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Tese revela superexploração de mão de obra de haitianos em SC

Estudo embasou denúncias feitas pelos Observatórios das Migrações ao Ministério Público do Trabalho

Imigrantes haitianos que vieram para o Brasil entre 2010 e 2014 e, recrutados por setores da agroindústria ou da construção civil, foram trabalhar no Estado de Santa Catarina, tiveram a mão de obra superexplorada por seus empregadores, ou seja, sofreram a violação do valor da força de trabalho. Conforme detalhou a tese de doutorado defendida pelo pesquisador Luis Felipe Aires Magalhães, no Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (Nepo), as empresas utilizavam vários mecanismos para tirar o máximo dos trabalhadores.

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O pesquisador Luis Felipe Aires Magalhães, autor da tese: “O Estatuto enxerga o estrangeiro como uma ameaça”

A primeira estratégia era descontar dos salários a concessão do alojamento, seguida da chamada alocação discriminatória, que significava colocar o haitiano em setores que exigiam mais força física ou em setores que favoreciam doenças relacionadas ao trabalho. Por último, a tese apontou que, sem conhecer direito o português, os imigrantes eram obrigados a assinar contratos com cláusulas nas quais abriam mão dos direitos trabalhistas depois da demissão.

A superexploração da mão de obra dos imigrantes haitianos é detalhada na tese e embasou denúncias feitas por pesquisadores dos Observatórios das Migrações ao Ministério Público do Trabalho. Luís Felipe integra a seção do observatório em São Paulo, com um projeto Fapesp coordenado por sua orientadora, a docente Rosana Baeninger. Porém, as pesquisas, que abrangem outros Estados, por meio de uma rede de observatórios e outros grupos de pesquisa em outras regiões do Brasil, também mostraram a existência das práticas das empresas.

Segundo o pesquisador, eram descontados do salário de cada trabalhador em média 230 reais pelo alojamento. Em trabalho de campo, Luis Felipe identificou que as condições eram muito precárias. “Em alguns casos, 11 trabalhadores dividiam dois cômodos e um único banheiro, havia infiltrações e as construções tinham o pé direito baixo”, salienta.

Os haitianos, acrescenta o autor, mesmo recebendo menos que os brasileiros, eram alocados para os setores mais pesados, como o da “pendura” em frigoríficos e também o de miúdos. Frequentemente, os imigrantes levantavam peso além do permitido pela norma reguladora.

No setor de miúdos, os trabalhadores seguravam funis em alturas superiores às previstas na legislação, sendo obrigados a entre 8 ou 10 horas diárias com os braços situados numa angulação superior a 90 graus. “Um em cada quatro trabalhadores está afastado por doença de trabalho”, complementa.

As questões relacionadas ao trabalho estão situadas num contexto mais amplo abordado pela tese, de estudo das dinâmicas da imigração haitiana, entendendo o fenômeno como processo histórico e social e também a composição de um perfil sociodemográfico dos fluxos. “Sempre houve a emigração no Haiti, mas a quantidade de pessoas desejosas de viver em outro país aumentou após um conjunto de transformações basicamente depois de 2004, quando o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto e se agravou a crise política e eleitoral no país”. O envio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), “uma força estrangeira, militar, que supostamente tentaria estabilizar o Haiti”, além das crises financeiras mundiais de 2007 e 2008, foram outros fatores que contribuíram para favorecer a imigração como constata o pesquisador. Em 2010 houve o terremoto que matou mais de 200 mil pessoas.

Eldorado

Segundo o estudo, um dos motivos da escolha dos haitianos pelo Brasil foi o período de crescimento econômico e inclusão social entre 2003 e 2010. “Foram criados 14,7 milhões de empregos e isso chamou a atenção das famílias haitianas. O Brasil passou a ser considerado o novo eldorado da imigração haitiana. Paralelo a isto foi criado o visto de ajuda humanitária exclusivo e específico para os imigrantes daquele país”.

Os quatro primeiros anos da chegada de imigrantes haviam sido marcados pela indocumentação. O visto era muito restrito e obedecia a uma cota de 1.200 por ano. “Os que não tinham o visto de ajuda humanitária eram atraídos pela rede que opera as migrações, que envolve em alguma medida tráfico, venda de passagens, manipulação de informações e endividamento dos imigrantes”.

Luis Felipe observou que essa rede se aproveitava do fato de o Equador não exigir visto a nenhum cidadão do mundo, para usar o país como rota. “Foram articulados voos ou do Haiti ou da República Dominicana para o Equador. De lá os imigrantes faziam viagens de ônibus na clandestinidade cruzando todo o território peruano e chegavam à fronteira brasileira, nos estados do Acre ou do Amazonas, pedindo refúgio”.

Por conta da legislação, o Estado brasileiro era obrigado a abrir um processo de avaliação desse pedido, mas imediatamente oferecer carteira de trabalho e CPF ao imigrante. “A pessoa podia circular pelo território e procurar emprego”.

O fluxo que chegava documentado representava uma parcela pequena, de 10% a 15% do total de imigrantes, que vinha direto do Haiti para o aeroporto de Guarulhos. “A Resolução Normativa 102/2013, do Conselho Nacional de Imigração, além de revogar o limite para os vistos, permitiu a emissão em outras embaixadas brasileiras no exterior, não só no Haiti, mas também na República Dominicana, na Bolívia, no Equador e no Peru. Ampliou-se o leque de possibilidades para o imigrante”.

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Cenas do Haiti: saída intensificou-se depois da deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004

O recrutamento de trabalhadores começava nas áreas de concentração nas fronteiras ou em São Paulo, nos espaços de acolhimento. “Minha tese conseguiu identificar quais foram as empresas que inauguraram o processo. Empresas do Brasil inteiro estavam presentes, mas sobretudo as da construção civil, de serviços portuários e de limpeza urbana do Sul do Brasil, setores caracterizados por uma alta rotatividade da força de trabalho”.

Os imigrantes foram se deslocando, inicialmente para cidades do litoral norte de Santa Catarina. Depois os frigoríficos passaram a requisitar trabalhadores para o oeste do Estado. “Pudemos acompanhar esse processo nas duas pontas, participando das reuniões de recrutamento no litoral e vendo as condições de trabalho e de alojamento no interior”.

Perfil e dependência

Para compor o perfil sóciodemográfico dos fluxos migratórios, o pesquisador participou de um trabalho de campo que entrevistou quase 300 imigrantes haitianos em 16 cidades do Brasil. Ele mesmo entrevistou 99 imigrantes haitianos na cidade catarinense de Balneário Camboriú. “As principais características desse imigrante são: ser do sexo masculino, adulto jovem de religião evangélica com ensino médico completo ou superior incompleto. Não foram poucos os enfermeiros, professores e agrônomos ouvidos por nós”. O perfil também integrou em nível nacional uma pesquisa intitulada “Haitianos no Brasil, perfil e trajetórias” coordenada pelo professor Sidney Antonio da Silva, da Universidade Federal do Amazonas.

Luis Felipe concluiu a tese formulando um conceito de migração de dependência para os fluxos de imigrantes do Haiti. Ele constatou a dependência que as famílias haitianas têm das remessas de dinheiro provenientes de trabalhadores que residem fora do país, não somente no Brasil. Essa dependência chegou a representar entre 22% e 26% do PIB do país de 2005 a 2015.

“O fenômeno da dependência está presente em diversas instâncias na história do Haiti, que se converte na maior produtora de riquezas coloniais do mundo nos séculos 17 e 18, para o país mais pobre da América, atualmente”. Para o pesquisador, o Haiti está em posição de marginalidade e subalternalidade na dinâmica do capitalismo mundial. A tese é dedicada a entender a migração como um desafio, como um direito humano à mobilidade “não como um crime ou como um problema”.

Luis Felipe salienta que as políticas de acolhimento no Brasil ainda são muito frágeis e improvisadas, uma vez que ainda está vigente o Estatuto do Estrangeiro que é uma lei de 1980, do período de ditadura militar. “O Estatuto enxerga o estrangeiro como uma ameaça, justificando assim o fato de que o primeiro representante do Estado que o imigrante encontra, seja um policial federal”. A imigração haitiana vem cumprindo o importante papel de retomada de estudos e de uma certa militância a respeito da importância de políticas públicas específicas aos imigrantes e refugiados, considera.

 

Fonte: Jornal da Unicamp (16 de maio de 2017). Link para acesso AQUI.

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Imigrantes e Refugiados em Campinas: ações de cidadania despertam o senso de comunidade

Imigrantes e refugiados em Campinas: ações de cidadania despertam o senso de comunidade da cidade
O haitiano Jean Rick, 29 anos, em Campinas desde fevereiro de 2015, era professor de Ciências Sociais em seu país Foto: Martinho Caires

Por Adriana Menezes

Todo aquele que chega desperta olhares diversos dentro de uma nova comunidade. Em pequeno ou em grande número, a chegada do “outro” que vem “de fora” contribui para mudanças nas relações sociais decorrentes da necessidade de inserção. Mas, ao contrário da imagem quase unânime de hospitalidade do brasileiro, a inclusão não acontece naturalmente. Na falta de políticas públicas claras e atualizadas, são as ações de cidadania isoladas que estabelecem o espaço para o afeto e garantem a dignidade e o direito a ter direito de muitos estrangeiros.

Campinas recebeu mais de 15 mil imigrantes e refugiados entre 2000 e 2015 das mais diversas nacionalidades e condições – de americanos, alemães e coreanos para o mercado de trabalho altamente qualificado das multinacionais do Pólo Tecnológico, até haitianos, sírios e paquistaneses refugiados com histórias de perdas e tragédias por catástrofes naturais, por guerra ou crise econômica. No último ano, com a chegada de um grande contingente de haitianos, o número de imigrantes e refugiados passa hoje das 1,4 mil pessoas.

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Diferentes demandas

O haitiano Jean Rick, 29 anos, chegou a Campinas em fevereiro de 2015. Professor de Ciências Sociais em seu país, fez serviços de recapeamento (por intermédio da Prefeitura) e hoje está registrado como padeiro, com treinamento profissional. Apesar do emprego registrado e seu visto humanitário no Brasil, tem planos de ir agora para a Islândia, onde já mora um irmão, e num futuro ainda incerto quer voltar ao seu país, que em 2010 foi destruído por um terremoto. Jean só chegou a um emprego formal porque voluntariamente um cidadão campineiro, que não quis se identificar, fez a ponte entre o empresário que procurava mão de obra e o grupo de haitianos que o voluntário e sua esposa já auxiliavam com aulas de português.

O cubano Yosbel Asen Diaz, 30 anos, é formado em Hotelaria e migrou para o Brasil para casar-se com Vivian dos Santos Queiroz   Foto: Martinho Caires

O cubano Yosbel Asen Diaz, 30 anos, é formado em Hotelaria. Trabalhava na área em Havana, onde conheceu sua atual mulher, a brasileira Vivian dos Santos Queiroz. Yosbel migrou em junho de 2016 para o Brasil, onde ainda procura emprego, mas já tem certeza de que constituirá família aqui. Vivian está grávida de três meses. No Departamento de Cidadania da Prefeitura, Yosbel faz contatos, busca auxílio para entrar no mercado de trabalho e também colabora, indo a palestras para contar a sua história. Apesar de sua situação privilegiada, com casa e a presença da mulher, o cubano ainda precisa de ajuda na inserção na sociedade.

Os sírios Chaza Alturkmani e Suhib Zinou, de 60 anos, abriu em Campinas o restaurante de comida árabe Castelo de Alepo     Foto: Martinho Caires

O casal de sírios Chaza Alturkmani e Suhib Zinou, 60 anos, já chegou ao Brasil com a família completa: duas filhas e um filho. Refugiados de guerra, estão felizes por ter agora segurança, os filhos com emprego e estudo, e eles com um restaurante, mas não deixam de se reunir com outros sírios refugiados na cidade, também sofrem em aprender a língua e sonham em um dia retornar a Alepo. Os filhos já aprenderam a língua, o casal no entanto diz que não tem tempo para frequentar as aulas de português porque trabalha muito no restaurante Castelo de Alepo, no Cambuí. Agradecem incansavelmente a toda ajuda que receberam. Escolheram Campinas porque um amigo sírio já havia migrado para a cidade em busca de paz e estabilidade. Foi o amigo que ajudou nos primeiros dias.

Vulnerabilidade

Em todos os casos, o que há em comum é a vulnerabilidade do imigrante, seja pela dificuldade da língua, a falta de dinheiro ou a necessidade de moradia, alimento e trabalho. As histórias de vida de cada um criam o pano de fundo dramático de um mundo onde os conflitos sociais e políticos roubam o senso de comunidade das cidades e impedem o olhar sensível voltado para a cidadania.

“Os imigrantes precisam de um olhar mais atento”, diz a cientista social Rosana Baeninger, professora da Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo/UNICAMP). Os dados que ela fornece sobre 15 mil imigrantes de 2000 a 2015 em Campinas são da base de dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros no Brasil (Sincre), ao qual teve acesso pelo Observatório de Migrações em São Paulo, projeto da Fapesp realizado em parceria entre Unicamp, PUC de Minas Gerais, entre outras instituições, como Ministério da Justiça. “O Brasil está na rota das migrações transnacionais. Como o primeiro mundo tem restrições, os países emergentes passam a ser a rota”, afirma Rosana.

Segundo a pesquisadora, o Brasil não é apenas destino migratório, mas de trânsito. Muitos permanecem um tempo e depois vão para outro país, a exemplo do haitiano Jean Rick, que vai para a Islândia. “Muitos haitianos hoje estão saindo do Brasil para o Chile”, diz Rosana. Do total de 15 mil em 15 anos na cidade, 5 mil são estudantes, 9 mil são mão de obra qualificada (oriundos dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, nesta ordem decrescente numérica) e apenas cerca de 1 mil chegam com reais necessidades de auxílio. Destes, apenas 250 são refugiados.

 

Repensar a sociedade

“As pessoas acham que o número legitima o fenômeno, mas não importa se são 15 mil ou 30 pessoas, porque o impacto na vida do município existe de qualquer maneira. Isso demanda uma nova forma de pensar a sociedade”, afirma a pesquisadora. Já passaram por Campinas refugiados de Angola, Colômbia, Cuba, Equador, Nicarágua, Nigéria, República do Congo, Síria, Líbia e Haiti. As nacionalidades de imigrantes são ainda mais diversas.

Para Rosana, a municipalidade assume hoje a responsabilidade da inserção devido à falta de uma legislação federal atualizada. O que vigora ainda é o Estatuto do Estrangeiro, criado durante a ditadura, “uma lei anacrônica”. As instituições domésticas e a Igreja também têm um papel fundamental neste contexto de auxílio. Ela lembra, no entanto, que há uma lei de imigração em tramitação no Congresso.

 

Rosana Baeninger, cientista social professora da Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Populacionais (Nepo): “Os imigrantes precisam de um olhar mais atento”      Foto: Martinho Caires

“Há uma enorme diversidade e uma grande demanda por parte dos imigrantes. Lembro de uma família de colombianos que durante o I Fórum sobre Imigração e Refúgio em Campinas, em setembro, disse que era a primeira vez que alguém os ouvia desde que chegaram, há muito tempo na cidade.”

Falsos mitos

A verdade é que o Brasil criou um mito da receptividade migratória que não é real, diz a pesquisadora. “Existe um tipo ideal de imigrante criado em nosso imaginário devido à nossa formação Estado Nação, que é o do branco europeu civilizado. Mas há diversidade nos fluxos migratórios”, diz Rosana, que destaca que as pesquisas populacionais do Nepo e Fapesp têm como bandeira a relação de cidadania baseada em Hannah Arendt, do direito de todo cidadão ter direito.

Quando o estrangeiro chega ao Brasil como imigrante ou refugiado, ou seja, sem ser a turismo ou trabalho, ele deve se apresentar no prazo de um mês à Polícia Federal. Os haitianos já têm o visto humanitário, que em agosto foi renovado até agosto de 2017. Os sírios e paquistaneses que chegam já têm um entendimento prévio de que são refugiados. Mesmo assim, o refugiado deve solicitar o refúgio à PF. A decisão é encaminhada a um comitê ligado ao Ministério da Justiça que foi instituído para avaliar caso a caso. “A decisão é política”, explica o diretor do Departamento de Cidadania da Prefeitura Municipal de Campinas, Fábio Custódio.

Em Campinas, a porta de entrada para muitos imigrantes é o Departamento de Cidadania. “Às vezes a porta de entrada é a escola, no caso de famílias que têm filhos. Mas nós somos procurados principalmente para auxiliar em questões de documentação ou relacionadas a trabalho”, diz o diretor. Segundo Fábio Custódio, eles também recebem denúncias de trabalho escravo de imigrantes.

Fábio Custódio, diretor do Departamento de Cidadania da Prefeitura de Campinas: “Precisamos ter uma regulamentação e estar preparados”    Foto: Martinho Caires

Uma rede de apoio

“Nós também promovemos ações de inclusão social e cultural, como o evento Campinas de Todos os Povos, que contribuem para levar consciência e acabar com a xenofobia”, afirma o diretor. Segundo Fábio, as queixas mais comuns de xenofobia na cidade são contra os povos do oriente médio, especialmente mulçumanos que são associados ao terrorismo; e contra os imigrantes negros ou indígenas. “Sofrem especialmente no ambiente de trabalho.”

Outra ação do Departamento é a formação de uma Rede de Apoio a Imigrantes e Refugiados, formada pela sociedade civil que começou a se organizar em meados de 2015. “São pessoas, instituições, nós do poder público e qualquer entidade que presta algum tipo de ajuda”, diz Custódio. A rede hoje é composta por mais de 20 nomes, mas ela está aberta à participação. O episódio do Acre, em 2015, quando um grande número de haitianos tentava entrar no Brasil, motivou a criação da rede.

“O poder público pode pouco, porque por questões legais não podemos fazer nada que envolva comercialização ou vínculo empregatício, por isso não somos nós que capitaneamos a rede, mas fazemos parte dela”, afirma Custódio. Ele lembra que a imigração é um fenômeno mundial. “Até 2050, entre meio e um bilhão de pessoas vão migrar, se movimentar no planeta, por motivos diversos: guerra, falta de água, fenômenos naturais, questões religiosas. O fluxo não vai cessar”, diz o diretor. “Precisamos ter uma regulamentação e estar preparados.”

 

Núcleos de convivência

Hoje em Campinas há em torno de 1,4 mil imigrantes e refugiados, dos quais pelo menos 950 são haitianos. Há uma grande diversidade de demandas, mas as salas de aula de português se tornaram verdadeiros núcleos de convivência. Muitos professores ajudam seus alunos fazendo currículos ou cuidando da saúde ou observando se são explorados no trabalho. As comunidades religiosas, diz Custódio, são essenciais. A Missão Paz, por exemplo, onde o Departamento já fez treinamentos, atua há mais de cem anos no acolhimento de todo tipo de migrante e imigrante na capital paulista, na Rua do Glicério. “Nós aprendemos muito com eles em como fazer. Se não fosse a Missão Paz eu acho que a prefeitura de São Paulo estava perdida”, diz o diretor. Há também, lembra Fábio Custódio, o apoio das próprias igrejas que os imigrantes procuram. Os evangélicos recebem ajuda de suas igrejas, os muçulmanos também.

O padre André Luiz Bordignon, de 35 anos, da Paróquia Jesus Cristo Libertador, no Jardim Florence I, abriu espaço para o grupo de haitianos que frequentava sua missa se reunir e se organizar na igreja. De junho até agora, já fizeram três encontros. O grupo de cerca de 40 homens, mulheres e crianças mora no mesmo bairro. “Os haitianos são muito católicos, mas há também evangélicos no grupo. Todos eles se reúnem aqui. A comunidade começou a ajudar espontaneamente”, diz o padre André.

Padre André Luiz Bordignon: “Eles são vítimas vulneráveis. Com ou sem política, a igreja vai continuar ajudando"    Foto: Martinho Caires

Entre as principais dificuldades do grupo estão a língua, a moradia e o trabalho. “Eu soube de um proprietário que quis cobrar R$ 1 mil de aluguel por uma casa pequena no Satélite Íris. Há também patrões que exploram. Não podemos achar que o Brasil melhorou só por causa das leis”, afirma o padre. Segundo ele, a maioria está no mercado informal de trabalho porque não consegue emprego formal devido à língua. A paróquia então se organizou para oferecer aulas de português e auxílio jurídico. A advogada dá plantão voluntário e os professores também. “Não somos uma ONG. A nossa obra é de misericórdia no acolhimento dos peregrinos.”

Integração

No segundo semestre, a paróquia realizou duas missas em crioulo, língua oficial no Haiti junto com francês. O Frei Ilário de São Paulo, diz o padre, veio a Campinas para celebrar as missas e ainda fará mais uma este ano, no Natal. “Já o apelidaram de haitiano branco”, brinca. As crianças da comunidade estão ensaiando uma música em crioulo para cantar no coro e está prevista uma festa haitiana onde eles vão mostrar a cultura do Haiti. “A integração com eles se deu pela missa, que fez a comunidade se abrir para eles. Agora o povo do bairro os conhece.”

O padre André acredita que falta política voltada para os imigrantes em todo o mundo. “Eles são vítimas vulneráveis. Mas com ou sem política a igreja vai continuar ajudando. Não estamos fazendo nada de extraordinário, apenas não fico esperando que nenhuma política faça.”

Fernando Del Grossi, empresário: "É uma questão de pensar o que você pode fazer para ajudar. Se ninguém se importar, ninguém faz nada"     Foto: Martinho Caires

Vontade de ajudar

O empresário Fernando Augusto Del Grossi, de 51 anos, decidiu investir no treinamento e contratação do haitiano Jean Rick como padeiro, para trabalhar em sua boulangerie, aberta há três meses no Cambuí. “Foi uma experiência importante também na minha vida. Não é uma questão de pensar no que você vai ganhar com isso, mas é pensar o que você pode fazer para ajudar. Se ninguém se importar, ninguém faz nada”, diz Del Grossi.

O engenheiro de alimentos estava ainda finalizando as obras da Boulangerie Adélia quando um morador do bairro o procurou. O psiquiatra, que preferiu não se identificar, falou que podia apresentar um grupo de haitianos que precisava de emprego, para o qual ele e sua mulher prestavam alguns auxílios, como dar aula de português. Del Grossi aceitou conhecer o grupo, fez mais de seis entrevistas e escolheu um candidato para a função de padeiro que precisava. Investiu no treinamento especial feito com um profissional francês sobre técnicas francesas de panificação e fermentação natural. “Ele nunca havia trabalhado com panificação, mas vi potencial no Jean e não me arrependi. Eu acho que é uma prática que todo empresário deveria experimentar, porque você pode dar dignidade aos refugiados que precisam, além de sair de sua zona de conforto”, sugere Del Grossi, que diz se sentir orgulhoso de poder ajudar.

Jean fez o curso de padeiro de um mês e foi contratado por Fernando Del Grossi na Adélia Boulangerie      Foto: Martinho Caires

A história de Jean

Jean Rick dava aula de Ciências Sociais no Haiti. Aos 29 anos, foi um dos integrantes da família escolhido para buscar emprego em outro país para garantir a subsistência de todos. Um irmão na Islândia, outro no Chile e mais um no Brasil fazem o mesmo e enviam seus rendimentos à família de cerca de 14 pessoas no Haiti, entre eles uma filha de Jean.

O terremoto que destruiu o Haiti ocorreu há seis anos, mas o país ainda não se reconstruiu e falta emprego para a população. Em 2015, um grande contingente de haitianos tentou entrar no Brasil por Rio Branco, no Acre, e Jean era um deles. Passou antes pela República Dominicana, Panamá, Equador e Peru. Quando entrou no Brasil, ficou três dias sem comida. “Tinha apenas água. Foi muito difícil”, conta Jean sem muita vontade de contar. Quando a família enviou dinheiro, ele conseguiu seguir para São Paulo e depois, Campinas. Em abril de 2015 chegou à cidade.

Por intermédio da Prefeitura, conseguiu um emprego para fazer recapeamento. “Melhorou, mas tudo ainda é difícil, documentação, pagar aluguel.” No Jardim Florence I recebeu a visita do padre André Luiz Bordignon, da Paróquia Jesus Cristo Libertador, na casa onde morava com a comunidade haitiana. O psiquiatra que o indicou para a boulangerie prestava serviços na paróquia. Hoje contratado como padeiro, Jean faz planos de ir para a Islândia e, um dia, voltar ao Haiti, porque sente saudade da família e de sua filha de 7 anos. Ele ainda mora com os amigos haitianos e diz que agradece muito a todos que o ajudaram, como o padre e o patrão.

Yosbel Diaz: "É difícil deixar sua cultura, sua vida, mas eu me apaixonei. Algo me dizia que eu precisava construir minha família"    Foto: Martinho Caires

A história de Yosbel

Ele era lutador de luta Greco-romana em Cuba na sua adolescência. Corria 25 km por dia e fazia treinamento intensivo. Mas, aos 16 anos, sua condição de filho único o fez mudar. “Eu vi em casa um ovo na geladeira, só açúcar e água, então decidi ajudar minha mãe. Vê-la sofrer me fez mudar de vida. Comecei a trabalhar e estudar”, lembra Yosbel Asen Diaz. Fez curso de eletrônica e depois de hotelaria e turismo, onde há os melhores empregos do mercado de trabalho do país.

“Cuba é uma ilha muito linda e o turismo é importante fonte de recurso. Tive liberdade de escolher minha profissão”, diz Yosbel. Aos 30 anos, mais uma vez uma mulher o fez tomar outra decisão importante em sua vida. O cubano conheceu a brasileira Vivian dos Santos Queiroz, que viajava a trabalho. “Ela me hipnotizou”, brinca. “É difícil deixar sua cultura, sua vida, mas eu me apaixonei. Algo me dizia que eu precisava construir minha família. E agora ela está grávida”, diz sorrindo.

Yosbel afirma ter sido bem recebido no Brasil por todos. No Departamento de Cidadania da Prefeitura de Campinas ele busca apoio para conseguir um emprego. Também faz aulas de português pelo programa da Fundação Municipal para Educação Comunitária (Fumec), onde convive com imigrantes de Gana, Paquistão, Tunísia, Egito, Marrocos, Síria, Nigéria e Senegal. Lá ouve histórias que o faz ter certeza de que tem uma situação privilegiada, porque muitos deles passam por dificuldades que comovem o cubano.

Chaza Alturkmani e Suhib Zinou: “Às vezes, quando fico pensando nisso, tenho saudade. Aqui tudo é diferente. Mas nós agradecemos a todos que nos ajudaram"     Foto: Martinho Caires

A história de Suhib e Chaza

A síria Chaza Alturkmani é economista e tinha, na Síria, uma empresa de turismo. Seu marido, Suhib Zinou, de 60 anos, também era empresário, dono de uma empresa que fabricava elevadores. Os três filhos estudavam na cidade onde moravam, Alepo, a segunda maior do país depois da capital, Damasco. O filho cursava engenharia elétrica e uma das filhas já era médica. Mas a guerra acabou com tudo isso e a família se viu obrigada a sair do país deixando tudo pra trás.

Escolheram Campinas por indicação de um amigo sírio que já viera antes para a cidade. Apesar de terem conseguido sair com vida e com dinheiro suficiente para a viagem e o hotel no início, a família diz que foram muitas as dificuldades. A maior delas foi a língua. Os filhos superaram esta barreira rapidamente. O filho já ingressou na Unicamp para concluir seu curso universitário, a filha médica trabalha em mais de um hospital em Campinas e região, e a outra estuda. O casal, no entanto, fala da dificuldade em aprender português, apesar de terem aberto um restaurante há dois anos, que teve sucesso e mantém movimento constante.

“Sem trabalho não há vida”, diz Suhid. “E sem o português não dá pra trabalhar em empresa. Por isso abrimos o restaurante. Minha mulher faz aqui o que fazia em casa, e eu cuido do atendimento.” Todos os dias às 5h eles começam o trabalho do restaurante Castelo de Alepo, que abre para o almoço o self-service de comida árabe. Com muito trabalho, dizem eles, não conseguem fazer aulas de português.

“Nossa vida na Síria era muito boa. Os filhos querem ficar aqui, mas nós queremos voltar”, diz Chaza. “Às vezes, quando fico pensando nisso, tenho saudade. Aqui tudo é diferente. Mas nós agradecemos a todos que nos ajudaram. O brasileiro é muito amigável.”

O casal frequenta a mesquita muçulmana do bairro Taquaral e faz encontros com outros sírios na cidade, que são cerca de 20, segundo Chaza. “Eu sei de um sírio que trabalha com pintura, outro tem uma tenda na feira com comida árabe e todos trabalham”, conta Suhib.

Segundo Suhib, o momento que fez a família decidir sair da Síria foi quando caiu uma bomba sobre a universidade, em Alepo, num momento em que o filho estava lá. Suhib tentava falar com o filho e não conseguia. Demorou mais de duas horas até saber que ele estava vivo. No hospital, a filha também começou a conviver com a presença de soldados. Tudo isso os fez sair do país. “Hoje minha casa foi tomada pelo governo. Eles dormem na minha cama de verdade”, lamenta.

Fonte: http://agenciasn.com.br/arquivos/8940

 

Sobre o Observatório das Migrações em São Paulo e as pesquisas da professora Rosana Baeninger no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Demografia da Unicamp, veja também:

Imigração de trabalhadores qualificados para São Paulo aumentou nos últimos anos.

Agência FAPESP (21/11/2016)

Disponível em: http://agencia.fapesp.br/imigracao_de_trabalhadores_qualificados_para_sao_paulo_aumentou_nos_ultimos_anos/24334/

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País recebe 30 mil novos imigrantes italianos entre 2000 e 2015

Dados são de projeto que quantifica e traça o perfil sociodemográfico de residentes no Brasil há menos de 10 anos

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O Brasil recebeu aproximadamente 30 mil novos imigrantes italianos no período de 2000 a 2015 – mais da metade (16 mil) nos últimos cinco anos –, naquela que pode ser chamada de “terceira onda” desta imigração histórica: tivemos a grande onda do final do século 19 até por volta de 1920; a segunda iniciada logo após o fim da Segunda Guerra, que reduziu de volume na década de 60; e a terceira a partir dos 2000, especialmente após os anos de 2005 e 2006. Os dados fazem parte do Projeto “Nuovi Arrivati” (Recém-Chegados), que tem o objetivo de quantificar e traçar o perfil sociodemográfico e profissional dos cidadãos italianos residentes no Brasil há menos de 10 anos.

O projeto “Nuovi Arrivati” é uma realização do Comitê dos Italianos no Exterior da Circunscrição de São Paulo (Comites-SP) e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália (MAE). Na Unicamp, suas atividades são desenvolvidas no âmbito do Observatório das Migrações em São Paulo, projeto temático Fapesp/CNPq coordenado pela professora Rosana Baeninger, do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (Nepo) da Unicamp. Também colaboram com a iniciativa o Consulado Geral da Itália em São Paulo, a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (Italcam), a Missão Paz e o Escritório Guarnera Advogados.

Segundo Rosana Baeninger, esta pesquisa concilia o interesse do Comites-SP, que é de garantir boa acolhida aos novos imigrantes italianos, com o interesse do Observatório das Migrações de melhor conhecer o que ela define como uma nova modalidade migratória. “Temos muito mais conhecimento dos imigrantes latino-americanos, que compõem uma mão de obra menos qualificada e não documentada. Ocorre que a partir do século 21, com a mobilidade internacional do capital e da força de trabalho, temos a circulação de mão de obra altamente qualificada. O Brasil está na rota das migrações internacionais e é dentro desta modalidade que chegam os novos imigrantes italianos, tendo São Paulo como maior porta de entrada.”

À frente do projeto está Pier Francesco De Maria, doutorando em demografia, que colaborou diretamente com o Comites-SP na elaboração de um questionário para os imigrantes italianos recém-chegados, visando captar características como idade, sexo, escolaridade, profissão, estado civil e as principais dificuldades encontradas ao chegar ao país. “Este projeto tem o propósito de favorecer a integração dos italianos de recente imigração no Brasil e, em especial, melhorar o acesso dos concidadãos a informações claras e confiáveis, indispensáveis para a inserção social e profissional na realidade brasileira. Com base nos resultados do questionário foram definidos os conteúdos de um ciclo de seminários que vêm sendo oferecidos desde junho.”

Pier De Maria, ele próprio, faz parte da onda de imigrantes italianos que vieram nos últimos 10 anos, levando-o a se envolver com o Projeto “Nuovi Arrivati” também em termos pessoais. “Sou italiano e esta é uma coletividade que me representa. Nem eu, nem meus pais [a mãe é brasileira] tivemos acesso a informações como da documentação necessária para meu ingresso no ensino médio, ou sobre como transferir dinheiro para o Brasil – meu pai era servidor público na Itália. Como a minha família, várias outras não têm acesso a informações importantes para a sua inserção no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Isso me motivou a colaborar com o Comites-SP e desenvolver o projeto nesta parceria.”

Nesse sentido, conforme o doutorando, a expectativa é de quatro resultados principais: traçar um perfil dos italianos recém-imigrados e identificar suas necessidades; fornecer um quadro claro das instituições italianas e locais para obter informações; melhorar a qualidade das orientações fornecidas pelas associações italianas que trabalham com imigrantes; e facilitar o acesso a informações seguras em rede sobre a temática da integração social e profissional dos imigrantes. Ao final, prevê-se a transcrição e a publicação na rede dos conteúdos dos seminários e de resultados do questionário, tornando-os acessíveis inclusive para italianos interessados em se mudar para o Brasil.

De Maria informa que parte desta imigração acontece dentro de empresas transnacionais, com profissionais inseridos no mercado de trabalho formal do país, mas existe uma parcela significativa de imigrantes de alta qualificação que, por conta da crise mundial, vem buscar oportunidades de trabalho através das redes sociais, até um momento melhor de voltar à Itália. “Calculamos em sete ou oito mil os imigrantes que vieram por conta própria. Os Comites são eleitos diretamente pelos italianos quando a região recebe pelo menos três mil. O Comites de São Paulo possui população bem maior e aglomera os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Rondônia, formando um eixo pelo Centro-Oeste. Os outros cinco Comites no Brasil estão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Minas Gerais.”

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Adultos jovens
Diante da constatação de uma população altamente escolarizada e qualificada, optou-se por distribuir o questionário por redes sociais, o que trouxe maior capilaridade e perto de 300 retornos de vários pontos do país, com respostas todas válidas, o que é uma exceção neste tipo de pesquisa. Devido ao acordo com o Comites-SP para que os resultados sejam divulgados apenas no seminário de encerramento do Projeto “Nuovi Arrivati”, marcado para 26 de novembro em Campinas, Pier De Maria se restringe aos dados mais gerais. “Os entrevistados falam três ou quatro idiomas e estão inseridos no setor financeiro e deslocados para filiais no Brasil, havendo ainda investidores, profissionais liberais, estudantes universitários e até aposentados.”

Uma constatação é que se trata de uma população adulta jovem, com a maioria entre 20 e 45 anos, que chegou solteira, embora muitos hoje se declarem casados e com filhos, tendo construído aqui um percurso de vida. “No primeiro período analisado [por meio dos dados do Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros – Sincre], de 2000 a 2015, temos mais homens que mulheres e, a partir de 2010, a pirâmide fica mais rejuvenescida, com uma concentração de jovens, o que está ligado à falta de oportunidades no mercado de trabalho da origem. Em minha infância na Itália, eram muitas as pessoas com diploma que não conseguiam empregos em suas áreas, sobrevivendo como subempregados – e isto é sistemático no país. Os jovens vêm para o Brasil na esperança de se inserir em suas carreiras, o que às vezes acontece, às vezes não.”

Uma questão importante, mas pouco usual nestas pesquisas, é o por quê de ter deixado a Itália, quando geralmente se pergunta somente o por quê de ter escolhido o Brasil. “Entre os imigrantes que não foram enviados por empresas, está a expectativa de uma vida melhor para os filhos. Lá, eles sentem na pele o reflexo da crise mundial porque o país ainda não havia se recuperado de crises anteriores, desde um período político e econômico mais difícil por conta dos escândalos de corrupção da década de 1990. Uma resposta curiosa foi a de falta de identificação com a Itália, sugerindo uma pessoa aberta a deixar o país por desprendimento em relação à cultura.”

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Dificuldades de inserção
Perguntados sobre as dificuldades enfrentadas na chegada e quais ainda enfrentam anos depois do ato migratório, o demógrafo comenta as principais elencadas pelos imigrantes. “No caso de São Paulo, há um contingente significativo de italianos que vieram sem conhecer os trâmites necessários para regularizar sua estada, sem saber como obter o visto de permanência e quais são os tipos de visto. Outras dificuldades apontadas são de acesso ao sistema de saúde (que na Itália não é único), de convalidação de diplomas, de transferência de dinheiro para o Brasil (são profissionais bem remunerados) e de como aplicar recursos, pois muitos são investidores.”

Em relação às ocupações, Pier De Maria afirma que a maior parte dos imigrantes é formada por diretores e gerentes que vêm trabalhar em filiais de empresas no Brasil e de investidores que abrem novos empreendimentos como na rede hoteleira, geralmente no litoral do Nordeste. “Um dos principais vistos concedidos é de investidor. Em seguida aparecem os estudantes universitários, que são relevantes também em períodos anteriores ao recortado na pesquisa, mas também chama atenção o volume de profissionais liberais e de aposentados, pessoas vindo em outro momento do ciclo de vida.”

Um levantamento importante no Projeto “Nuovi Arrivati”, na opinião do demógrafo, foi dos locais de moradia dos novos imigrantes italianos, que estão majoritariamente nas grandes cidades, sobretudo em capitais como São Paulo, Fortaleza, Salvador, João Pessoa, Maceió e Rio de Janeiro. “Mas vale observar que no Estado de São Paulo já vemos um número significativo de imigrantes na Baixada Santista e também no interior, formando uma espécie de corredor por cidades como Campinas, Sorocaba e Piracicaba, conforme os dados do Sincre, da Polícia Federal.”

De acordo com De Maria, a língua não representa barreira para esses imigrantes, já que mais de 70% falam pelo menos três idiomas (como espanhol, inglês e francês) e a maioria diz possuir domínio pelo menos regular do português na leitura, escrita, fala e audição. “Existe certa racionalidade na escolha de vir para o Brasil, com a busca de algum conhecimento prévio sobre o país e uma construção do percurso. No meu caso, por exemplo, fui aprender português antes de migrar. Outro aspecto a destacar é que, embora vários entrevistados tenham vindo por possuírem parentes de outras gerações, dois em cada três não pretendem permanecer no Brasil, com a ideia de voltar para a Itália ou ir para outro país – e isso envolve desde os jovens aos mais velhos.”

Seminário em Campinas encerra o ‘Nuovi Arrivati’

O seminário de encerramento do Projeto “Nuovi Arrivati” será realizado na Casa d’Italia, em Campinas, no dia 26 de novembro, quando serão apresentados os resultados dos questionários distribuídos a imigrantes italianos recém-chegados. Com a proposta de promover a confluência entre as esferas acadêmica, social e cultural, o evento contará com mesas-redondas para discussão do projeto e seus resultados, além de ter a participação de integrantes da comunidade italiana. Especialistas no tema das migrações internacionais, bem como da migração recente de italianos para o Brasil, concederão as conferências de abertura e de encerramento.

Pier De Maria, que faz parte da comissão organizadora do seminário, lembra que o projeto começou a ser executado em fevereiro deste ano, utilizando-se os resultados obtidos até junho para a montagem de palestras baseadas em temáticas legais, fiscais, sanitárias e acadêmicas. O objetivo foi oferecer um quadro claro das instituições às quais os imigrantes podem recorrer para obter informações confiáveis, e também para que funcionários das associações italianas se atualizem. “Uma limitação era que, apesar da preponderância em São Paulo, os questionários acusaram imigrantes do Acre ao Rio Grande do Sul – pessoas que não poderiam participar fisicamente das palestras. Por isso, elas foram todas gravadas para divulgação em redes sociais e de órgãos administrativos da Itália no Brasil, juntamente com outros produtos da pesquisa.”

De Maria conta que na primeira palestra, por exemplo, advogados conversaram com a coletividade italiana de São Paulo para dirimir dúvidas sobre obtenção de vistos e os tipos de vistos oferecidos no Brasil, conforme as características de saída da Itália (investidor, profissional liberal, cônjuge, filho, etc.). “No levantamento junto ao Sistema Nacional de Cadastro e Registro de Estrangeiros, constatamos que a maior parte dos amparos legais utilizados para concessão de vistos e carteira de RNE [Registro Nacional de Estrangeiros] está relacionada a cônjuges, investidores, estudantes universitários, de trabalho e trabalho temporário (para permanência por dois anos, renovável) e visto permanente de reunião familiar.”

De acordo com o organizador do seminário, uma das mesas tratará do que os italianos chamam de “Sistema Itália”, mostrando as novas ações possíveis a partir dos resultados do Projeto “Nuovi Arrivati”. “A ideia não é encerrar o projeto em si mesmo, mas ir atualizando o material e ver o que mais pode ser feito para esta coletividade que está vindo ao Brasil. Os Comites são eleitos a cada cinco anos e o atual de São Paulo foi eleito no ano passado. São constituídos por italianos ou descendentes jovens, que procuram traçar os caminhos futuros para integração entre coletividade e órgãos responsáveis. A expectativa é de que o projeto saia para outros Comites do Brasil e América Latina afora.”

Falta uma política imigratória para a ‘circulação de cérebros’

A professora Rosana Baeninger, coordenadora do Observatório das Migrações, afirma que as ações pontuais por parte de comunidades e associações italianas diante da chegada dos novos imigrantes refletem, na verdade, a falta de uma política imigratória do Brasil para o século 21. “Na imigração italiana do século 19 para o século 20, tínhamos uma mão de obra não qualificada, ao passo que esta é altamente qualificada, fazendo parte de uma nova modalidade migratória que chamamos de ‘circulação de cérebros’. Esses imigrantes podem ficar aqui por algum tempo, mas não necessariamente permanecerão – ficar no Brasil não é o projeto migratório deles.”

A docente da Unicamp lembra que o país possui o Estatuto do Estrangeiro, herdado em 1980 do regime ditatorial e pelo qual só podem permanecer os imigrantes que vêm com a empresa, ou seja, a mão de obra qualificada e com emprego formal. “São os imigrantes desejados. Mas, mesmo para estes, a legislação não oferece abertura para que possam convalidar seus diplomas e se inserir no mercado de trabalho com visto permanente. A Lei de Imigração se tornou urgente a partir da entrada dos haitianos, que formam uma mão de obra igualmente qualificada, mas que acabou encaixada preponderantemente no setor de serviços. Isso porque o nosso Estado-nação tem como tipo ideal de imigrante o branco europeu.”

Segundo Rosana, a Lei de Imigração que substitui o Estatuto do Estrangeiro, em trâmite no Congresso, envolve um embate político muito forte entre os Ministérios do Trabalho e da Justiça. “O retrato maior de uma sociedade despreparada para o século 21 é a de não conseguir, minimamente, saber o que fazer com essas novas ondas de imigrantes. Se o Brasil escolheu entrar na rota do capital internacional, tem de se preparar para a entrada de uma mão de obra qualificada e não qualificada.”

A coordenadora do Observatório das Migrações observa que, mesmo que o país não esteja com o mesmo dinamismo econômico de alguns anos atrás, continua sendo uma alternativa inclusive para a mão de obra qualificada, em função das redes migratórias. “Uma constatação em relação à grande onda de imigrantes italianos da virada do século 19 para o 20, é que no século 21 a metrópole de São Paulo continua sendo a porta de entrada. Contudo, Campinas também já desponta e a expansão para o interior paulista tem muito mais a ver com a alocação de empresas transnacionais do que com a rede migratória histórica do passado”.

Rosana Baeninger salienta que a dinâmica dos fluxos muda rapidamente de perfil e que a legislação brasileira não consegue identificar e acolher estes imigrantes. “Pesquisas teóricas mostram que no início temos uma mão de obra altamente qualificada, mas que depois vai puxar uma população com qualificações menores, como, por exemplo, a que virá trabalhar para esses novos imigrantes italianos. Por outro lado, o Brasil, que sempre foi tratado como um país de imigração na virada para o século 20 ou de emigração no final do mesmo século, está se tornando um país de trânsito migratório: os haitianos já estão indo para outros países como o Chile e, também para os italianos, poderemos ser um país de trânsito dentro desta mobilidade internacional cosmopolita.”

O doutorando Pier De Maria acrescenta que, com a demora na aprovação da Lei de Imigração, as características de imigração vão mudando e novas necessidades aparecem. “Os novos imigrantes italianos, por agora, contam com a imigração histórica, podendo se encaixar nas redes migratórias – eles não demandam visto humanitário ou de refúgio, mas e se fosse o caso? Temos profissionais liberais que aqui são assalariados ou arquitetos que trabalham como técnicos devido à dificuldade na convalidação do diploma.”

Em relação aos amparos legais, afirma De Maria, todas as questões são baseadas em leis antigas que precisam de mudanças para incorporar novas características desta mobilidade internacional. “Há italianos que circulam pelo mundo e vieram para o Brasil de outros países. Há os que nasceram fora da Itália, mas que lá moraram e vieram para cá – como incorporá-los? Algumas declarações são de imigrantes que vieram da Argentina e outros países da América Latina porque herdaram a cidadania do pai italiano. Houve respostas de imigrantes com ensino médio (o que é pouco para conseguir boa colocação na Itália) e que estão alocados no trabalho informal – será que conseguirão o visto de permanência? São possibilidades que podem surgir no futuro.”

Segundo o demógrafo, o questionário do Projeto “Nuovi Arrivati” captou uma população bastante móvel, com pessoas que já viveram em países da Ásia, África e América do Norte. “São imigrantes que não têm restrições em termos de fronteiras. Imaginávamos que os italianos preferissem países do primeiro mundo, mas no caso da Ásia, por exemplo, o Japão não aparece, e sim Bangladesh e Vietnã. Para eles, é muito fácil obter vistos para circular pela América Latina e outros continentes.”

Sobre esta migração de italianos para o sudeste asiático ou países como Bolívia e México, Rosana Baeninger cita Pietro Basso, sociólogo italiano que oferece aporte teórico ao Observatório das Migrações e para quem as migrações, qualificadas ou não, ocorrerão cada vez mais entre países periféricos. “São países onde as empresas conseguem maior taxa de lucro. Este aspecto é interessante para reforçar que o Brasil está na rota das migrações internacionais. Na política imigratória do século 19, as normas imigratórias no país buscavam a assimilação desses imigrantes europeus, estava-se construindo um Estado-nação. Se as associações e coletividades italianas se preocupam até hoje com o resgate da memória histórica dessas imigrações passadas, os novos imigrantes não têm necessariamente o mesmo interesse; pode ser que o Brasil seja apenas um dos tantos países de trânsito pelos quais circulam.”

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/675/pais-recebe-30-mil-novos-imigrantes-italianos-entre-2000-e-2015

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CHAMADA DE TRABALHOS – Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo

Temos o prazer de divulgar a chamada para submissão de trabalhos para o seminário de encerramento do Projeto ‘Nuovi Arrivati’, evento que se insere no Programa de Seminários do Observatório das Migrações em São Paulo (FAPESP-CNPq/NEPO-UNICAMP).

O seminário, que está previsto para ocorrer na Casa d’Italia em Campinas (SP) no dia 26 de Novembro de 2016 (das 09h00 às 18h00), será um momento de apresentação e discussão do Projeto ‘Nuovi Arrivati’, uma atividade do Comitê de Italianos no Exterior (COMITES) de São Paulo em colaboração com o Observatório das Migrações em São Paulo, o Consulado Geral da Itália em São Paulo, a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio (ITALCAM) e a Missão Paz.

Este projeto tem o propósito de favorecer a integração dos italianos de recente imigração no Brasil. Em especial, se propõe a melhorar o acesso dos concidadãos a informações claras e confiáveis, indispensáveis para a inserção social e profissional na realidade brasileira. Este projeto se insere como um ponto de partida para a elaboração e a implementação de diversas iniciativas direcionadas a este segmento populacional, explorando suas dificuldades e exigências.

Além de se apresentarem e discutirem os resultados do projeto, será aberta uma sessão pôster para apresentação de pesquisas temáticas que abordem a migração recente de italianos para o BrasilNeste evento, serão aceitas contribuições em Italiano, Português, Inglês e Espanhol. Os trabalhos aprovados, após a apresentação no seminário, serão organizados em um livro sobre a migração italiana para o Brasil, a ser publicado em 2017.

Serão aceitas contribuições enviadas para o e-mail pier@nepo.unicamp.braté o dia 23 de Setembro de 2016. Nesta primeira fase, serão aceitos tanto artigos completos como resumos expandidos. Mais informações se encontram na chamada disponível aqui. Eventuais dúvidas também podem ser enviadas para o e-mail pier@nepo.unicamp.br.

Ainda no mês de Setembro, será também aberta a inscrição para participação do seminário na qualidade de ouvinte (não será cobrada taxa de inscrição). Durante o mês de Outubro, divulgaremos a programação preliminar, com as mesas redondas previstas e as autoridades convidadas para o evento.

Contamos com a divulgação desta chamada (e das novidades sobre o evento) para todos os interessados e com a participação de todos que queiram discutir, ouvir e aprender sobre migrações internacionais e a nova migração italiana para o Brasil!

Pier Francesco De Maria (coordenador – IFCH/UNICAMP)
Jacopo Angelozzi (coordenador – Comissão Recém-Chegados/COMITES-SP)
Rosana Baeninger (coordenadora adjunta – IFCH-NEPO/UNICAMP)
Renato Sartori (coordenador ajunto – COMITES-SP)
 

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CHAMADA DE TRABALHO – Programa de Seminário do Observatório das Migrações

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Seminário “Migrações Internacionais, Refúgio e Políticas”

Memorial da América Latina, São Paulo

Dia 12 de abril de 2016

 

Realização e organização

Observatório das Migrações em São Paulo – Núcleo de Estudos de População Elza Berquó/ Instituto de Filosofia e Ciências Humanas/ Faculdade de Ciências Aplicadas – Universidade Estadual de Campinas: Rosana Baeninger,  Roberta Peres, Álvaro D´Antona

Grupo de Estudo Distribuição Espacial da População – PUC Minas Gerais: Duval Fernandes, Maria da Consolação Gomes de Castro

Grupo de Estudos Migratórios Amazônicos – Universidade Federal do Amazonas: Sidney Silva

Cátedra Sérgio Vieira de Mello e Observatório das Migrações e Mobilidade no ABC Paulista – Universidade Federal do ABC: José Blanes Sala, Júlia Bertino Moreira, Adriana Capuano, Leonardo Freire de Mello, Marilda Menezes, Gilberto Rodrigues

Observatório das Migrações em Santa Catarina – Gláucia Assis, Luis Felipe Aires Magalhães

Observatório das Migrações Nordestinas – Ricardo Ojima, Wilson Fusco

Observatório do Platô das Guianas – Jadson Porto

Observatório das Migrações no Ceará – Silvana Nunes de Queiróz

Memorial da América Latina – Marília Franco

Programa de Pós-Graduação em Demografia – Universidade Estadual de Campinas

Programa de Pós-Graduação em Sociologia – Universidade Estadual de Campinas

Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas – Universidade Estadual de Campinas

Programa de Pós-Graduação em Geografia – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – Universidade Federal do Amazonas

Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais – Universidade Federal do ABC

Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Gestão de Território – Universidade Federal ABC

Programa de Pós-Graduação em Demografia – Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Universidade Federal do Amapá

Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental – Universidade do Estado de Santa Catarina

Programa de Pós-Graduação em História – Universidade do Estado de Santa Catarina

O Seminário “Migração Internacional, Refúgio e Políticas” busca dialogar com distintos campos disciplinares, avançando no conhecimento teórico-metodológico, bem como debater, com atores governamentais e a sociedade civil, as políticas migratórias (e/ou a ausência delas) e as políticas sociais para os imigrantes no Brasil do século XXI.

Chamada de Trabalho:

Os trabalhos podem ser submetidos no formato de resumo expandido (4 páginas) ou trabalho completo (de 12 a 20 páginas). Os eixos temáticos acompanham as respectivas mesas-redondas do Seminário; a saber:

  • Migrações Internacionais no Brasil Contemporâneo: cenários, tendências, características e especificidades
  • Migração Internacional   e    Políticas   Públicas:    trabalho,    justiça,   saúde, educação e assistência
  • Fronteiras e Migração
  • Refúgio, Políticas e Território

 

O formato da apresentação dos trabalhos selecionados será somente como PÔSTER. A sessão de pôster, com a seleção de 20 trabalhos, será realizada no horário do almoço e contará com cinco comentaristas que discutirão individualmente com os respectivos autores.

Prevê-se também que estes pôsteres sejam impressos pela organização do evento,  de modo a padronizá-los, com a finalidade de doação ao Memorial da América Latina para que fique exposto ao público em geral e por um tempo maior que a duração do evento. Haverá certificado de premiação para os três melhores pôsteres apresentados.

Os trabalhos aprovados no formato de trabalho completo participarão ainda de seleção ad hoc para publicação de alguns deles na Revista do Memorial da América Latina.

Os resumos expandidos (4 páginas) e os trabalhos completos (de 12 a 20 páginas) devem ser elaborados com letra Arial 12, espaçamento simples, margens 2,5cm para superior, inferior, esquerda e direita.

Para os resumos expandidos: na primeira página constar: título do trabalho, autor, instituição e endereço eletrônico. Indicar no rodapé: Trabalho submetido ao Seminário “Migrações Internacionais, Refúgio e Políticas”, a ser realizado no dia 12  de abril de 2016 no Memorial da América Latina, São Paulo.

Da segunda página em diante devem constar: somente título do trabalho (não indicar autoria) e os itens: objetivo, discussão teórica e metodológica, resultados e referências bibliográficas.

Para os trabalhos completos: na primeira página constar: título do trabalho, autor, instituição e endereço eletrônico. Indicar no rodapé: Trabalho submetido ao Seminário “Migrações Internacionais, Refúgio e Políticas”, a ser realizado no dia 12  de abril de 2016 no Memorial da América Latina, São Paulo.

Da segunda página em diante constar: somente título do trabalho (não indicar autoria) e seguir com os tópicos do texto.

Haverá Anais online do evento, com a publicação dos resumos expandidos e os trabalhos completos aprovados.

Público Alvo: acadêmicos, gestores, Ministérios, comunidades imigrantes.

Não há taxa de inscrição. Os custos de viagens e alojamento não serão financiados pela organização do Seminário.

  

PRAZOS:

25 de janeiro de 2016 a 01 de março de 2016: envio de resumo expandido ou trabalho completo em arquivo em word para o seguinte endereço:

observatoriodasmigracoes@nepo.unicamp.br

10 de março de 2016: resultado dos resumos expandidos e trabalhos aprovados.

21 de março de 2016: envio do formato em pôster dos resumos expandidos e trabalhos selecionados, a ser encaminhado em arquivo power point para a impressão do mesmo pela organização do evento. As dimensões recomendadas são de 90 cm de altura e 80 cm de largura, contendo: Objetivo, discussão teórica, metodologia, principais resultados, referências bibliográficas. O não envio do referido arquivo para impressão do pôster será considerado como desistência do participante e não constará da programação e dos Anais do evento.

A programação final do evento será divulgada a partir de 28 de março de 2016.

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Seminário dos alunos da Pós-graduação em Demografia – 2015

Todos os anos o Programa de Pós-graduação em Demografia da UNICAMP organiza uma série de apresentações dos seus alunos. Apresentam seus trabalhos apenas aqueles que estão há dois anos ou mais no Programa. Em 2015 o chamado “Seminário dos alunos” vai ocorrer entre 10 e 11 de dezembro no auditório do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP).

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Programação completa

Quinta-feira, 10 de dezembro de 2015.

 

10h-12h: Migrações

Moderadora: Rosana Baeninger

  1. O Estado de São Paulo e seus rurais – Natália Belmonte Demétrio
  2. Interiorização da imigração: bolivianos em Americana – Gabriela Camargo de Oliveira
  3. Imigração haitiana em Santa Catarina: Condicionantes do fluxo, perfil sociodemográfico e contradições da inserção laboral – Luís Felipe Aires Magalhães
  4. Refugiados Sírios no Brasil – Marília Calegari Quinaglia

 

14-16h: Família e nupcialidade

Moderadora: Maria Coleta F. A. de Oliveira

  1. “Quem” você quer ser quando crescer? Entre tempos e espaços – passagens pela migração e vida adulta – Katiani Tatie Shishito
  2. Mulheres sem filhos no Brasil: análise da relação entre ausência de filhos e características socioeconômicas e demográficas- Joyce Caroline Alecci Meneghim
  3. Só se for a dois: Conjugalidade e homoparentalidade no Censo brasileiro de 2010 – Fernanda Fortes de Lena
  4. As uniões consensuais no Estado de São Paulo a partir dos anos 80: uma análise sociodemográfica e jurídica – Graziela Cristina Farina R. R. Barnabé

 

16-18h: População, saúde e violência

Moderadora: Luciana Alves

  1. Fatores individuais e contextuais associados à mortalidade de jovens no nordeste brasileiro: uma abordagem multinível utilizando os dados do Censo Demográfico de 2010 – Maurilio José Barbosa Soares
  2. Análise da dinâmica da mortalidade no contexto do conflito armado na região do Litoral Pacífico colombiano, entre no período de 1993-2013 – Bladimir Carabali Hinestroza
  3. Violência de gênero e etnicidade: considerações sociodemográficas e culturais da violência de gênero em casais – María del Rosario Aparicio

 

Sexta-feira, 11 de dezembro de 2015.

 

10-12h: População e Ambiente

Moderador: Álvaro D’Antona

  1. Características sociodemográficas e ambientais da epidemia de dengue no município de Campinas, Estado de São Paulo, em 2014 – Igor Cavallini Johansen
  2. A grave escassez hídrica na Região Metropolitana de Campinas entre 2013-2015 – Tathiane Mayumi Anazawa
  3. Entre a produção vertical do campo e a ocupação horizontal da cidade: mobilidade residencial em Lucas do Rio Verde (MT) – Carla Craice da Silva
  4. Mobilidade populacional e mudança no uso-cobertura da terra: o estudo de uma região no oeste do Pará, 2000-2010 – Julia Corrêa Côrtes

 

14-16h: População, pobreza e segregação residencial

Moderadora: Joice Melo Vieira

  1. Família e pobreza: arranjos no pós-Real – Pier Francesco De Maria
  2. Habitação de interesse social e pobreza – Cimar Alejandro Prieto Aparicio
  3. Produção Social do Espaço, Mobilidade Populacional e Segregação Residencial: a trajetória recente da Região Metropolitana da Baixada Santista – Luiz Antonio Chaves de Farias

 

16-18h: População e cidades

Moderador: José Marcos Pinto da Cunha

  1. Para dentro das portarias, por detrás das cancelas: Características e condicionantes da autossegregação das elites em Campinas – Dafne Sponchiado Firmino da Silva
  2. A estruturação da Região Metropolitana de Campinas: Desenvolvimento econômico e características sociodemográficas – Guilherme Margarido Ortega
  3. A dimensão demográfica no processo de metropolização: Uma análise da estruturação do arranjo-urbano-regional paulista 1991/2010 – Késia Anastácio Alves da Silva

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Conferência de abertura do “VI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais”

Para quem perdeu a conferência de abertura do “VI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais”, proferida pelo prof. Dr. José Eustáquio Diniz Alves (ENCE/IBGE), disponibilizamos aqui no Blog Demografia Unicamp.

Sua apresentação teve como título “O desperdício do bônus demográfico e o fim do desenvolvimento do Brasil”. O arquivo pode ser baixado na íntegra clicando na imagem abaixo.

Capa

Para mais informações sobre o “VI Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais”, acesse:

http://www.nepo.unicamp.br/eventos/2015/capacitacao2015.html

(A publicação da conferência de abertura no Blog Demografia Unicamp tem expressa autorização do autor).

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