O que exatamente é um doutorado?

O texto abaixo, de autoria de Matt Might, é representativo de como às vezes uma imagem (ou um conjunto delas) vale mais que mil palavras. Bastante preciso, o autor vai direto ao ponto, indicando uma das grandes riquezas de um curso de doutorado: a possibilidade de reconhecer as fronteiras do conhecimento e tentar superá-las. Vale a pena conferir!

Todo ano eu explico para um novo grupo de pós-graduandos o que é um doutorado.

Mas é difícil descrever em palavras.

Então, eu uso figuras.

Veja abaixo o guia ilustrado que eu utilizo para explicar exatamente o que é um doutorado.

Imagine um círculo que contém todo o conhecimento humano:

Quando você completa o ensino básico, você sabe um pouco:

Quando você completa o ensino médio, sabe um pouquinho mais:

Com uma graduação, você sabe um pouco mais e ganha uma especialização:

Um mestrado te aprofunda naquela especialização:

Ler e estudar teses te leva cada vez mais em direção ao limite do conhecimento humano naquela área:

Quando você chega lá, você se foca:

Você tenta ultrapassar os limites por alguns anos:

Até que um dia os limites cedem:

Este pequeno calombinho de conhecimento que ultrapassou os limites é chamado de doutorado (Ph.D.):

Mas é claro que na sua visão de mundo fica diferente:

Mas não esqueça da dimensão das coisas:

Continue ultrapassando os limites.

Autor do texto: Matt Might. Original em inglês: The Illustrated Guide to a Ph.D

Tradução: Blog Posgraduando (site, Facebook, Twitter).

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208 comentários

  1. Os comentários revelam que que pessoas no maximo com graducao comentam aqui. Quando dizem que “muitos doutores não inovam nada” revela que nada sabe sobre a dinamica do mundo academico, da investigacao cientifica.

  2. Impressionante como se passa exatamente o contrario de humildade diante do saber…. o que temos testemunhado e um conjunto de soberba e ignorância, Completa falta de compromisso em doar em pesquisas, benefícios e consciência critica para alavancar um sistema educacional cada vez mais decadente de frágeis repercussões de nula historia.

  3. Não tenho Doutorado, na verdade sou recém graduado, mas acredito piamente na ilustração, uma vez que o círculo se refere ao conhecimento humano total. Acredito que fazer doutorado não é somente produzir conteúdo, descobrir, inovar e defender uma tese inédita com resultados esclarecedores. Pra mim, o doutorado é experiencia de vida, é dinâmico, reflexivo e envolve toda a comunidade. Mesmo que um doutorado não produza algo inovador e sensacional, ele é parte do programa de pós graduação e vai colaborar de uma forma ou outra, apontando rumos, abrindo caminhos, confirmando, discordando ou levantando questionamentos nunca questionados. A participação de uma pessoas no conhecimento é mínima, é apenas participativa, mas devemos participar com afinco e clareza de que estamos colaborando para um todo infinitamente grande qual não vemos ou quase não vemos as margens.

    • Como eu já fiz um calombinho no calombinho, tenho que concordar com os colegas que dizem que mais que uma tese, o papel de um doutor é manter a roda do conhecimento girando através da formação de novos graduandos, mestrandos e quem sabe um dia até novos doutorandos. Ao contrário do que muitos fazem de ser trancar um sua concha de ouro no alto do seu castelo de soberba.

      • Caro Francisco.

        Você entendeu o espírito da coisa. Há 21 anos obtive o meu e de lá pra cá inúmeros são os alunos de Mestrado e doutorado que passaram por mim. Todos sabem que ao terminar um doutorado você é especialista naquele calombinho e somente nele. Agora o que conta é o processo vivido para cria-lo. E neste processo estão inclusos o treinamento da cidadania, da reflexão, da preocupação com o crescimento daqueles que você irá orientar no futuro. Na verdade o ineditismo é só um pequeno, mas importante ponto que te leva a não copiar as ideias das outras pessoas. E durante o trabalho o que importa é a inquietação, a curiosidade, a capacidade de solucionar problema (criatividade) daqueles que querem ser cientistas. Só isso! Agora não vou aqui fazer comentários políticos. Só dizer que o Brasil não está preparado para apoiar esta fatia de cidadãos!

  4. um doutorado irá apenas aumentar o circulo do conhecimento humano e científico e dependendo da busca ou não do conhecimento ele pode ficar do mesmo tamanho ou ir aumentando, foi isso que interpretei…

  5. Não me impressiona o tamanho do conhecimento das coisas que sabemos, mas me assusto com o tamanho da ignorância do que desconhecemos. Gostei do calombinho, quando eu ver por ai um M.S. se vangloriando, vou comentar: Só quer ser, mas não tem nem calombinho, kkkkkkk.

    • Exatamente o que pensei… O que sabemos é nada diante de todo conhecimento. O mundo está cada vez mais “especialista”. Acho isso bom, pois nos mostra que dependemos uns dos outros e que não sabemos quase nada… Acho lindo quando minha endodontista me envia para protetista e daí vai… Obs.: Acho que assim que se escreve essas especialidades… Rsrsrs

  6. Quando damos início ao aprendizado não sabemos onde o conhecimento vai parar, porque na verdade ele nunca pára. Todos somos capazes de chegar ao limite do saber e muito mais capazes de ultrapassá-lo.

  7. Para chegar ao limite do conhecimento é necessário, tempo, responsabilidade, concentração, com mente aberta para uma direção de objetivos, para evolução da humanidade.

  8. Apesar de concordar com o raciocínio deste esquema e considera-lo importante, creio que faltou algo nesta imagem: o conhecimento gerado na academia deve se relacionar com mudanças de atitudes para a melhoria da relação humana com o ambiente. Não adianta o aumento na quantidade de conhecimentos se estes não se associam com valores e ações para reduzir desigualdade social e aumentar justiça social e conservação ambiental. Uma prática social consciente e fundamentada é mais importante do que somente o acúmulo de conhecimento. Além disso, essa super-especialização me pareceu não contemplar a relação do conhecimento acadêmico com outros tipos de conhecimentos e a interação entre diferentes áreas do conhecimento.
    Sugiro ler:
    Gil Pérez, Daniel et al. Para Uma Imagem Não Deformada Do Trabalho Científico. Ciência & Educação, v.7, n.2, p. 125-153, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v7n2/01.pdf ; Hodson, Derek. Going Beyond STS: Towards a Curriculum for Sociopolitical Action. The Science Education Review, 3 (1): 1-6, 2004. Disponível em: http://www.scienceeducationreview.com/open_access/hodson-action.pdf ;
    Bearzi, Giovanni. When swordfish conservation biologists eat swordfish. Conservation Biology. Oct;23(5):1072-3, 2009 . Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1523-1739.2008.01142.x/pdf

  9. A representação pictórica do calombinho Ph.D. na infinita e difusa fronteira do conhecimento traduz-se num sentimento de orfandade cósmica [conhecimento equivalente a 10 elevado a (- infinito)]. Por isso, ter que lidar com a soberba humana é patético e hilário.

  10. Pelos comentários é evidente que os DEUSES atacam novamente. Aqui a intenção não é definir o que se deve fazer com o conhecimento adquirido numa especialização. Porque complicar? E ainda ficar citando novas fontes? Qdo aprenderemos a simplificar o que deve ser simplificado? Agora gostei muito da imsgem da esfera. Simples assim.

  11. A explicação é apresentada de um ponto de vista estanque, como se o resultado mais importante de um doutorado fosse a tese. Para mim, o principal resultado de um doutorado é a formação de um pesquisador capaz de produzir novas teses e de orientar outros alunos (especialmente de doutorado), que produzirão novas teses, promovendo a expansão do conhecimento humano …

  12. Esta é uma grande verdade por mais que se suba degraus de conhecimento na formação nunca iremos além de no máximo um calombinho no todo dos conhecimentos, portanto a arrogância sempre sufocara a beleza das conquistas e a humildade de alguém que está em destaque traz admiração dos que o cercam. De fato a vida é um mistério e o autor é bem maior que a criação.

  13. Achei a explicação uma verdadeira realidade do que é o conhecimento de quem investiga e gosta de desafiar os limites. eu por mim sinto que quanto mais estudo e investigo mais longe estou do que gostava de ser. Luzia

  14. Concordo plenamente! Bom para algumas pessoas que acham que ter títulos é o que eles são e não o que eles tem. Mas alguém se perguntou qual a importância de se aumentar o círculo? Se isso realmente for importante, qual é a forma de chegar até a beirada e construir um calombo sem doutorado, ou simplesmente sem uma boa pesquisa? Fica aí a provocação(positiva), daquelas que os doutores costumam fazer…

  15. O quanto a ignorância do quanto mais sabe-se que não se sabe nada pois a mutação do conhecimento e infinita pergunto doutorado no que? nunca vai se saber tudo; o que e presente e real o que se entende e que doutorado em coisas e leis e fatos, do dia a dia, em que o ser humano se submete aos costumes do mito de uma classe direcionada que esta classe se diz perante a sociedade vinculada as leis de natureza de cada pais e de cada costumes de cada povo logo, especialização em uma matéria seja ela física ou cientifica ou imagina-se ate no espiritual, que isto de fato e verdade e diz no verbo que esta correto então CONHECIMENTO e doutorado, em Ph.D somente tem aquele que e uma biblioteca ambulante, e bilíngue em 99% do que existe no planeta terra, isto para mim e saber algo mas ainda não saberá tudo. COMO SE DIZ USA-SE UM LADO DO CELEBRO TERRENO (humano) o outro LADO DO CELEBRO E CELESTIAL, e isto saberemos quando desta matéria que usamos nos desprendermos.

      • Infelizmente, você nem viu a data do original antes de comentar (pois a estrutura educacional muda ao longo do tempo), e também não viu que o Matt não é brasileiro e que a estrutura/momenclatura de ensino não é igual em todos os países. É muito importante informar-se antes de comentar/criticar algo…

  16. Uma prática social mais ética e justa vale mais do que mil teses de doutorado. Quantas neste momento devem estar pegando poeira ou já se perderam apesar da relevância delas? Todo potencial positivo que elas teriam socialmente está tolhido pela falta de boa vontade humana de transformar palavras em ações.

  17. Pergunte a um atleta de ponta qual a enorme diferença entre se classificar para uma competição e ganhá-la. Pergunte quantas horas a amais ele precisa se dedicar para melhorar sua marca um pouquinho, para atingir o limite do círculo…

  18. A autora realmente compreende o que é um doutorado ! Otima representação pictórica sobre o tema! Vale o compartilhamento para a comunidade científica, pois, quem sabe, assim alguns possam saber onde é mesmo o seu lugar no mundo do conhecimento!

  19. Primeiro, o conhecimento humano não está limitado aos currículos escolares. Se alguém acha que o desenvolvimento do intelecto se resume a um conjunto de etapas a ser realizadas vai se frustrar quando chegar mais a frente, quem sabe até no doutorado, que hoje está bastante acessível. A pessoa sequer desejou se auto superar nesta corrida. Um constatação mais realista é a de que a maioria dos acadêmicos desejam “crescer” por causa da famigerada busca de títulos, que, no Brasil, se tornou algo assustador.
    Segundo, não existem limites determinados estaticamente nem dinamicamente para o conhecimento humano. Depois de eras e eras de busca incansável do homem pela verdade, descobrimos algo surpreendente. As coisas são redescobertas de novo e de novo. Não há nada de novo sob o sol!
    Terceiro, se é que existe um limite, por mais que isto seja algo difícil de imaginar, a superação desse limite não está reservado apenas para os Ph.D.s, mas a todos os distintos homens e mulheres que veem em suas descobertas uma forma de transformar a natureza e a forma como entendemos ela, e não a obtenção de títulos apenas.

  20. Estatísticas científicas alarmantes, artigo de Nagib Nassar

    Nagib Nassar é professor emérito da Universidade de Brasília. Artigo enviado ao JC Email pelo autor.

    Em sua última edição (Outubro de 2012), na página 37, a renomada revista Scientific American publicou um artigo com dados sobre os ‘Melhores Países na Ciência’. Nele, me chamou atenção que o Brasil está situado na sétima posição em número de doutores formados, na frente de países tradicionalmente reconhecidos nesta área como Canadá, Espanha, Austrália, Suécia, Suíça (12º lugar), Polônia, Holanda (14º lugar), Áustria, Bélgica, Finlândia e Dinamarca (24º lugar).

    Na primeira instância, nos desperta muito orgulho e admiração. Mas (há um ‘mas’ no caminho), a alegria não dura muito. Na coluna de categoria de trabalhos publicados em periódicos indexados e de razoável impacto, o Brasil não aparece em nenhuma posição relacionada, nem na última, que é o 25º lugar!

    Há muito para refletir sobre este assunto. Provavelmente, o mais importante seria identificar o mecanismo que encoraja formar doutores que não publicam artigos que valem e não conseguem fazer seus artigos serem aceitos em periódicos de impacto razoável nem serem citados por outros cientistas, que é o parâmetro mais importante para medir e avaliar trabalhos científicos.

    Espero que autoridades da esfera Federal, responsável pela formação dos doutores brasileiros, criem a necessária infraestrutura para melhorar essa situação e chegar a um perfil melhor de doutores formandos. Uma delas poderia ser o estabelecimento de medidas e critérios para avaliar cursos de pós-graduação, para que o perfil dos doutores formados corresponda a um pesquisador eficiente e capaz.

    Não é suficiente anexar a suas teses artigos publicados por qualquer periódico, deve haver um mínimo de fator de impacto do periódico para considerar a publicação válida. Há a necessidade de que a Capes estabeleça um número mínimo de créditos cursados por doutores formados, que não deveria ser menos de 60 créditos. Há muito cursos no Brasil onde o doutor formado mal chegou a 20 créditos cursados! Esse tipo de critério garante para doutores a habilidade de crescer futuramente, mesmo após sua formação.

    http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=84791

  21. DOUTORADO É UMA GRANDE TROUXISSE

    SERVE PARA DIFERENCIAR AS PESSOAS. PRA TU TE TORNAR UMA PESSOA DISTINTA DAS DEMAIS.

    FAZER ALGO QUE “TE TORNA DOUTOR”, DIANTE DOS BENEFÍCIOS QUE HÁ EM “SER DOUTOR”, TORNA ESSE ALGO QUE SE ESTÁ FAZENDO POUCO ISENTO DE SER SUPÉRFLUO.

    A COMUNIDADE ACADÊMICA É UM LIXO. QUE GERA ESSENCIALMENTE BENEFÍCIOS PARTICULARES E MAIOR DESIGUALDADE SOCIAL.

  22. Há que se considerar:
    1- Que as fronteiras do conhecimento estão em constante expansão e mesmo nesse modelo simplificado, um verdadeiro Dr. de hoje pode ser o inepto de amanha.
    2- As fábricas de doutores e de papers

  23. Nietzsche se pergunta: para que tanto conhecimento, conhecimento pelo conhecimento?. A meta deveria ser: conhecimento para aumentar a nossa alegria, a nossa “forza maggiore”.

  24. Deixo meu ponto de vista de mundo. Um certo dia cientistas da Nasa estavam estudando a natureza num deserto em que não chovia a muito tempo, porém tinha um burrinho jumento e um matuto que nunca estudou. O burrinho orneou e o matuto, disse que era para cobrir os equipamentos de pesquisa, porem os cientistas ignoraram, pois disseram que eram cientistas e aquela noite não iria chover, porem passado meia noite choveu e molhou todos os equipamentos dos cientistas, fica a pergunta os cientistas que estudaram muito que sabiam ou o burro e o matuto.

  25. Desenho muito didático para melhorar a percepção dos doutores-deuses e semi-deuses. Será que eles sabem que o título deles só serve na academia?

  26. Apenas uma observação, lá no início: o ensino médio faz parte da educação básica, composta por educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

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