ocorrer no próximo ano, entre março e maio, geralmente.” O físico Carlos Garcia, do Instituto de Oceanografia da FURG (Universidade Federal do Rio Grande), aponta que tanto a elevação das temperaturas quanto do nível do mar alteram os eventos extremos, afetando áreas vulneráveis na costa brasileira. O problemas, ressalta o coordenador da sub-rede de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, é que há muitas lacunas nos dados da rede altimétrica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Tem muitas lacunas nos dados de satélites antes de 1995, por isso não observamos tendências. Mesmo com o SimCosta, o Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira que deve ser implantado em breve, vai ser muito difícil – para não dizer praticamente impossível – recuperar esses dados em algumas áreas.  Mas esperamos recuperar alguma coisa, para tentar recriar essa série histórica e monitorar melhor o mar.”

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